BOURZEIS Amable, nascido em Volvic (Puy-de-Dôme), perto de Riom, em 6 de abril de 1606, dedicou-se desde cedo ao estudo das letras e das línguas orientais. Fez tais progressos que se tornou um dos melhores literatos de seu tempo e mereceu ser um dos primeiros membros da Academia Francesa. Richelieu o tinha em alta estima e encarregava-o, por vezes, de assuntos muito importantes.
À habilidade política e ao seu talento de escritor, Bourzeis somava ainda notáveis aptidões para a controvérsia. O grande ministro Colbert o fez chefe de uma assembleia de teólogos célebres, que se reunia na biblioteca do rei, para refutar os incrédulos. Converteu o príncipe palatino Eduardo, assim como vários de seus ministros.
Durante algum tempo, defendeu com ardor as doutrinas do partido jansenista; escreveu mesmo, com essa intenção, sua Apologie du concile de Trente et de S. Augustin, in-4°, Paris, 1650, e Saint Augustin victorieux de Calvin et de Molina, in-4°, Paris, 1652.
Mas, em 1661, tendo retornado de seu erro, protestou, ao assinar o Formulário, que gostaria de poder apagar com seu sangue tudo o que havia escrito, e que teria por toda a sua vida um soberano e inviolável respeito pelas decisões do Santo Padre. Morreu em Paris, em 2 de agosto de 1762, deixando um grande número de escritos de todos os gêneros.
Aqueles que interessam mais de perto à teologia são, além dos que acabam de ser citados:
1° um tratado sobre Excellence de l’Eglise catholique, et raisons qui nous obligent à ne nous en séparer jamais, in-4°, Paris, 1648;
2° várias Dissertations sur les passages de l’Ecriture dont les libertins se servent pour en détruire l’autorité. Richard et Giraud, Bibliothèque sacrée, Paris, 1822, t. v, p. 233; Hurter, Nomenclator literarius, Inspruck, 1893, t. 1, col. 59; Niceron, Mémoires, t. XXIV.
Autor original: C. Toussaint
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