CHEFFONTAINES (CRISTÓVÃO DE)

CHEFFONTAINES (CRISTÓVÃO DE)

CHEFFONTAINES (Christophe de), em bretão Penfentenyou, em latim a Capite fontium, era o segundo filho de Jean de Penfentenyou, senhor de Kaermoruz e outros lugares, e de Amette de Costquid, dama de Kaervegnes, que habitavam perto de Saint-Pol-de-Léon. Ainda jovem, entrou para os frades menores da observância, no convento de Cuburien, perto de Morlaix. Uma vez promovido ao sacerdócio, tornou-se bem depressa um pregador célebre, e na dedicatória de um de seus livros, recorda a quaresma que pregou em 1571 na igreja de Saint-Eustache, em Paris.

A pregação naquela época tornava-se, como que necessariamente, uma ocasião de controvérsia com os protestantes. Para combatê-los, o Pe. Christophe não recuava diante de novidades e mesmo de temeridades, e diz-se que desde então sua doutrina parecia suspeita. Contudo, após haver preenchido diversos cargos em sua província religiosa da Bretanha, foi eleito ministro geral de sua ordem pelo capítulo reunido em Roma em 1571. Seguindo a bula Pastoralis officii publicada naquele mesmo ano pelo santo Pio V, governou durante oito anos, consagrados em grande parte à visita dos conventos de sua ordem em diferentes países.

Pareceria que sua nacionalidade lhe teria atraído algumas dificuldades em sua administração; conta-se que ele teria querido convocar o capítulo geral em Paris, mas que, por receio de ver outro francês suceder-lhe, fizeram com que a reunião tivesse lugar em Roma. Desde antes da expiração de seu cargo, tratava-se de elevá-lo ao episcopado, o que ocorreu em 1578. Cheffontaines foi criado arcebispo de Cesareia e dado como auxiliar ao cardeal de Pellevé, arcebispo de Sens.

Como se verá pela lista de suas obras, o bispo de Cesareia continuava a escrever; relata-se que, durante longos anos, passava onze horas por dia no trabalho; mas a novidade de suas opiniões fê-lo ser chamado a Roma em 1586, para permanecer à disposição do Santo Ofício. Três de seus livros foram então absolutamente condenados e os outros interditados donec expurgentur. É daí, sem dúvida, que provém a obscuridade que cerca seus últimos anos. Cheffontaines morreu em Roma, no dia 26 de maio de 1595, aos 63 anos, no convento de Saint-Pierre in Montorio, onde nenhum monumento conserva sua memória.

Pareceria que os bibliógrafos tenham embaraçado de propósito a indicação das obras do Pe. Christophe. Encontram-se em seus escritos qualidades pouco comuns, a facilidade do estilo unida à erudição e um vigor de argumentação apoiado em uma ciência profunda; infelizmente, ele caiu ou, pelo menos, aproximou-se demasiado do erro ao querer combatê-lo.

A maioria de seus livros, redigidos em francês, foram traduzidos por ele mesmo para o latim: Chrestienne confutation du poinct d’honneur sur lequel la noblesse fonde aujourd’huy ses querelles et monomachies, déduicte en un traité de quatre chapitres et outre ce en trois dialogues ensuivants, in-8°, Paris, 1568, 1571, 1579, 1586; em latim: Confutatio puncti quem vocant honoris..., in-8°, Colônia, 1585; Deffence de la foi de nos ancestres, contenant quinze chapitres où sont déclarez les stratagèmes et ruses des hérétiques de nostre temps, in-8°, Paris, 1570; em latim: Fidei majorum nostrorum defensio qua hereticorum seculi nostri astus et stratagemmata deteguntur, in-8°, Antuérpia, 1575; Veneza, 1581; Deffence de la foi de nos ancestres où la présence réelle du corps de N.-S. est prouvée par plus de 350 raisons, in-8°, Paris, 1571, 1586; em latim: Defensionis fidei majorum nostrorum liber II, in quo veritas corporis Christi in eucharistie sacramento plusquam 350 rationibus demonstratur et probatur, in-8°, Roma, 1576.

Este volume não contém a tradução senão da primeira ação; o livro era dividido em dez ações e o autor prometia a continuação para mais tarde; ela apareceu em Colônia em 1587, in-fol., sob um título quase idêntico; contudo, esta tradução não dá senão oito ações; Defensio perpetuæ virginitatis B. V. Mariæ ac S. Josephi ejus sponsi, in-8°, Lyon, por volta de 1575 e 1578; Hierapistes dialogi forma conscriptus, sive propugnator libri perpetuæ virginitatis, Antuérpia, 1575, no qual ele explica por que se afastou da opinião comum ao explicar certas passagens da Escritura, na Defensio virginitatis, e justifica certas expressões das quais fez uso nesse livro; Réponse familière à une épître contre le libre arbitre et le mérite des bonnes œuvres par laquelle on donne une couverture d’accord fort aisée et amiable pour vider tous les différents et controverses qui sont entre les chrétiens touchant les dites matières, in-8°, Paris, 1571; em latim: De libero arbitrio et meritis bonorum operum assertio catholica, in-8°, Antuérpia, 1575; Roma, 1576; Compendium privilegiorum fratrum minorum et religiosarum sub eorum cura viventium nec non et aliorum fratrum mendicantium, in-8°, Paris, 1578, reedição completada do livro de Casarubios; Apologie de la confrérie des pénitens érigée et instituée en la ville de Paris par Henri III, in-8°, Paris, 1583.

As três obras de Cheffontaines absolutamente condenadas e inseridas no Appendix à Index Tridentinus são as seguintes: Novæ illustrationis christianæ fidei adversus impios, libertinos, atheos, epicureos et omne genus infideles... epitome. Adjectæ sunt duæ de B. V. conciones quibus per quas notas veræ religionis a falsis professoribus dignosci queant..., in-8°, Paris, 1583; Varii tractatus et disputationes de necessaria correctione theologiæ scholasticæ, in-8°, Paris, 1586; De missæ Christi ordine et ritu. O autor ensinava que as palavras da consagração: Hoc est corpus meum, não bastam por si sós para operar a transubstanciação. Ele já havia esboçado essa doutrina em púlpito e em um tratado: De la vertu des paroles par lesquelles se fait la consécration, in-8°, Paris, 1585. Atribui-se-lhe também uma Dissertatio de prophetia Jacob: Non auferetur..., in-8°, Lyon, 1578; Disputatio de eo quod est utile et necessarium..., Paris, 1586, 1587. Hoje, todas essas obras foram apagadas do Index.

Scriptores ord. minorum, Roma, 1650; Sbaralea, Supplementum et correctio ad scriptores ord. minorum, Roma, 1800; Michaud, Biographie universelle; Hurter, Nomenclator, t. I, p. 61, e Add., p. x.

Autor original: P. Édouard d'Alençon

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