DAELMAN Charles-Ghislain, teólogo belga, nascido em Mons em 1670. Após brilhantes humanidades, veio estudar filosofia e teologia na universidade de Lovaina, onde seus sucessos o fizeram ser notado rapidamente. Nela foi proclamado sucessivamente doutor, "doutor-regente" e professor ordinário na faculdade de teologia, e presidente do colégio Adriano VI, dito Colégio do papa. Foi, além disso, cônego de São Pedro na mesma cidade e cônego de Santa Gertrudes em Nivelles. Faleceu em Lovaina em 21 de dezembro de 1731, depois de ter sido várias vezes reitor da universidade. O cargo reitoral não era então um cargo vitalício, mas um cargo meramente semestral, podendo o titular, aliás, ser reeleito. Este detalhe histórico seguramente escapou aos autores que, enumerando as funções e as honras às quais Daelman se elevou pelo seu talento, concluem dizendo que ele "tornou-se finalmente reitor da universidade". Se acreditarmos em seu epitáfio, aliás muito elogioso, que ainda se vê na capela de São Carlos Borromeu na igreja primacial de São Pedro, ele tinha sido nomeado para as sés episcopais de Namur, de Gante e de Tournai, e, três vezes, teve a modéstia de recusar. A mesma inscrição relata sua morte no ano e no dia assinalados acima; é, portanto, erroneamente que certos artigos biográficos indicam a data de 1730 e que o 31 de dezembro foi substituído pelo 21.
Daelman gozava, em seu tempo e em seu meio, de uma consideração pouco comum. Ele a devia à regularidade exemplar de sua vida, ao seu caráter amável e ao seu entendimento dos negócios, tanto quanto ao ardor e à facilidade de sua atividade científica. A esta ele juntava voluntariamente as práticas do zelo sacerdotal, e notou-se que ele gostava de dirigir os estudos dos filhos de família que se preparavam para receber as sagradas ordens. Possui-se dele um curso de teologia, que tem por base e que segue a ordem da Suma de São Tomás, sem se transformar jamais em comentário perpétuo, mas atendo-se antes a bem colocar em luz as teses e as dificuldades principais. Esta obra recomenda-se pela lucidez da exposição, assim como pela solidez da doutrina e por uma sábia desconfiança com relação aos erros jansenistas e quesnellistas. Apesar de seus méritos, ela só foi publicada após a morte do autor, pelos cuidados reunidos do barão De Raet Vander Voort e do impressor anversês Jacques-Bernard Jouret. Sob o título de Theologia seu observationes theologicae in Summam D. Thomae, ela apareceu simultaneamente em duas edições, das quais uma compreendendo 2 in-fol., Antuérpia, 1735-1737, e a outra, 9 in-8°, Antuérpia, 1734-1737.
Ao lado desta grande obra, existe tal aviso que atribui a Daelman duas outras, a saber, um "tratado procurado" De actibus humanis e teses sobre o sistema da graça em resposta a Jean Opstraet, "Lovaina, 1706." Mas o De actibus humanis é certamente aquele que faz parte integrante da Theologia, onde ocupa seu lugar natural segundo o plano conhecido do Doutor angélico; e as teses sobre o sistema da graça parecem bem ser também as Theses e as Quaestiones que figuram no mesmo conjunto, a título de apêndice complementar ao tratado De gratia. Às diversas partes da Theologia os editores juntaram Discursos de circunstância, que Daelman pronunciou na maioria das vezes por ocasião de promoções teológicas. Nesses discursos oficiais e solenes, o orador deixa por vezes, embora raramente, o domínio da teologia pelo da história, e sente-se facilmente que ele está então menos à vontade e menos informado do que em seu terreno habitual; ele fala ali, aliás, um latim que visa manifestamente elevar-se acima do latim teológico ordinário, mas cuja elegância nem sempre é igual a si mesma.
De Ram, De laudibus quibus veteres Lovaniensium theologi efferri possunt, Lovaina, 1848; De Smet, art. Daelman, na Biographie nationale publicada pela Académie royale de Belgique, Bruxelas, 1873, t. IV; Piron, Algemeene levensbeschryving der mannen en vrouwen van Belgie, Malines, 1860.
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