A adulação é apenas venial ex genere suo; adular unicamente para agradar ou por um fim que nada tem de mau não é, de si, contrária à caridade, logo não é mortal. S. Tomás, loc. cit., q. cxv, a. 2. Acidentalmente, pode tornar-se grave: 1° por seu objeto moral, isto é, em razão do caráter do ato de que se faz o elogio: louvar um ato evidentemente culpável é contrário à caridade que devemos a Deus, pois é ultrajar a sua justiça, que sempre condena o pecado, como é contrário à caridade devida ao próximo, porquanto a adulação o leva ao pecado ao louvá-lo por suas faltas; 2° por seu fim: quando se adula o próximo a fim de prejudicar alguém em seus bens espirituais ou outros; a falta cometida pode tornar-se mortal quando o prejuízo causado é sério; 3° por suas consequências: quando a adulação tem por resultado levar ao mesmo pecado, ainda que esse resultado não seja expressamente buscado. Ela constitui um escândalo grave quando realmente é causa de um pecado mortal. Se o adulador previu esse resultado e o provocou sem razão suficiente, é moralmente responsável por ele. Essa influência malfazeja dos aduladores, cujas palavras pérfidas empurram ou retêm frequentemente os homens no pecado, lhes valeu os anátemas da Escritura, Prov., xxvi, 25, 28; xxviii, 23; xxix, 5, e a censura enérgica dos moralistas. É também por causa dela que o adulador (palpo) pode ter, como todos os cooperadores, sua parte de responsabilidade nas injustiças que faz os outros cometerem. Sendo sua influência em tudo semelhante à do conselheiro cujos conselhos empurram ao pecado, sua responsabilidade é a mesma, variável conforme seja certa ou duvidosa, variável também conforme o adulador seja causa principal do dano ou somente cooperador do autor principal. S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. cxv; Jaugey, Praelectiones theologiœ moralis, Tr. de quatuor virtutibus cardinalibus, sect. II, part. III, c. iv. V. Oblet.
Autor original: V. Oblet
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