CAPELLO (MARCO ANTÔNIO)

CAPELLO (MARCO ANTÔNIO)

CAPELLO Marc-Antoine nasceu em Este, no território de Pádua, e ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais da província de Veneza. Destacou-se rapidamente por sua erudição e, no início do século XVI, encontramo-lo como regente de estudos em Udine e professor em Pádua. Era amigo do douto jesuíta Pe. Antoine Possevin e gozava de grande autoridade em Veneza, da qual abusou infelizmente no momento do famoso interdito de 1606, lançado por Paulo V contra a Sereníssima República, culpada de violar as imunidades eclesiásticas.

Capello tomou parte nas lutas escritas daquela época e, com outros cinco teólogos, publicou: Trattato dell’ interdetto... di papa Paolo V, nel quale si dimostra che egli non é legitimamente publicato..., in-4°, Veneza, 1606. Este tratado, condenado pelo Santo Ofício juntamente com outros escritos sobre o mesmo caso, foi traduzido para o latim e publicado em Frankfurt em 1607.

Por conta própria, fez publicar: Parere delle controverie tra il sommo pontefice Paolo V et la Serenissima Republica di Venetia, in-4°, Veneza, 1606; Riposta al discorso del P. M. Lelio sopra i fondamenti e le ragioni delli Signori Venitiani, in-8°, Veneza, 1606. Encontra-se ainda seu nome como teólogo ao final do Aviso delle ragioni della Ser. Republica di Venetia, do senador Antoine Quirino, in-4°, Veneza, 1606.

De Bolonha, onde se havia retirado, visto que os jesuítas, os capuchinhos e outros religiosos haviam deixado o território da República, o Pe. Possevin escreveu uma carta ao seu amigo para reconduzi-lo ao bom caminho. Capello respondeu-lhe e publicou as duas cartas: Lettera del P. Antonio Possevino giesuita al P. Maestro M. A. Capello min. conventuale, con la riposta di detto Padre, in-4, Veneza, 1606, reimpressa em 1607 e inserida na Collectio scripturarum super controversia inter Paulum V et Venetos, Coira, 1607, t. II, p. 239.

Tendo retornado a uma apreciação mais sã das coisas, o douto conventual retratou tudo o que havia escrito em um tratado: De absoluta omnium rerum sacrarum immunitate a potestate principum laicorum. Este trabalho, dedicado a Paulo V, permaneceu manuscrito e encontra-se hoje no Vaticano, Bibl. Barberini, com outras obras inéditas do mesmo autor. O Papa estava tão convencido da sinceridade do seu retorno que o nomeou qualificador do Santo Ofício; em sua ordem, teve também o título de provincial do Oriente.

Estabelecido em Roma, o Pe. Capello dedicou sua erudição à defesa da Igreja e publicou sucessivamente: Adversus praetensum primatum ecclesiasticum regis Angliae liber, in quo Jacobi regis et ejus eleemosynarii confutantur scripta, in-4°, Bolonha, 1610; in-12, Colônia, 1611; Disputationes duae : prior de summo pontificatu B. Petri, posterior de successione episcopi Romani in eumdem pontificatum, adversus anonymos duos, alterum cui titulus Papatus Romanus, alterum de suburbicariis regionibus et ecclesiis seu de praefectura et episcopi urbis Romae conjectura, in-4°, Colônia, 1620. Tendo o manuscrito deste livro se perdido antes de chegar à tipografia, Capello teve de refazer seu trabalho dirigido contra o apóstata Marc-Antoine de Dominis, autor do primeiro opúsculo, aparecido em Londres em 1617, e contra Jacques Godefroi, autor anônimo da Conjectura de suburbicariis regionibus, Frankfurt, 1617.

Publicou ainda: De appellationibus Ecclesiae Africanae ad Romanam sedem dissertatio adversus hereticos nostri temporis, in-8°, Paris, 1622. Neste tratado, Capello havia rejeitado diversos documentos como apócrifos; consciente de seu erro, reviu seu trabalho, que só foi publicado um século após sua morte por Jean Bortoni, abade de Ripaille, 3ª ed., in-8°, Roma, 1722, com uma nota sobre o autor e seus escritos. A numeração desta edição justifica-se pela inserção desta dissertação no t. XVII da Bibliotheca maxima pontificia de Rocaberti, Roma, 1698, que reproduziu da mesma forma as duas obras precedentes. A dissertação De appellationibus encontra-se também no t. III da Introductio in historiam theologiae litterariam de Christophe Pfaffius, professor na universidade de Tubinga, in-4°, 1726, p. 40-174, com um ensaio de refutação por este autor protestante.

Possuímos ainda de Capello: Ragionamento funebre per l’esequie di Lucrezia Tomaselli, duchessa di Paliano, in-4°, Roma, 1623; Regole di S. Agostino, S. Benedetto e S. Chiara dichiarate co’ decreti del concilio di Trento, in-4°, Bolonha, 1623. O cardeal François Barberini, designado para ir à França como legado, havia incluído o douto conventual em sua comitiva; um contratempo fê-lo permanecer em Roma, e ele se contentou em enviar a Paris, em vez de levá-lo pessoalmente, o manuscrito de um último volume dedicado ao cardeal La Valette: De cena Christi suprema, deque precipuis vitae ejus capitibus dissertatio adversus Aegyptium authorem anni primitivi, in-4, Paris, 1625. Este autor egípcio ocultava Jérôme Vecchietti, de Florença, que havia publicado sob esse nome um volume De anno primitivo ab exordio mundi ad annum julianum accommodato et de sacrorum temporum ratione, Augsburgo, 1623. Duvidamos que o Pe. Capello tenha tido a satisfação de ver seu livro impresso. Faleceu em Roma em 21 de setembro de 1625.

Franchini, Bibliosofia e memorie di scrittori conventuali, Modena, 1693, p. 418; Rocaberti, loc. cit.; Niceron, Mémoires pour servir à l'histoire des hommes illustres, Paris, 1733, t. XXII, p. 1-8; Sbaralea, Supplementum et castigatio ad script. ord. min., Roma, 1806.

Autor original: P. Édouard d'Alençon

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