BRAULIO, «a melhor pena do episcopado espanhol» após santo Isidoro de Sevilha, sucedeu, em 631, a um de seus irmãos na sede de Saragoça. Estritamente ligado a santo Isidoro, inspirou-lhe a ideia de escrever as suas Etymologies, corrigiu-lhe o manuscrito a pedido do escritor, dividiu ele mesmo a obra em vinte livros e foi, segundo toda a aparência, o seu primeiro editor. Ao De viris illustribus juntou, após a morte de santo Isidoro, o catálogo das obras de seu amigo, com um elogio entusiasta da sua erudição e do seu papel providencial. Prenotatio librorum D. Isidori, P. L., t. LXXXI, col. 16-17.
O bispo de Saragoça tomou parte, em 633, no IV concílio de Toledo, bem como nos dois concílios de importância menor realizados nessa cidade em 636 e em 638. Tendo o Papa Honório I se insurgido contra a pretendida moleza dos bispos da Espanha na questão judaica e tendo-os tratado por «cães mudos», canes muti, foi Braulio que o concílio de 638 encarregou de responder à carta do soberano pontífice; a resposta é um modelo de franqueza e de habilidade. Braulio, tornado cego no fim da sua vida, morreu por volta do ano 651 e foi inumado na velha igreja de Nossa Senhora del Pilar; aí se reencontrou o seu túmulo em 1290. Baronius no seu Martyrologe e os bolandistas situam a festa de são Braulio, aqueles no dia 26 de março, estes no dia 18 de março; ela celebra-se na Espanha nesta última data sob o rito duplo.
Braulio deixou-nos: 1º uma Vida de são Emiliano, que Mabillon publicou nos Acta sanct. O. S. B., t. I, p. 205-215; cf. P. L., t. LXXX, col. 699-714; 2º Cartas, P. L., ibid., col. 649-700.
A Vida de são Emiliano, San Millan de la Cogolla, Cucullatus, dedicada pelo autor ao seu «irmão e senhor» Fronimius, e dividida em trinta capítulos, é plena, como toda a hagiografia da época, do relato dos milagres do seu herói; após o que vem, como apêndice, um hino em honra de Emiliano. Mais de um crítico atribui também a Braulio os Atos dos dezoito mártires executados em Saragoça por ordem do governador Daciano. P. L., ibid., col. 715-720.
Descobriu-se, no século XVIII, na cidade de Leão, uma coleção de quarenta e quatro cartas, que a antiguidade não tinha mencionado. Estas cartas, que apareceram pela primeira vez em 1775 na España sagrada de Florez, t. XXX, são uma mina preciosa para a história da Espanha no tempo dos Visigodos. Elas restituíram-nos, Epist., VII, a correspondência de Braulio e de santo Isidoro, da qual não tínhamos anteriormente senão fragmentos.
Com a carta tão importante ao Papa Honório, Epist., XXI, nota-se além disso as cartas XXV, XXVI, endereçadas a um abade de nome Emiliano, de Toledo aparentemente, e que fazem ver que a obra de Apringius sobre o Apocalipse de são João tinha já desaparecido, ao menos em Saragoça; a carta XXXVII, na qual Braulio e o bispo Eutrópio, em nome de todos os presbíteros, diáconos, simples fiéis, pedem ao rei Chindaswinth de associar o seu filho Receswinth ao trono; a carta XLIV, enfim, onde Braulio responde a uma questão de são Fructuosus, o futuro bispo de Braga, sobre algumas dificuldades do Antigo Testamento e testemunha o seu próprio génio. Antonio, Bibliotheca vetus Hispana, t. I, p. 874 sq.; P. L., t. LXXX, col. 639-648; D. Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, 2ª ed., Paris, 1868, t. XI, p. 710-728; P. Gams, Kirchengeschichte von Spanien, t. II, p. 145-149; Acta sanctorum, martii t. II, p. 635-638; Hurter, Nomenclator, 3ª ed., Inspruck, 1908, t. I, col. 613-644.
Autor original: P. Godet
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor