BILLUART Charles-René, nasceu em Revin, nas Ardenas, em 18 de janeiro de 1685. Após ter concluído seus estudos no colégio dos jesuítas de Charleville, tomou o hábito dos irmãos pregadores em Revin, em 1701, fez seu noviciado em Lille, e sua profissão religiosa em sua cidade natal, em 7 de novembro de 1702.
Quando concluiu seus estudos de filosofia e de teologia no convento de Revin e foi ordenado padre, em 1 de janeiro de 1708, continuou seus estudos de teologia em Liége, ensinou filosofia em Douai, 1710, depois em Revin, 1711. No ano seguinte, professou a teologia no mesmo convento de sua cidade natal, e o fez até 1715, onde foi enviado a Douai, como mestre dos estudantes do colégio dominicano de Saint-Thomas. É desse mesmo ano que data o início de sua atividade literária.
Criado bacharel em 1717, exerceu de 1719 a 1721 as funções de segundo regente. Retornou a Revin como prior de 1721 a 1725, e ali se destacou por suas qualidades administrativas. Era primeiro regente do colégio da ordem em Douai desde 1725, quando foi eleito provincial em 15 de outubro de 1728. Continuou essas funções até o mês de novembro de 1733, e foi nomeado então pela segunda vez prior de Revin. Foi reeleito provincial em 1741 e uma terceira vez em 1752. Morreu em Revin, em 20 de janeiro de 1757, após dois anos de contínuos sofrimentos.
Fora de suas funções professorais e administrativas e de sua atividade literária, Billuart entregou-se à pregação, e um grande número de cátedras foram testemunhas de seu zelo apostólico e de seus sucessos oratórios. Sustentou, além disso, vantajosamente disputas públicas contra os ministros reformados.
1° Summa S. Thome hodiernis Academiarum moribus accommodata, sive cursus theologix juxta mentem, et in quantum licuit, juxta ordinem et litteram Dwi Thome in sua Summa, insertis pro re nala digressionibus in historiam ecclesiasticam, 19 in-8, Liége, 1746-1751. — Supplementum cursus theologre conlinens tractatus de opere sex dierum, de statu religioso, et de mysteriis Christi. Opus posthumum ab eodem auctore elucubratum, in-8°, Liege, 1759.
Foi dada de toda a obra as seguintes edições: 3 in-fol. e 20 in-8°, Wurzbourg, 1758-1760; 3 in-fol., Veneza, 1761; 1787; 2 in-8° (incompleta?), Florença, 1824-1825; 20 in-8°, Paris, 1828; 4 in-fol., Roma, 1886; 10 in-8°, ibid., 1840; 10 in-8°, Lyon, 1847, 1861; 8 in-4°, ed. Lequette, Paris, 1872-1877; 10 in-8°, ibid., 1878; 9 in-4°, ed. Lequette, Arras, 1890; 8 in-4°, ed. Lequette, Paris, s. d. Algumas dessas edições, como as de Wurzbourg, trazem por título: Cursus theologie universalis, e a de Florença: Institutiones theologice.
Esta obra, que fez a grande reputação teológica de Billuart, nasceu de uma ordenança do capítulo da província de Sainte-Rose, realizado em Douai em 1733, que tinha determinado seu espírito geral: uma exposição da doutrina de santo Tomás adaptada às necessidades do tempo onde deviam encontrar lugar as questões históricas conexas à teologia. A execução deste projeto foi confiada ao P. Billuart e a impressão da obra pôde ser executada de 1746 a 1751.
Billuart preparou um suplemento que foi editado após sua morte pelos cuidados de seu amigo o P. Adéodat Labye, que colocou no início uma biografia substancial de Billuart, e que se reencontra ordinariamente nas edições posteriores de toda a obra. A parte histórica desta Soma se inspira especialmente nas sábias dissertações de Noël Alexandre sobre a história eclesiástica. A parte polêmica visa frequentemente Honoré Tournély.
Nenhuma outra obra importante de um teólogo já antigo, a Soma de santo Tomás excetuada, gozou de um tão constante crédito no século XIX e teve um tão grande número de edições. Esse sucesso é devido às qualidades essenciais da obra: a abundância das matérias, a clareza da exposição, a precisão das fórmulas e das soluções. Em matéria de doutrinas, Billuart é fiel a santo Tomás de Aquino e à sua escola. Em moral é probabiliorista e se atém às soluções moderadas. O tratado da penitência goza de uma estima especial.
Billuart, dando-se conta da utilidade que haveria em colocar sua obra ao alcance de um maior número de leitores, preparou um resumo, ainda utilizado em nossos dias: 2° Summa Summe S. Thome, sive compendium theologiz, etc., 6 in-8°, Liége, 1754; 6 in-12, Gand; 6 vol., Wurzbourg, 1765; 3 in-4°, Veneza, 1788; 4 in-4°, Roma, 1834; 6 in-16, Paris, 1884-1890. Uma edição, acomodada ao ensino atual, está em curso de publicação em Mondovi, 1902.
Billuart foi um polemista vigoroso e nos deixou um certo número de escritos de circunstância que se referem especialmente às questões levantadas pela publicação da bula Unigenitus na qual os jansenistas e os molinistas queriam ver a condenação das doutrinas de santo Agostinho e de santo Tomás sobre a predestinação e a graça. Damos em sua ordem cronológica os escritos polêmicos de Billuart:
3° De mente Ecclesiz catholice circa accidentia eucharislie, dissertatio unica adversus dom. Antonium Lengrand S. Th. licenciatum et philosophie cartesiane professorem in academia Duacensi, in-12, Liége, 1715. A obra de Lengrand trazia por título: Disserlatio de accidentibus absolutis, in-12, Douai, 1711.
— 4° Le thomusme vengé de sa prétendue condannation par la constitution Unigenitus, adressé en forme de lettre a un abbé par un religieux de Vordre de S. Dominique, in-12, Bruxelas, 1720.
— 5° Lettre du R. P. C. R. Billuart, etc., d MM. les docteurs de la faculté de théologie de l'université de Douai, avec des réflexions sur les notes calomnieuses qu'ils ont attachées a leur censure du 22 août 1722 contre les RR. PP. Massouillé et Contenson de Vordre des FF. Précheurs, in-4°, s. l., 1723. A censura dos teólogos de Douai trazia por título: Censura sacre facultatis theologie Duacensis, in quasdam propositiones de gratia, depromptas ex dictalis philosophicis Dominorum Lengrand et Maréchal, etc., Douai, 1722, 1729. Ver d'Argentré, Collectio judiciorum, t. 11, ao final. A censura da faculdade foi condenada por decreto apostólico de 18 de julho de 1729, com este considerando: Deleantur parallelunr contentum in monito ad lectorem ac in prefatione, et scripta contra PP, Massouillé et Contenson, et contra sanctum Thomam, hisque correctis, censura Romam remittatur ut approbetur vel reprobetur. Na segunda edição da censura (1729) retrancaram-se os locais visados.
— 6° Examen critique des Réflexions sur le bref de N.S. P. le pape Benoit XIII, du 6 novembre 1724, adressé aux dominicains, in-4°, s. 1. n. d. (1725).
O autor anônimo das Réflexions tinha pretendido que os caluniadores da doutrina da escola de santo Tomás de que fala o breve Demissas preces, não eram os Jesuítas, mas sim os quesnellistas. Billuart estabelece o contrário e examina as consequências do breve. Tendo o anônimo respondido a Billuart por uma carta injuriosa, este último publicou:
7° Le thomisme triomphant par le bref Demissas preces de Benoit XIII, ou justification de l’Examen critique des Réflexions sur ce bref, contre une lettre anonyme adressée a l’auteur de l’Examen, par un théologien de l’ordre de Saint-Dominique, in-4°, s.l., s.d. Esta brochura foi o princípio de uma nova polêmica com Stiévenard, cônego de Cambrai e antigo secretário de Fénelon.
8° Réponse de l’auteur du thomisme triomphant a M. Stiévenard, chanoine de Cambrai, au sujet de son Apologie pour feu Monseigneur de Fénelon, archevéque de Cambrai, in-4°.
9° Avis d’un ecclésiastique de Paris a M. Stiévenard sur la seconde Apologie pour M. de Fénelon, archevéque de Cambrai, in-4°.
10° Justification de l’avis d’un ecclésiastique de Paris, etc., in-4°.
11° Apologie du thomisme triomphant contre les neuf lettres anonymes qui ont paru depuis peu. On justifie aussi par occasion l’Histoire des Congrégations De auxiliis du P. Serry contre les chicanes de ses adversaires, in-4°, Liége, 1731.
12° Réponse a l’auteur d’un libelle imprimé cette année 1734 a Roterdam, intitulé : La créance des Eglises réformées touchant la sainte Vierge; ou l’on fait voir les impostures grossiéres et les calomnies atroces, les paralogismes et les inepties dont cet ouvrage est rempli, in-4°, 1734.
13° Apologie du R. P. Pierre Soto, dominicain, et des anciennes censures de Louvain et de Douai, contre l’Histoire du baianisme, composée par le P. Duchesne, jésuite, et condamnée a Rome le 17 mars 1734, par Louis de Lomanise, in-12, Avignon, 1788.
14° Questio theologica Patris Billuart de relatione operum in Deum, adversus opusculum, sub nomine R. D. Hagens... typis Leodiensibus editum vindicata, in-8°, Ypres, 1752.
15° Ulterior elucidatio questionis theologice de relatione operum in Deum, in-12, Ypres, 1753; in-8°, Louvain, 1755.
16° Epistola expostulatoria et apologetica Ludovici Franc, sacre theologie baccalaurei, ad reverendum ac eximium Patrem Josephum Mangis, ord. S. Augustini..., super dissertationem ejus secundam de relatione operum in Deum, in-8°, Anvers, 1756.
Vita R. P. C. R. Billuart, a F. Deodato Labye, O. P., en téte de la plupart des éditions de la Summa; Paquot, Mémoires pour servir a l’histoire littéraire des Pays-Bas, Louvain (1768), t. II, p. 108-113; Richard et Giraud, Bibliotheque sacrée, art. Billuart; S. Dunaime, Revin et le P. Billuart, Charleville-Revin-Paris, 1858; Hurter, Nomenclator, t. II, col. 1284.
Autor original: P. Mandonnet
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