BOUQUILLON Thomas, nascido em Warneton (Bélgica), em 16 de maio de 1842, falecido em Bruxelas em 5 de novembro de 1902. Sua vida foi a de um sacerdote tão piedoso e modesto quanto apaixonado pela ciência rigorosa e pelo labor intelectual ininterrupto. Após estudos brilhantes no colégio Saint-Louis de Menin, no seminário menor de Boulers e no seminário maior de Bruges, foi enviado ao colégio Capranica, em Roma. Em 1867, a Universidade Gregoriana conferiu-lhe o grau de doutor em teologia. No fim do mesmo ano, reencontramo-lo no seminário de Bruges, como professor de teologia moral. Daí em diante, sua atividade literária orientou-se para essa parte das disciplinas eclesiásticas, e dela não mais se desviou.
De 1877 a 1885, foi aos estudantes de teologia da Universidade Católica de Lille que expôs os princípios de sua ciência preferida. Após quatro anos de um repouso muito ocupado e muito frutífero junto aos monges beneditinos da abadia de Maredsous, consentiu, em 1889, em retomar, na nascente universidade de Washington, suas funções de professor. Nelas continuou até poucos meses antes de sua morte.
Bouquillon era um trabalhador incansável e consciencioso, um mestre de uma habilidade consumada. Nele, a ciência unia-se a uma simplicidade e a uma amenidade notáveis. Sua fala, nem muito viva nem muito colorida, mas de uma lucidez perfeita, traduzia a contento ideias claras e sempre bem estruturadas. Sua memória maravilhava todos aqueles que recorriam a ele para alguma informação; ela se revelava sobretudo pela extensão e pela variedade de seus conhecimentos bibliográficos. Tomou uma parte muito ativa na organização da faculdade de teologia de Washington, de sua biblioteca em particular.
Além dos volumes saídos de sua pena fecunda, deve-se a ele reimpressões, com notas históricas e críticas, de vários excelentes trabalhos, um grande número de estudos e artigos de polêmica em diversos periódicos, e alguns folhetos sobre assuntos de atualidade. Aqueles que publicou, em 1891 e 1892, sobre a questão da educação tiveram grande repercussão, na Europa como na América. O autor foi, a esse propósito, acusado de liberalismo e de idolatria do Estado. Era injustamente, ao que parece; pois, se reivindicava para o Estado certos direitos em matéria de ensino, mesmo o de exigir um mínimo de instrução, fazia-o colocando-se em um ponto de vista puramente doutrinal e teórico; acrescentava que, frequentemente, «por razões de oportunidade», uma «lei de obrigação» deveria ser rechaçada como inútil, ou ineficaz, ou menos equitativa, ou perigosa, ou de todo perniciosa. Essa tese, conforme aos princípios defendidos, na Escola, por santo Tomás, Cajetan, Suarez, e, em nossa época, por Taparelli, Manning, M. Périn, completa-se naturalmente pela afirmação nítida e firme dos direitos paralelos da Igreja, afirmação contida na Déclaration des catholiques du Nord relativement a la loi du 29 mars 1882 sur l’enseignement primaire, da qual Bouquillon tinha sido o redator.
Eis as principais obras de Thomas Bouquillon: Theologia moralis fundamentalis, 3ª ed., in-8°, 1903; De virtutibus theologicis, 2ª ed., in-8°, 1890; De virtute religionis, 2 in-8°, 1880. Deixou, além disso, em manuscrito três outros tratados: De eucharistia; De jure et justitia; De penitentia.
Seus artigos críticos, teológicos ou históricos apareceram, em latim, em francês ou em inglês, na Revue des sciences ecclésiastiques, na Nouvelle revue théologique, na Revue bénédictine, na American catholic quarterly review, no Catholic university bulletin, etc.
Dentre as reimpressões empreendidas sob sua direção, destacam-se: De magnitudine Ecclesiae romanae, por Stapleton; Dies sacerdotalis, por Dirckinck; L’excellence de la très sainte eucharistie, por Luís de Granada; Synopsis cursus theologiae, por Platel; L’année sainte, pelo P. J. Coret. Forneceu ainda, com notas marginais, os dois primeiros volumes dos Leonis papae XIII allocutiones, epistolae, constitutiones aliaque acta praecipua, 6 in-8°, Bruges.
Para mais detalhes, ver uma notícia biográfica por M. N. Rommel: Thomas Bouquillon, Bruges, 1903; Maitre Georges Bouquillon, na Revue bénédictine, janeiro de 1903, p. 2-6.
Autor original: J. Forget
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