CONDORMANTES

CONDORMANTES

CONDORMANTS, heréticos do século XIII e do século XVI. O hábito de fazê-los figurar, sob este nome, na história das heresias, como formando duas seitas à parte, não parece dever ser mantido. Para convencer-se disso, basta indicar os seus começos.

Conhece-se a multidão de seitas que proliferaram desde os primeiros tempos da Reforma. Os historiadores, tanto protestantes quanto católicos, tentaram classificá-las; suas tentativas, em geral, foram pouco científicas. Multiplicaram mais do que o razoável o número das seitas e, para diferenciá-las, atribuíram-lhes, mais de uma vez, teorias fantasiosas. Os anabatistas, em particular, deram lugar a classificações numerosas e razoavelmente arbitrárias. Cf. Florimond de Remond, L’histoire de la naissance, progrès et décadence de l’hérésie de ce siècle, l. II, c. vi, Paris, 1605, t. I, p. 99-102; G. du Préau (Prateolus), De vitis, sectis et dogmatibus omnium hereticorum, l. I, c. xxxv, Colônia, 1669, p. 27; N. Alexandre, Historia ecclesiast., Veneza, 1778, t. IX, p. 104; D. Bernino, Historia di tutte l’heresie, Veneza, 1724, t. IV, p. 340-342.

Em sua obra De dissidiis hereticorum, Antuérpia, 1565, o luterano convertido Fr. Staphylus dividiu os anabatistas em treze seitas. Distinguiu aqueles que professavam o comunismo (comunidade de bens, de mulheres, de crianças) daqueles que chamou de condormants e que ensinavam, pre nimio novi Evangelii amore, debere viros et feminas juvenes ac virgines uno in loco et conclavi vivere et in eodem cubiculo dormire. A divisão de Staphylus foi reproduzida por G. du Préau, op. cit., no Successionis hereticorum index, no início do volume, e l. III, c. xxviii, p. 132, e por N. Sanders (Sanderus), De visibili monarchia Ecclesiae, l. VII, Lovaina, 1671, p. 625.

Sponde (Spondanus), Annalium ecclesiast. Baronii continuatio, an. 1223, n. 12-13, Lyon, 1678, t. I, p. 115, encontrou, na história do século XIII, heréticos da Alemanha que, conforme cartas do papa Gregório IX, entregavam-se a todo tipo de torpezas; tendo lido du Préau, Sponde encontrou neles um ar de semelhança com os anabatistas qualificados como condormants por du Préau e julgou-se autorizado, por meio disso, a designá-los sob o mesmo nome.

Raynaldi, Annales ecclesiast., an. 1233, n. 41-47, viu neles estedinguianos. Ver este termo. Na realidade, eram luciferianos, pois, se os estedinguianos foram luciferianos — essa questão será discutida em seu devido lugar —, nem todos os luciferianos denunciados por Gregório IX foram estedinguianos. Ver LUCIFERIANOS e, enquanto isso, Schumacher, Die Stedinger, Bremen, 1865; P. Alphandéry, Les idées morales chez les hétérodoxes latins au début du XIIIe siècle, Paris, 1903, p. 182-185, nota. E não há razão para distinguir esses luciferianos dos outros e dar-lhes um nome especial.

Da mesma forma, a promiscuidade dos sexos é um ponto fundamental da doutrina anabatista. Cf. Möhler, La symbolique, l. II, c. 1, trad. F. Lachat, Paris, 1852, t. II, p. 179-180, 193, 200; J. Janssen, L’Allemagne et la Réforme, trad. E. Paris, Paris, 1892, t. II, p. 110-111, 334-344. De qualquer modo, não há motivo válido para distinguir os anabatistas comunistas e os anabatistas condormants; uns e outros reivindicam a promiscuidade dos sexos. E, se se quer nomear condormants os anabatistas e os luciferianos assinalados por Gregório IX, será preciso dar esse nome a todos os sectários que passam por terem admitido a comunidade das mulheres.

Em seguimento a Staphylus, a G. du Préau e a Sponde, diversos autores mencionaram duas seitas de condormants do século XIII e do século XVI: tais como L. Moréri, Le grand dictionnaire historique; Bergier, Dictionnaire de théologie, Lille, 1844, t. I, col. 613, reproduzido por Migne, Paris, 1847, t. I, col. 623; Glaire e Walsh, Encyclopédie catholique, Paris, 1846, t. IX, p. 285; Paris, 1868, t. I, p. 549. Melhor ainda o Grand dictionnaire universel de Larousse, Paris, 1869, t. IV, p. 880, faz deles «uma seita que durou do século XIII ao século XVI».

Autor original: F. Vernet

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor