BOILEAU (TIAGO)

BOILEAU (TIAGO)

BOILEAU Jacques, nascido em Paris, em 16 de março de 1635, doutor pela Sorbonne, vigário-geral de Sens, cônego da Sainte-Chapelle e, por fim, deão da faculdade de teologia, é irmão do grande poeta satírico. Possuímos dele um grande número de dissertações sobre diversos pontos de teologia, direito canônico e história eclesiástica. Infelizmente, sua ortodoxia nem sempre é suficientemente rigorosa. O autor, que pressentia isso, frequentemente se disfarçou sob nomes adotados. Suas polêmicas são também um pouco vivas e acerbas demais: seu tom irônico lembra muitas vezes as mordazes chistes de Le Lutrin.

Eis a nomenclatura destes trabalhos:

1º Eclaircissement sur un passage de saint Augustin, citado no livro de la Perpétuité de la foi, in-12, Mons, 1667, sob o pseudônimo de Barnabé;

2º Recueil de diverses pièces concernant les censures de la faculté de théologie de Paris sur la hiérarchie de l’Eglise et sur la morale chrétienne avec des remarques sur le XVIIIe tome des Annales ecclés. de Odericus Raynaldus, in-12, Munster, 1666;

3º De antiquis et majoribus episcoporum causis liber, in-4°, Liège, 1678, condenado por decreto do Santo Ofício, em 4 de fevereiro de 1679;

4º De antiquo jure presbyterorum in regimine ecclesiastico, Lyon, 1676, publicado sob o pseudônimo de Claude Fontéjus e posto no index, em 17 de janeiro de 1690; o autor sustentava ali o presbiterianismo de Richer;

5º De adoratione eucharistiae libri duo, quibus accedit disquisitio theologica de praecepto divino communionis sub utraque specie, in-12, Paris, 1685; refuta Daillé;

6º De residentia canonicorum, quibus accessit tertia disquisitio de tactibus impudicis, an sint peccata mortalia vel venialia, in-8°, Paris, 1695: o autor comete inexatidões e dissimula suas críticas sob o nome de Marcellus Ancyranus;

7º Historia flagellantium, de recto et perverso flagrorum usu ex antiquis Scripturae, Patrum, pontificum, conciliorum, et scriptorum profanorum monumentis, in-12, Paris, 1700, sem nome de autor; trad. franc., in-12, Amsterdam, 1701, 2ª ed. corrigida, 1782. O abade Boileau publicou a este respeito Remarques sur la traduction de l’Histoire des Flagellans, in-12, 1702. O historiador confunde com demasiada facilidade o abuso com o uso; atraiu para si a este propósito mais de uma réplica, nomeadamente a de Thiers: Critique de l’Histoire des Flagellans et justification de l’usage des disciplines volontaires, in-12, Paris, 1703. Esta história foi posta no index por decreto de 9 de julho de 1703. Boileau-Despréaux tomou o partido do seu irmão e fez um epigrama contra os jornalistas de Trévoux, Œuvres, Amsterdam, 1729, t. I, p. 286.

8º De sanguine corporis Christi post resurrectionem, in-8°, Paris, 1681, dissertação erudita, a melhor do autor; sustenta, contra o ministro Allix, pastor em Charenton, que santo Agostinho não duvidou de modo algum que o corpo de Jesus Cristo tivesse sangue após a sua ressurreição;

9º Traité des empêchements de mariage, in-8°, Colônia, 1691; defende ali a opinião de Launoy contra Galésius e Gerhais;

10º Historia confessionis auricularis, in-8°, Paris, 1683;

11º Δοκιμασία, sive de librorum circa res theologicas approbatione, in-16, Antuérpia, 1708; sustenta que é à faculdade apenas que pertence o direito de aprovar as obras de teologia;

12º De pluralitate beneficiorum, Paris, 1709, 1710-1711;

13º Considérations sur le Traité historique de l’établissement et des prérogatives de l’Eglise de Rome, Colônia, 1688; critica a obra do P. Maimbourg;

14º Disquisitio theologica quaestionis famosae, novae et singularis — an Cephas quem reprehendit S. Paulus cum venisset Antiochiam, fuerit sanctus Petrus, etc., in-12, Paris, 1713: o autor estabelece, contra o P. Hardouin, a identidade do Cefas da epístola aos Gálatas com o apóstolo são Pedro.

Em geral, o desejo de fazer demonstração de espírito por toda parte falseou o talento de Jacques Boileau. Voltaire fez ele mesmo a observação; representa-o como um espírito bizarro que fez livros bizarros: a palavra singular seria talvez mais justa ou pelo menos mais indulgente. As tendências richeristas também se manifestam muito frequentemente em suas pesquisas de história eclesiástica.

Após ter exercido em Sens o cargo de oficial, durante quase 25 anos, Jacques Boileau foi provido de um canonicato na Sainte-Chapelle de Paris e morreu em 1 de agosto de 1716, no seu 82º ano. Michaud, Biographie universelle, Paris, 1812, t. V, p. 4; Richard e Giraud, Bibliothèque sacrée, Paris, 1822, t. V, p. 98; Hurter, Nomenclator literarius, Innsbruck, 1893, t. I, col. 715.

Autor original: C. TOUSSAINT

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor