CARLOS DA ASSUNÇÃO

CARLOS DA ASSUNÇÃO

3. CHARLES DE L’ASSOMPTION, religioso carmelita, chamava-se Charles de Bryas; era filho de Jacques de Bryas, governador de Marienbourg, e irmão de Jacques-Théodore de Bryas, bispo de Saint-Omer (1672-1675) e arcebispo de Cambrai (1675-1694). Nascido em Saint-Ghislain em 1625, destinava-se à carreira das armas; contudo, a morte quase súbita do marquês de Molenghien, seu tio, fê-lo entrar para a ordem dos carmelitas. Pronunciou seus votos em Douai em 1654 e foi ordenado sacerdote em 1659. Terminados os seus estudos, solicitou ao geral da ordem autorização para ir trabalhar nas missões da Pérsia. Os superiores da província retiveram-no. Ensinou teologia durante muito tempo em Douai, foi prior do convento desta cidade, definidor e por duas vezes provincial. Faleceu em Douai, em 23 de fevereiro de 1686.

Publicou as suas primeiras obras sob o pseudônimo de Germanus Philalethes Eupistinus: 1° Auctoritas contra praedeterminationem physicam pro scientia media cum brevi historia complectente ortum, pugnas et palmas ejusdem scientiæ mediæ, inter acres viginti annorum impugnationes feliciter propugnatæ, Douai, 1669; 2° Scientia media ad examen revocata, 1670; 3° Thomistarum triumphus, idest, SS. Augustini et Thomæ, gemini Ecclesiæ solis, summa concordia circa scientiam mediam, naturam puram aut duplicem: Dei amorem, libertatem, contritionem et probabilitatem, in-4°, Douai, 1670, t. 1; 2ª ed. aumentada, 1672; este primeiro volume foi atacado em 1670, pelo dominicano Jérôme Henneguier, sob o nome de Philalethes Consentanus; o t. II apareceu em Douai, 1673; o t. III é uma resposta ao jesuíta Fourmestraux, Douai, 1674. Os dois primeiros volumes tinham sido remetidos à S.C. do Índice, mas não foram condenados. Ver Géry (Quesnel), Apologie historique des deux censures de Louvain, p. 340. O autor foi prevenido por uma carta do cardeal Bona, de 19 de maio de 1673. Epist., Lxxx, Lucca, 1759, t. 1. Ele a mandou imprimir; foi inscrita no Índice sob os títulos: Epistola sub nomine Em. D. Joannis S. R. E. card. Bona, approbans doctrinam Germani Philalethis Eupistini; ou Libellus contra card. Bona sic inscriptus, etc. O autor publicou ainda: Thomistarum triumphus in perpetuum firmatus, adversus injustam recentis molinistæ defensionem, etc., in-4°, Douai, 1674; 4° De libertate et contritione... tutissima et inconcussa dogmata, in-12, Douai, 1671.

Sob o seu nome e o seu pseudônimo, o P. Charles de l’Assomption editou: Funiculus triplex, quo necessitas angelici luminis D. Thomæ ad veram S, Augustini intelligentiam insolubiliter stringitur adversus Baium, Molinam et Jansenium, in-4°, Cambrai, 1675; era a continuação da obra precedente. Sendo provincial, publicou sem aprovação ou permissão: Pentalogus diaphoricus, sive quinque differentiarum rationes ex quibus verum judicatur de dilatione absolutionis ad mentem gemini Ecclesiæ solis SS. Augustini et Thomæ, oblatus ad examen SS. papæ Innocentii XI, in-8°, 1678. Esta obra foi condenada ao fogo pelo geral da ordem, Emmanuel de Jésus, por decisão de 3 de janeiro de 1679, e inscrita no Índice, donec corrigatur, por decreto de 5 de setembro de 1684. O autor ensinava ali que um penitente, que acusava todas as semanas os mesmos pecados, deveria ser absolvido. Provavelmente não exigia todas as condições requeridas para o firme propósito e os esforços necessários para evitar a recaída, pois era considerado um moralista demasiado laxo.

Foi refutado pelo carmelita Henri de Saint-Ignace, Theologia sanctorum, p. 25; Ethicæ amoris, l. V, c. XIII, XL, XCI, XCVII, t. II; por Havermans, Examen libelli P. Caroli ab Assumptione... cui titulus Pentalogus, in-8°, Colônia, 1679, e por um teólogo de Mainz, Examen Pentalogi, in-8°, Colônia, 1688. O bispo de Tournai, Gilbert de Choyseul, publicou também contra este livro os Éclaircissements. O carmelita replicou: La vérité opprimée parlant à l’illust. et révérend. seigneur évêque de Tournai par la plume du P. Charles de l’Assomption, in-8°, 1680. O bispo, tendo endereçado uma Lettre aux pasteurs et confesseurs de son diocèse, recebeu uma resposta sob a forma de Lettres d'un théologien flamand à l’illust. évêque de Tournai, in-8°, Liège, 1681. O debate incidia sobre o adiamento da absolvição, a confissão informe e a comunhão frequente. O bispo fez uma Seconde lettre pastorale, que era acompanhada da censura de vinte e um doutores, 1681, Arnauld escreveu também: Observation d'un professeur de philosophie sur les lettres d’un théologien flamand, 1680.

O carmelita continuou a polêmica: Elucidatio circa usum absolutionis consuetudinariorum et recidivorum secundum doctrinam S. Thomæ cum tribus regulis pro frequenti communione, in-8°, Liège, 1682; e em francês: Eclaircissement touchant l’accès de l’absolution, etc., ibid., 1682; Vindiciarum postulatio a Jesu Christo, peccatorum omnium pœnitentium et impœnitentium redemptore, adversus rigoristas homines a sacro tribunali retrahentes, in-12, Liège, 1683; apareceu também uma tradução francesa; Explication donnée à Ms l’évêque de Tournai... pour lui rendre raison de sa doctrine de l’usage de l’absolution des pécheurs d'habitude contre la pratique des rigoristes qui retirent les pécheurs de la confession, in-4°; Lettre d’appellation du P. Charles de l’Assomption à Ms l’illust. et révérend. évêque d’Arras, in-4°; Défense de la pratique commune de l’Église, présentée au roy contre la nouveauté des rigoristes sur l’usage de l’absolution, in-4°, Cambrai, 1684.

Martial de Saint-Jean-Baptiste, Bibliotheca scriptorum utriusque congregationis et sexus carmelitarum discalceatorum, in-4°, Bordéus, 1730, p. 66-71; Daniel de la Vierge-Marie, Speculum carmelitarum, Antuérpia, 1680, t. I, p. 1128; Cosme de Villiers, Bibliotheca carmelitarum, Orléans, 1752, t. I, col. 341-342, 556-558; Paquot, Mémoires pour servir à l’histoire littéraire des Pays-Bas, in-fol., t. 1, p. 133; Biographie nationale publiée par l'Académie royale de Belgique, Bruxelas, 1872, t. I, col. 138-140; Reusch, Der Index, Bonn, 1885, t. I, p. 520-521; Döllinger et Reusch, Geschichte der Moralstreitigkeiten in der römisch-katholischen Kirche, Nördlingen, 1889, t. I, p. 66, 92; Hurter, Nomenclator, t. I, col. 348 sq.

Autor original: E. Mangenot

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