CARRIÈRE (JOSÉ)

CARRIÈRE (JOSÉ)

2. CARRIÈRE Joseph, décimo terceiro superior do seminário e da Companhia de São Sulpício, nascido em 19 de fevereiro de 1795, em La Panouze-de-Cernon, então na diocese de Vabres, depois de Cahors e atualmente na de Rodez, falecido em Lyon em 28 de abril de 1864. Seus primeiros estudos foram realizados no colégio de Saint-Affrique, sendo depois atraído pelo abade de Sambucy a Amiens, onde, durante três anos, ensinou em uma pequena comunidade de clérigos, ao mesmo tempo em que concluía suas humanidades e sua filosofia.

Em 29 de agosto de 1812, entrou no seminário de São Sulpício para estudar teologia. Já tonsurado em Amiens, recebeu em São Sulpício sucessivamente as ordens menores (4 de junho de 1814), o subdiaconato (8 de junho de 1816) e o diaconato (31 de maio de 1817) das mãos de M. de Latil e de M. de Boulogne. Terminado seu seminário, pediu para ingressar na Companhia de São Sulpício e, ainda sendo apenas diácono, foi encarregado de um curso de teologia para os alunos que a falta de espaço no seminário de Paris, na Rue du Pot-de-fer, havia obrigado a enviar a Issy.

Antes de completar 23 anos, foi ordenado sacerdote em 20 de dezembro de 1817 mediante dispensa assinada de próprio punho pelo Papa, que quis dar esta marca de estima à Companhia de São Sulpício, da qual nenhum dos membros havia prestado juramento à constituição civil do clero. Chamado de volta a Paris em 1818 para ensinar teologia moral, foi então encarregado do que se chamava o Grande curso ou curso de teologia mais aprofundada para aqueles que haviam concluído os estudos regulares do seminário.

Foi aí que compôs seu curso de teologia, tão notável pela abundância e segurança das informações, pela clareza da exposição, pela sabedoria e pela ponderação das decisões; curso do qual editou apenas três tratados: sobre o matrimônio, a justiça e os contratos. Estes últimos estudos puseram-no em relação com os jurisconsultos mais distintos, como Delvincourt, Toulier, etc., que lhe testemunharam uma estima singular por sua ciência e seu caráter.

Seu saber, sua modéstia e sua retidão foram igualmente muito apreciados no I Concílio de Baltimore em 1829 e nos concílios provinciais de Bordeaux e de Rennes. Foi porque viu o perigo do sistema de Lamennais que se pôs resolutamente a refutá-lo, quando estava em maior favor. Em seu ensino e em sua conduta, esteve sempre submetido às direções da Santa Sé: assim, em seu tratado sobre o matrimônio, havia adotado sobre uma ou duas questões opiniões recebidas na França por numerosos e excelentes teólogos; tão logo soube que a Santa Sé não as aprovava, expressou-se sobre isso na 4ª edição do Compendium nestes termos: Cum nihil nobis antiquius fuerit quam in omnibus sequi Ecclesiam Romanam omnium aliarum Ecclesiarum matrem et magistram, curavimus opiniones nostras reformare, ubi eas comperimus minus consentaneas sedis apostolicae traditionibus.

Em 1850, sucedeu a M. de Courson como superior geral da Companhia de São Sulpício.

Eis suas principais obras teológicas: 1° Dissertation sur la réhabilitation des mariages nuls, onde se trata em particular das dispensas in radice, in-8°, Paris, 1828; 2ª ed., consideravelmente aumentada, 1834; 2° Juris cultor theologus circa obligationes restitutionis in genere theorico practice instructus, de I. Vogler, S. J., ed. 3a diligenter recognita, plurimis notis et observationibus praesertim de juris civilis gallici dispositionibus locupletata, in-12, Paris, 1833, inserido no t. xv do Theologiae cursus completus de Migne; 3° Praelectiones theologicae majores in seminario S. Sulpitii habitae: De matrimonio, 2 in-8°, Paris, 1837; Louvain, 1838; o Compendium desta grande obra apareceu, in-12, 1837, e desde então teve 8 edições; 4° Praelectiones theologicae, etc.: De justitia et jure, 3 in-8°, Paris, 1839; Louvain, 1845; o Compendium, in-12, 1840, teve 8 edições; 5° Praelectiones theologicae, etc.: De contractibus, 3 in-8°, Paris, 1844-1847; Louvain, 1846-1848; o Compendium, in-12, 1848, teve 4 edições.

O autor deixou em manuscritos 9 in-4° sobre diversos tratados de teologia e dissertações sobre o empréstimo a juros, sobre a negociação de títulos públicos; De nullitatibus a codice civili statutis, in-8°; sobre o monte de piedade em Paris, sobre a infalibilidade do Papa, etc.

M. Carrière, supérieur de Saint-Sulpice, pelo abade Lamazou, vigário geral de Paris, tornado depois bispo de Limoges, artigos publicados no Journal des villes et des campagnes e impressos depois, in-12, Paris, 1864; Étude biographique sur M. Jos. Carrière, por M. Truel, superior do pequeno seminário de Saint-Pierre, in-8°, Rodez, 1876; Joseph Carrière, late superior general of the sulpicians, por T. I. O'Mahony (antigo aluno de São Sulpício), in-12, Dublin, 1865; Circulaire nécrologique, por M. H. Icard, 1864; Hurter, Nomenclator, t. III, col. 1459, que se engana ao dizer editione avenionensi; L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, 1900, t. 1, p. 272-281, 598.

Autor original: E. Levesque

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