BINIUS ou BINI Séverin, nascido em Randelraidt, na região de Juliers, na Vestfália. Aluno da universidade de Colônia, foi, durante mais de vinte anos, professor de filosofia e de teologia no ginásio de São Lourenço; era nessa época licenciado em teologia. Primeiro cônego de Sainte-Marie ad Gradus de Colônia, tornou-se, no início do século XVII, cônego da igreja colegiada de Saint-Géréon da mesma cidade, enfim, mais tarde, cônego da metrópole. Em 1618, era reitor da faculdade de teologia da Academia de Colônia. Morreu, nessa cidade, em 1641.
A obra capital de Binius é a coleção de concílios intitulada: Concilia generalia et provincialia, quotquot reperiri potuerunt ; item epistole decretales et Romanorum pontificum vite, 4 in-fol., Colônia, 1606. A última coleção de concílios que tinha sido publicada anteriormente era a de Surius; ela já era um grande progresso sobre as obras de Merlin e de Crabbe. Binius a retomou do início e, ajudado pelos sábios dos quais será questão, pôde, ao fim de três anos de labor árduo, fazer aparecer sua obra. Surius havia dado as vidas dos papas segundo o Liber pontificalis do papa Dâmaso e de Anastácio, o Bibliotecário; Binius manteve essas biografias, acrescentou as informações biográficas fornecidas pelos cronistas e tratou de uma forma crítica as fábulas e os falsos relatos atribuídos aos papas Dâmaso, Gregório VII, Silvestre II, João VIII, Alexandre III, Adriano IV e João XXII.
Para as decretais dos papas, Binius utilizou muito justamente a edição que delas havia sido dada por Carafa sob o título: Epistolarum decretalium summorum pontificum, 3 in-fol., Roma, 1591. Todavia, deteve em Urbano II a coleção das decretais a fim de não parecer publicar um bulário. Para essas decretais, e em geral todas as peças, ateve-se aos argumentos de autenticidade e à crítica dos textos tal como a encontrou nas obras de Baronius, de Pistorius, de Fronton du Duc e dos melhores manuscritos. Deixou intacto o texto dos decretos dados por Graciano, mas como encontrou neles erros de atribuição, retificou-os e, por meio de notas, esclareceu-lhes o sentido.
Bastante geralmente, aliás, fez preceder cada concílio de um breve sumário indicando o local do concílio, a data, a causa de sua realização, o número de bispos que nele assistiram; após a edição dos atos, acrescentou notas explicativas. Quando os atos do concílio estavam perdidos, substituiu-os por menções e informações históricas extraídas dos cronistas contemporâneos. A parte que concernia à Espanha foi das mais bem tratadas, pois além do texto de Surius, Binius tinha à sua disposição a obra de Loaisa intitulada: Collectio conciliorum Hispanie, in-fol., Madri, 1593. Binius utilizou o texto de Loaisa, que havia editado pela primeira vez vários concílios da Espanha, nomeadamente o de Mérida e vários de Toledo, e reproduziu as notas desse autor. Binius pôde ainda servir-se, igualmente para a Espanha, das notas recolhidas, em 1565, por Valerius Serenus de Louvain, nos arquivos de Toledo e de outras cidades; essas notas, permanecidas inéditas, haviam sido enviadas da Espanha a Arnold Birckmann, impressor de Colônia. Para a Espanha ainda, Binius teve o recurso de notas numerosas que lhe foram comunicadas por Jacques Huter, doutor em teologia e cônego da metrópole de Colônia.
De Paris, Binius recebeu o texto do concílio de Angers que lhe enviou o jesuíta Fronton du Duc com, além disso, lições melhores de certos cânones e a colação de vários manuscritos. Infelizmente, Binius não deu nenhum texto grego: desculpa-se dizendo que, na verdade, possui em mãos o texto grego do II concílio de Constantinopla, VI ecumênico, assim como o de Florença, mas que não os publicará senão mais tarde, em um volume à parte, quando tiver encontrado nos arquivos do Vaticano o texto grego dos outros concílios ecumênicos: recusa-se a servir-se das edições gregas dos concílios de Niceia e de Éfeso publicadas em cidades e por autores suspeitos de heresia.
Tal é a economia da coleção de Binius. Dedicou-a ao papa Paulo V e recebeu, tarde demais para ser inserida na primeira edição, uma carta de felicitação, datada de Roma, 9 de fevereiro de 1608. Binius colocou igualmente sua coleção sob o alto patrocínio do cardeal Baronius, a quem venerava como um mestre incomparável. Agradece também ao jesuíta Antoine Possevin pelos conselhos tão competentes que dele recebeu.
Grande foi o sucesso da coleção de Binius, já que, ao fim de doze anos, uma segunda edição foi necessária. No intervalo, Binius havia trabalhado e pôde acrescentar à sua primeira coleção um número respeitável de peças novas, de tal modo que, em vez de quatro volumes, a segunda edição conta nove, mas ela é dividida, como a primeira, em quatro tomos para que seja semelhante, diz o autor, à obra de Surius. Um dos primeiros cuidados de Binius foi utilizar o texto grego da obra seguinte: Concilia generalia Ecclesie catholice, Pauli V pontificis maximi authoritate edita, in-fol., Roma, 1608.
Além disso, recebeu de vários sábios textos novos: Colvenerius, doutor em teologia e professor na Academia de Douai, enviou-lhe o concílio de Clermont e o III concílio de Roma realizado sob Urbano II, aquele de Poitiers celebrado sob Pascoal II, todos concílios inéditos. Colvenerius havia dado uma edição de Flodoard: Historie Remensis Ecclesie libri III, in-8°, Douai, 1617, da qual se serviu Binius com proveito. Jacques Gretser, da Companhia de Jesus, endereçou-lhe quatro concílios de Salzburgo, um de Wurzburgo e um de Freising. Binius recebeu-os tarde demais e colocou-os em apêndice. Utilizou o Codex canonum seu canones apostolorum, editado em grego por Jean Tilius, bispo de Meaux. Juntou a ele o texto dos concílios de Ancira, Neocesareia, Laodiceia, Gangres e Antioquia segundo uma edição dada alguns anos antes. Enfim, o Codex canonum Ecclesie africane foi repetido na edição de Binius. Sabe-se que esses cânones eram extraídos dos concílios de Cartago, de Milevo e do concílio africano realizado sob o papa Celestino.
Binius havia dedicado essa segunda edição aos cônsules, questores, procônsules e senadores de Colônia. Espalhou-se prontamente no mundo sábio e não tardou a ser esgotada, o que necessitou uma terceira edição, impressa em Paris em 1636. Prefácio da edição de 1606 e da edição de 1618; Possevin, Apparatus sacer, Colônia, 1608, t. II, p. 398; Hurter, Nomenclator, t. I, col. 466.
Autor original: J.-B. MARTIN
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