CAMUS (JOÃO PEDRO)

CAMUS (JOÃO PEDRO)

2. CAMUS Jean-Pierre, bispo de Belley e amigo de São Francisco de Sales, nasceu em Paris, em 3 de novembro de 1584. Dedicou-se à pregação logo após sua ordenação sacerdotal e, devido aos seus êxitos, foi nomeado pelo rei para o bispado de Belley. Como não tinha a idade canônica, obteve de Paulo V a dispensa necessária e foi sagrado em 30 de agosto de 1609, pelo bispo de Genebra. Administrou com zelo sua diocese e pregou frequentemente aos seus fiéis e em diversas cidades. Deputado nos Estados Gerais em 1614, teve a oportunidade de sustentar os direitos da Igreja. Em 1629, renunciou ao seu bispado e retirou-se para a Normandia, na abadia de Aunay. Após vários anos de retiro, tornou-se vigário-geral de François de Harlay, arcebispo de Ruão. Tendo este prelado morrido em 1651, Camus retirou-se para o hospício dos Incuráveis em Paris. Foi nomeado para o bispado de Arras; mas adoeceu antes de ter tomado posse de sua sé e morreu em 25 de abril de 1652. Foi sepultado na capela do hospício dos Incuráveis, e seu túmulo lá foi conservado até 1904.

Sua atividade literária foi considerável e os bibliógrafos reuniram os títulos de perto de duzentas de suas obras. Não diremos nada sobre seus romances nem sobre seus sermões que caíram no esquecimento. Publicou também muitos escritos de espiritualidade e de hagiografia. O mais célebre é L’esprit de saint François de Sales, 6 in-8, Paris, 1641, que foi abreviado pelo abade Collot, doutor da Sorbonne, in-8°, Paris, 1727, e várias vezes reimpresso.

Sua polêmica contra os monges mendicantes era animada por um zelo indiscreto e foi censurada pelas pessoas sensatas. Tinha, contudo, chamado os capuchinhos a Belley em 1620. Eis os títulos de seus principais escritos contra os religiosos: Le voyageur inconnu, histoire apologétique pour les religieux, in-8°, 1630; Le directeur spirituel désintéressé, in-12, 1631; Luís XIV havia solicitado a Roma a condenação desta obra; cf. Reusch, Der Index der verbotenen Bücher, Bonn, 1885, t. II, p. 1225; L’anti-moine bien préparé, in-12, 1632; Saint Augustin, de l’ouvrage des moines, in-8°, 1633; este escrito foi confiscado por decreto real de 11 de julho de 1633; Traité de la pauvreté évangélique, in-8°, 1634; Traité de la désappropriation claustrale, in-8°, 1634; Rabat-joye du triomphe monacal, in-8°, 1634; Les justes quêtes des ordres mendiants, 1635, etc. Estes escritos suscitaram réplicas: Anti-Camus; Le Rabelais des évêques; Lucien de Samosate ressuscité en la personne de J.-P. Camus, e Filleau fez de Camus um dos seis personagens que deveriam ter deliberado em Bourg-Fontaine sobre os meios de destruir o cristianismo.

Alguns dos tratados de teologia ou de controvérsia de Monsenhor Camus merecem ainda uma menção: Traité du chef de l’Eglise, in-8°, Paris, 1630; De la primauté et principauté de saint Pierre et de ses successeurs, in-8°, 1630; Enseignements catéchétiques ou explication de la doctrine chrétienne, in-8°, 1642; L’usage de la pénitence et communion, in-8, 1644; Du rare ou fréquent usage de l’eucharistie, in-12, 1644; Pratique de la communion fréquente, in-8°, 1644; Briève introduction à la théologie, in-8°, 1645; Epitres théologiques sur les matières de la prédestination, de la grâce et de la liberté, in-8°, 1652; em controvérsia, Catéchèse sur la correspondance de l’Ecriture sacrée et de la sainte Eglise, in-16, 1638; Réparties succinctes à l’abrégé des controverses de M. Charles Drelincourt, in-8°, 1638; Antithèses protestantes ou opposition de l’Ecriture sainte et de la doctrine des protestants selon les versions de leurs propres bibles, in-8°, 1638; La démolition des fondements de la doctrine protestante, etc., in-8°, 1639; Confrontation des confessions de l’Eglise romaine et de la protestante avec l’Ecriture sainte, in-8°, 1639; L’avoisinement des protestants vers l’Eglise romaine, in-8°, Paris, 1640; Ruão, 1648; 3ª ed. por Richard Simon, com observações sob este título: Moyens de réunir les protestants avec l’Eglise romaine, 1703; esta obra, traduzida para o latim por Zaccaria, foi inserida em seu Thesaurus theologicus, reeditada pelos irmãos Walemburch, De controversiis fidei, e por Migne, Théologie cursus completus, Paris, 1840, t. v, col. 925-1066; Deux conférences par écrit : l’une touchant l’honneur dû à la sainte Vierge Marie, l’autre du sacrifice de la messe, in-8°, 1642; Instructions catholiques aux néophytes, in-8°, 1642, etc.

Um escrito do bispo de Belley sobre o amor de Deus encontra-se no índice espanhol dos livros proibidos a partir de 1747; ele é condenado em todas as línguas, mas especialmente na tradução de Cahillas, Epitome o quinta essencia del amor de Dios, Barcelona, 1693. H. Reusch, Der Index der verbotenen Bücher, Bonn, 1885, t. II, p. 627. F. Boulas, Un ami de saint François de Sales, Camus, évêque de Belley, in-8°, Lons-le-Saunier, 1878; Monsenhor Depéry, Notice sur Camus, em cabeça de uma edição de L’esprit de S. François de Sales, 1840; Goujet, Bibliothèque française, t. XI, p. 284; Ni- t. I, p. 112; Gallia christiana, Paris, 1860, t. xv, col. 635; Feller, Biographie universelle, Paris, 1848, t. II, p. 366-367; Kirchenlexikon, t. III, col. 1783-1785; Hurter, Nomenclator, t. I, p. 409.

Autor original: E. Mangenot

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