5. CALIXTE, George, teólogo luterano, filho do pregador Jean Calixte, nascido em 14 de dezembro de 1586 em Medelbye, aldeia de Schleswig. Começou seus estudos em Flensburgo e foi enviado, aos 16 anos, à universidade de Helmstadt; frequentou também as universidades de Iena, Giessen, Tubinga e Heidelberg. Preceptor de um rico holandês, Matthieu Overbeck, empreendeu com ele uma longa viagem através da Europa e conheceu muitos sábios: em Mogúncia, Bécan; em Londres, Casaubon; na França, o presidente J.-A. de Thou. Por seus longos estudos sobre a antiguidade cristã e os Padres da Igreja, conseguiu libertar-se de alguns preconceitos luteranos. Em 1613, retornou a Helmstadt e, em 1614, foi nomeado professor de teologia na universidade. Faleceu em 19 de março de 1656, aos 70 anos.
No campo teológico, todos os seus esforços tenderam a reconciliar as três confissões: luterana, reformada e católica. Para esse fim, acreditou ser necessário extrair lealmente as crenças comuns às três confissões e deixar de lado os pontos de divergência. Encontrava essas crenças comuns no símbolo dos apóstolos. Para julgar as crenças próprias a cada confissão, apoiava-se na Escritura e na Igreja; pois considerava verdadeiro tudo o que é formalmente ensinado pela Escritura e pela Igreja. No que concerne aos mistérios, ensinava que se deve admitir o fato de sua existência (quod sint), mas que se é livre a respeito de sua natureza ou de seu modo (quomodo sint).
Sobre certos pontos de doutrina, separava-se dos luteranos e aproximava-se dos católicos: assim, ensinava a necessidade das boas obras, rejeitava a ubiquidade de Cristo em sua humanidade, negava a corrupção absoluta do homem, reconhecia ao papa uma primazia fundada no direito humano e concedia que a missa pode ser dita um sacrifício. Essas opiniões conciliantes indisporam contra ele os luteranos rígidos e provocaram a famosa controvérsia dita do sincretismo, que dividiu em dois campos quase todos os teólogos alemães. A partir de 1630, fizeram aparecer contra ele diversos escritos, onde o acusavam de querer fundir todas as confissões cristãs, de onde surgiu o nome de "sincretistas" que se deu aos seus partidários. Nesses escritos, tratavam-no de "criptocatólico" e, sobretudo, de "criptopapista"; este é o próprio título de um escrito publicado em 1640: Cryptopapismus novæ theologiæ Helmstadtensis; todos concordavam em declará-lo traidor e transfuga.
Calixte desculpou-se dessas acusações em uma série de escritos de controvérsia, dos quais os principais são: Widerlegung des unwahrhaften Gedichtes unter dem Titel « Kryptopapismus », Luneburgo, 1641; Iterata compellatio ad Academiam Coloniensem; Responsum maledicis Moguntinorum theologorum pro rom. pontificis infallibilitate præceptoque sub una vindiciis oppositum, Helmstadt, 1644, 1645. A controvérsia não fez senão se envenenar quando Calixte, por causa de suas disposições conciliadoras, foi convidado em 1645, pelo rei da Polônia Ladislau, a assistir ao colóquio de Thorn, que tinha por objetivo restabelecer a paz nos espíritos.
As duas partes estavam bastante nitidamente definidas: do lado de Calixte encontravam-se sobretudo os teólogos de Helmstadt, de Rinteln e de Königsberg; os principais calixtinos foram Conrad Hornejus, Gérard Titius, Joachim Hildebrand. Seus adversários recrutavam-se nas universidades de Leipzig, Iena, Estrasburgo, Giessen e Marburgo. Dois, sobretudo, J. Hülfemann e A. Calov, fizeram-se notar. A controvérsia desviou-se para outros pontos, como se pode constatar pelos títulos dos escritos que Calixte publicou nessa época: De duabus questionibus num mysterium Trinitatis e solius V. T. libris possit demonstrari, et num ejus temporis patribus Filius Dei in propria sua hypostasi apparuerit, 1649, 1650; Iudicium de controversiis theologicis, quæ inter lutheranos et reformatos agitantur, 1650; Desiderium et studium concordiæ ecclesiasticæ, 1650; Widerlegung der Verleumdungen, Helmstadt, 1651. Todos os seus esforços foram infrutíferos, e ele não pôde ver o sucesso de sua obra.
As principais obras que nos restam de Calixte são, além daquelas que já citamos, Disputationes XV de præcipuis christ. religionis capitibus, Helmstadt, 1611, 1658; Epitome theologiæ, ibid., 1661; Apparatus theologicus, ibid., 1628; Epitome theologiæ moralis, ibid., 1662; Tractatus de pontificio sacrificio missæ, Francoforte, 1614; De tolerantia reformatorum, Helmstadt, 1697; Digressio de arte nova contra Nihusium, ibid., 1634; e alguns outros escritos de menor importância.
Fr.-Ul. Calixt, Catalogus operum G. Calixti; H. Schmid, Geschichte der synkretistischen Streitigkeiten in der Zeit des Georg Calixt, Erlangen, 1846; W. Gass, G. Calixt und der Synkretismus, Breslau, 1846; E. L. Th. Henke, G. Calixtus und seine Zeit, 2 vol., Halle, 1853-1856; Bauer, Ueber den Character und die Bedeutung des calixtinischen Synkretismus, em Theol. Jahrb., 1848, p. 163; Realencyclopädie für prot. Theologie, 3ª ed., t. III, p. 643-647; Kirchenlexikon, 2ª ed., t. II, col. 1714-1715.
Autor original: V. Ermoni
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