CALECAS, Manuel. Oriundo de uma das mais ilustres famílias de Constantinopla, da qual já havia saído o patriarca João Calecas, 1334-1347, Manuel parece ter abraçado a vida monástica no convento dos dominicanos em Pera; morreu em Mitilene em 1410. Codex crx (fundo grego) da Marciana de Veneza. Cf. Greca divi Marci bibliotheca codicum manuscriptorum, Veneza, 1740, p. 90. É quase tudo o que se conhece de sua existência.
Manuel é, com André Colossensis, o último teólogo oriental que lutou com sucesso contra Palamas e suas teorias hesicastas. Seu livro: Περὶ οὐσίας καὶ ἐνεργείας, dirigido sobretudo contra essa heresia, não faz quase mais do que reproduzir os argumentos dos teólogos seus predecessores, imitação que chega, na maior parte das vezes, ao servilismo nas diversas citações dos Padres.
A respeito da velha controvérsia, debatida entre as duas Igrejas, sobre a PROCESSÃO do Espírito Santo, Calecas coloca-se entre os latinos; expôs suas visões em uma grande obra, cujos quatro livros tendem a demonstrar que os principais teólogos do século IV e do século V, tanto do Oriente quanto do Ocidente, estavam plenamente de acordo sobre esse ponto de doutrina. Mas é preciso confessar que, sem dúvida devido à sua formação teológica, o religioso dominicano conhece muito melhor os escritos dos Padres latinos do que os de seus antigos correligionários. Petau, De dogmaticis disciplinis, l. VIII, c. 1. No l. IV, ele refuta os outros erros que os gregos censuram nos latinos.
Uma terceira obra, bastante considerável, de Calecas é uma Dogmática bizantina em três livros, na qual está exposta a doutrina sobre Deus, a Trindade, a Encarnação, os sacramentos e os fins últimos. Nela, distingue-se por bastante originalidade, evitando agrupar de maneira puramente mecânica as citações de seus predecessores, como faziam a maioria de seus compatriotas, embora ainda sacrifique à tendência geral da teologia bizantina, que é colocar os Padres em primeiro plano e quase nunca apresentar suas próprias especulações. Calecas explica-se, aliás, de forma muito ingênua, ao confessar que não avança nada que não seja extraído da Sagrada Escritura ou dos Padres.
Além dessas três obras, atribuem-se-lhe ainda vários outros escritos, que estão conservados nos manuscritos, como o Περὶ τῆς ἁγίας Τριάδος, os Λόγοι θεολογικοί, duas homilias sobre a circuncisão e sobre santo Estêvão, o protomártir, com numerosas cartas.
As três obras de Calecas que estão editadas encontram-se reproduzidas em Migne, P. G., t. CLII, col. 13-662. Os quatro livros contra os gregos só são dados nela na tradução latina, feita por Ambrósio Traversari, o superior-geral dos camaldulenses, durante as negociações do Concílio de Florença e publicada por Stevart, Ingolstadt, 1616, mas o texto grego está conservado em vários manuscritos. Loch inseriu um longo fragmento em seu livro: Das Dogma der griechischen Kirche vom Purgatorium, Ratisbona, 1842, p. 34-43. O texto grego com tradução latina das outras duas obras foi primeiramente editado por Combefis, Auctarium novissimum Biblioth. Patrum, Paris, 1672, t. I.
Ver Fabricius, Bibliotheca graeca, t. XI, p. 453 sq.; L. Allatius, De Ecclesiae occidentalis atque orientalis perpetua consensione, Colônia, 1695, p. 184 sq.; Quétif e Echard, Scriptores ordinis praedicatorum, t. I, p. 718-720; Werner, Geschichte der apologetischen und polemischen Litteratur der christlichen Theologie, Schaffhausen, 1865, t. II, p. 54; A. Ehrhard, na Geschichte der byzantinischen Litteratur de Krumbacher, 2ª ed., Munique, 1897, p. 1110 sq.; Hurter, Nomenclator, t. IV, col. 614.
Autor original: S. Vailhé
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor