2. DEMETRIUS DE CÍZICO, apologista grego do século X. De sua vida não sabemos senão duas coisas: que foi metropolita de Cízico e que, a pedido de Constantino Porfirogênito (912-959), filho de Leão, o Sábio (886-911), compôs um pequeno tratado sobre os erros dos jacobitas e dos chatzitzarianos ou armênios, cuja origem tem atormentado fortemente os editores. Publicado uma primeira vez em latim por Possevin em seu Apparatus, p. 100, e reproduzido pela Bibliothèque des Pères de Lyon, t. XII, p. 813, foi editado em grego e em latim por Combefis em seu Auctarium novum, t. II, p. 261, como uma obra anônima; foi somente depois, pela inspeção de um manuscrito palatino, que o erudito dominicano descobriu o verdadeiro autor e assinalou seu equívoco em uma nota à sua edição. Isso não impediu Galland, sob a fé de não sei qual autoridade, de atribuir o opúsculo a Filipe, o Solitário, que escrevia sob Aleixo Comneno (1081-1118); e, coisa surpreendente, é sob o nome de Filipe, o Solitário, que o opúsculo se encontra em Migne, P. G., t. CXXVII, col. 879-902. É verdade que a segunda parte do tratado, a Narratio de rebus Armenis, é reproduzida uma segunda vez por Migne, sob o nome de Isaac, o Armênio, no t. CXXXII, col. 1237-1257; mas poderia ser que esta parte da obra não fosse de Demétrius, questão que uma nova investigação através dos manuscritos permitiria apenas dirimir. Se esta parte é do metropolita de Cízico, como explicar que ele tenha interrompido sua lista dos católicos da Armênia em Isaac III Tsoraporétsi (677-703), a menos que ele tenha se contentado em copiar sem mais seu predecessor na matéria. Seja como for quanto à Narratio de rebus Armenis, é certo que o tratado contra os jacobitas é de fato de Demétrius, pelo testemunho de um grande número de manuscritos, por exemplo, o Athous 927, 3666, 3758, 4501; o Vaticanus Palatinus 356, o Scorialensis R. I. 15; o Constantinopolitanus Sancti-Sepulcri 391, o Mosquensis 319 e 323. Na maioria deles, a obra abre-se com uma epístola dedicatória ainda inédita ao imperador Constantino.
Alguns críticos, como Lequien e, recentemente, ainda o autor do Répertoire des sources historiques du moyen âge, Bio-bibliographie, 2ª ed., Paris, 1904, t. I, col. 1166, identificam o controversista de que acaba de se tratar com Demétrius, o Sincelo, que foi igualmente metropolita de Cízico: é um equívoco evidente. O primeiro viveu, como se viu, sob Constantino VII Porfirogênito, enquanto o segundo ocupou a sé de Cízico apenas um século mais tarde, sob Romano III Argiro (1028-1034) e Miguel IV, o Paflagônio (1034-1041). Tem-se deste segundo Demétrius uma interessante contemplação, μελέτη, sobre os impedimentos ao matrimônio, Leunclavius, Jus græco-romanum, t. I, p. 397-406; P. G., t. CXIX, col. 1097-1116; Rhalli-Potli, Syntagma, t. V, p. 354-366; e uma resposta canônica sobre os graus de afinidade entre três famílias, Leunclavius, loc. cit., p. 406-408; P. G., loc. cit., col. 1116-1120; Rhalli-Potli, loc. cit., p. 366-368. É sem dúvida dele que provêm ainda três curtas dissertações contidas no Mediolanensis 682, fol. 367-375. O curopalata João Skylitzes, no início de sua história, indica entre suas fontes uma crônica hoje perdida de um Demétrius de Cízico, que se deve identificar com o segundo e não com o primeiro dos dois metropolitas com esse nome. K. Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Litteratur, 2ª ed., p. 399, confessa não saber nada a respeito deste Demétrius. Sabe-se, todavia, que no mês de janeiro de 1028, Demétrius, já metropolita, fazia parte do sínodo de Constantinopla, P. G., t. CXIX, col. 837; que, no ano de 1037, ele intrigou com alguns de seus colegas para derrubar o patriarca Aleixo e colocar em seu lugar o eunuco João, irmão do imperador Miguel, P. G., t. CXXII, col. 249. Estas datas, absolutamente certas, têm a sua importância. Lembremos ainda um outro detalhe: desde sua ascensão ao império, Romano Argiro, que tinha nosso Demétrius em grande estima, conferiu-lhe, assim como a outros dois de seus colegas, o título de sincelo. Isso ocorreu pouco antes de 25 de maio de 1029, pois Santa Sofia foi testemunha, nesse dia, por ocasião do Pentecostes, de uma pequena querela de precedência, com os metropolitas do sínodo recusando-se a ceder aos novos dignitários o lugar de honra, P. G., t. CXXI, col. 217, 220.
Autor original: L. PETIT
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