BEZA (TEODORO DE)

BEZA (TEODORO DE)

BEZE (Théodore de). — I. Biografia. II. Obras.

I. BIOGRAFIA. — 1° Até a sua adesão formal e pública ao protestantismo, 1548. — Nascido em Vézelay, em 24 de junho de 1519, de uma família nobre, foi confiado desde cedo aos cuidados de seu tio Nicolas de Bèze, conselheiro no parlamento de Paris, e estudou letras em Orléans, depois em Bourges, sob a direção do célebre Melchior Wolmar, de quem recebeu, ao mesmo tempo, um gosto pronunciado pelas novidades doutrinais da Reforma protestante. Licenciado em direito civil e em direito eclesiástico em 1539, obteve, segundo os costumes da época, o priorado de Longjumeau e uma abadia no Beaujolais. Durante todo esse período, as desordens de sua vida privada são manifestamente comprovadas pelo caráter licencioso de várias de suas poesias e pelo testemunho irrecusável de seus historiadores e até mesmo de seus panegiristas. Em 1544, na presença de dois amigos, jurisconsultos distintos, Laurent de Normandie e Jean Crespin, uniu-se secretamente a Claudine Desnoz, com a estipulação formal de que jamais receberia as ordens papistas e que essa união seria, assim que possível, legitimada na Igreja de Deus. Em 1548, resolveu tomar publicamente o partido da Reforma. Renunciou aos seus benefícios e dirigiu-se a Genebra.

2° Bèze, ministro da Reforma, desde a sua chegada a Genebra, 1548, até a morte de Calvino, 1564. — À sua chegada a Genebra, um dos seus primeiros atos foi fazer reconhecer publicamente no templo o seu casamento com Claudine Desnoz. Colaborador muito ativo de Calvino, foi sucessivamente professor de letras gregas em Lausanne durante dez anos, depois reitor da nova Academia protestante fundada em Genebra em 1559. Em 1561, foi, no colóquio de Poissy, um dos principais representantes dos calvinistas. Além disso, empregava-se muito ativamente em sustentar, na França, o partido da Reforma. Ao mesmo tempo, sustentava a doutrina calvinista em várias obras de polêmica ou de teologia sistemática, e publicava seus primeiros trabalhos bíblicos.

3° Bèze, chefe da Reforma em Genebra, 1564-1605. — Enquanto dirige os calvinistas em Genebra e no exterior, publica novas obras polêmicas, sobretudo contra os luteranos e contra os católicos, completa suas Tractationes theologicæ e prossegue seus trabalhos bíblicos. Conhece-se o insucesso dos nobres esforços de São Francisco de Sales para a conversão deste chefe da Reforma. Bèze morreu em 1605.

II. OBRAS. — 1. AS OBRAS LITERÁRIAS, embora não pertençam diretamente ao domínio teológico, impõem-se à atenção do moralista na medida em que revelam o caráter moral de seu autor.

Poemata juvenilia, Paris, 1548, edição completa; as edições de 1569, 1576, 1597 são em parte expurgadas. As confissões muito explícitas de Bèze em seu prefácio ao Sacrifice d’Abraham, 1550, e em sua epístola dedicatória à segunda edição dos Juvenilia, 1569, a expurgação feita pelo próprio autor na edição de 1569 e nas edições subsequentes, e as graves críticas formuladas por seus historiadores e até mesmo por seus panegiristas, não podem deixar dúvida sobre o caráter licencioso de alguns desses Juvenilia. Baird, Theodore Beza, the counsellor of the French Reformation, Nova York, 1899, p. 47, 49.

2° Tragédia francesa do Sacrifice d’Abraham, Lausanne, 1550; Paris, 1553, traduzida para o latim sob o título de Abraham sacrificans, Genebra, 1597. Seu valor literário é muito discutido.

3° Curtos Tratados de pronunciação das línguas grega e latina, 1580, 1581, e um Tratado de pronunciação da língua francesa, 1584.

II. OBRAS HISTÓRICAS. — 1° Biografia de Calvino, publicada inicialmente como prefácio ao comentário de Calvino sobre Josué, depois editada separadamente com as Epistolæ et responsa de Calvino, Genebra, 1575. Esta biografia tem mais de panegírico do que de história. Baird, op. cit., p. 308 sq.; Realencyklopädie für protestantische Theologie und Kirche, Leipzig, 1897, t. 11, p. 686.

2° A obra intitulada Histoire des Eglises réformées au royaume de France depuis l’an 1521 jusqu’en 1563, 3 in-8°, Genebra, 1580, reeditada em Paris, 3 in-4°, 1883-1889, não é de Bèze. Segundo R. Reuss, Notice bibliographique, historique et littéraire sur l’Histoire ecclésiastique des Eglises réformées au royaume de France, Paris, 1889, p. LXIII sq., esta obra não é mais do que uma simples justaposição das memórias enviadas a Genebra de todas as partes do reino. Bèze só pôde ter o papel de um diretor responsável ou de um patrono benevolente, que dá aos seus subordinados instruções mais ou menos detalhadas e que, finalmente, adorna, com algumas considerações gerais ou algumas páginas de prefácio, uma obra já elaborada por outros.

Icones i.e. veræ imagines virorum doctrina simul et pietate insignium, Genebra, 1580, traduzido para o francês por Simon Goulard sob o título de Vrais pourtraits des hommes illustres en piété et en doctrine, Genebra, 1581, não se eleva acima do panegírico. Contém curtos esboços sobre os personagens que Bèze considera como os principais representantes ou sustentáculos de seu sistema religioso. Ao nível dos precursores da Reforma ele coloca Wicleff, Huss, Jerônimo de Praga e Savonarola. Entre os sustentáculos do protestantismo no século XVI estão relacionados Erasmo, Reuchlin, e até mesmo Francisco I, Vatable, Michel de l’Hôpital, Scaliger, Robert Etienne, Clément Marot.

III. OBRAS BÍBLICAS. — 1° Em 1551 Bèze publicou uma tradução de 34 salmos; em 1552 juntou a eles os 40 salmos que Marot já tinha traduzido; enfim, em dezembro de 1561, completou o saltério com a tradução dos 67 salmos que restavam. De 1561 a 1565 este saltério teve mais de 60 edições.

2° Em 1556 publicou, com anotações, uma tradução latina do texto grego do Novo Testamento, sob este título: Novum Testamentum Domini nostri Jesu Christi latine jam olim a veteri interprete nunc denuo a Theodoro Beza versum cum ejusdem annotationibus in quibus ratio interpretationis redditur, Genebra, 1556, frequentemente reimpresso; a melhor edição é a de Cambridge, 1642.

— 3° Em 1565 publicou sua primeira edição do texto grego do Novo Testamento, ao qual juntou a Vulgata e sua própria tradução latina acompanhada de notas comumente estimadas, sob este título: *Jesu Christi Domini nostri Novum Testamentum sive novum fœdus cujus græco textui respondent interpretationes duæ, una vetus, altera nova Theodori Bezæ diligenter ab eo recognita*, Genebra, 1565. Para esta edição, que se pode chamar a primeira edição crítica do texto grego, Bèze consultou 17 manuscritos e auxiliou-se das variantes recolhidas por Henri Etienne, assim como da edição publicada por Robert Etienne em 1550 e baseada ela mesma nas mais recentes edições de Erasmo. Simplesmente reproduzida em 1576, esta edição foi completada em 1582 com a ajuda nova do Codex Beze ou Codex Cantabrigensis, assim como da Peschito e de uma tradução latina da versão árabe. Se Beze teve o mérito de publicar a primeira edição crítica do texto grego do Novo Testamento, ele não desfruta, contudo, de uma grande autoridade crítica, seja por causa dos meios ainda tão imperfeitos de que dispunha então a crítica textual, seja por causa do método antes dogmático do autor, que visivelmente cede antes a preocupações dogmáticas do que a razões críticas. John Kitto, A cyclopedia of biblical literature, 3ª ed., Edimburgo, 1870, t. 1, p. 362; E. Reuss, Bibliotheca N. T. greci, Brunswig, 1872, p. 84-96; S. Berger, La Bible au xvi siècle, Paris, 1879, p. 131-136.

— 4º Beze colaborou na tradução da Bíblia corrigida sobre o hebraico e o grego pelos pastores da Igreja de Genebra, in-fol., 1588.

— 5º Ele igualmente deixou alguns comentários bíblicos: Methodica apostolicarum epistolarum brevis explicatio, Genebra, 1565; Lex Dei moralis, ceremonialis et politica ex libris Mosis excerpta et in certas classes distributa, Basileia, 1577; Jobus commentario et paraphrasi illustratus, Genebra, 1583; Canticum canticorum latinis versibus expressum, Genebra, 1584; Ecclesiastes Salomonis paraphrasi illustratus, Genebra, 1588. A exegese de Beze, não menos que sua crítica textual, reflete constantemente suas concepções dogmáticas.

IV. OUVRES POLEMIQUES.

— 1º Controvérsias sobre a punição dos heréticos, por ocasião da execução de Miguel Serveto, condenado por crime de heresia pelos magistrados de Genebra em 17 de outubro de 1553. A uma obra de Sebastião Castellion, Basileia, 1554, reprovando o direito que se arrogavam os magistrados de Genebra de condenar à morte os heréticos rebeldes, Beze opôs o seu De hereticis a civili magistratu puniendis, Genebra, 1554, traduzido para o francês por Nicolas Colladon sob o título de Traité de l'autorité du magistrat en la punition des hérétiques, Genebra, 1560. O reformador sustenta que, segundo a tradição cristã, os heréticos que se insurgem contra a doutrina da Igreja de Deus devem ser punidos mesmo com a pena capital. Sua tese se apoia em numerosas passagens do Antigo e do Novo Testamento e no testemunho de homens tais como Lutero, Melanchthon, Bucer. Contudo, para evitar a compenetração dos dois poderes, o poder das chaves e o poder da espada, Beze não reconhece aos ministros da Igreja o direito de exercer por si mesmos esse poder de punir os heréticos. Eles não podem exercê-lo senão por intermédio do magistrado civil, guardião e governador nato da sociedade humana. A este título, o magistrado civil pode, mesmo às expensas da paz exterior, procurar o verdadeiro culto de Deus em toda a extensão de sua jurisdição. Ele pode, mesmo pela espada, reprimir a revolta obstinada dos contemnadores da Igreja de Deus. Conclusão imposta talvez pela necessidade de se defender contra os excessos tirânicos do espírito de inovação, mas conclusão evidentemente contrária ao dogma protestante do livre exame e do juízo privado.

— 2º Controvérsia com os luteranos Westphal e Hesshus sobre a ceia. À tese luterana de Westphal, Beze opõe a doutrina calvinista no seu De cena Domini plena et perspicua tractatio in qua J. Westphali calumnie refelluntur, Genebra, 1559. Às instâncias do luterano Hesshus, Beze responde por Koewouyta sive cyclops et "Ovos evdoyifouevos sive sophista, Dialogi duo de vera communicatione corporis et sanguinis Domini adversus Hesshusii somnia; his accessit abstersio aliarum calumniarum quibus aspersus est Joannes Calvinus ab eodem Hesshusio; perspicua explicatio controversie de cena Domini per Theodorum Bezam, Genebra, 1561. A controvérsia com os luteranos sobre a questão da ceia se prosseguiu ainda mais tarde. Em 1578 Beze publicou Ad repetitas Jacobi Andree et Nicolai Selnecceri calumnias responsio, Genebra, 1578, seguido de De corporis Christi omnipresentia, 1578.

— 3º Controvérsias com Sebastião Castellion. Beze o combate em duas obras. Em 1557 ele resolve suas objeções contra a predestinação calvinista: Ad Sebastiani Castellionis calumnias quibus unicum nostrum fundamentum i. e. externam Dei predestinationem evertere nititur responsio, Genebra, 1557. Em 1563, Beze responde a novos ataques de Castellion contra sua tradução das Escrituras, à qual esse crítico reprova uma busca exagerada da elegância às expensas da exatidão: Responsio ad defensiones et reprehensiones Sebastiani Castellionis quibus suam Novi Testamenti interpretationem adversus Bezam et ejus versionem vicissim reprehendere conatus est, Genebra, 1563.

— 4º Controvérsia com Ochino de Siena, ex-vigário geral dos capuchinhos e partidário das novas doutrinas. Ochino sustentava que a poligamia permitida no Antigo Testamento poderia ainda sê-lo sob a nova Lei. Beze combate esse erro na sua Tractatio de repudiis et divortiis cui accedit tractatus de polygamia, Genebra, 1590.

— 5º Controvérsias ou polêmicas com os católicos. — 1. Com Claude de Saintes, que ele havia encontrado na terceira sessão do colóquio de Poissy. Claude havia combatido a tese calvinista sobre a ceia, em uma obra intitulada: Examen de la doctrine de Calvin et de Bèze sur la céne. Beze respondeu por Trois apologies a Claude de Saintes, 1567-1577. — 2. Polêmica contra Pierre Lizet, presidente no parlamento de Paris, depois abade de Saint-Victor de Paris. Contra a obra de Lizet: L’hérésie pseudo-évangélique, Beze publicou uma carta semiburlesca em latim macarrônico, Epistola magistri Passavantii ad Petrum Loysetum. Esta carta encontra-se na sequência das Epistolae obscurorum virorum, Londres, 1710-1712. — 3.

Polêmica com Jean Cochleus ou Dobanek que havia refutado Calvin na sua obra De sacris reliquiis Christi et sanctorum ejus, contra Calvini calumnias et blasphemias responsio per Joannem Cochleum. Beze responde por uma sátira virulenta, na qual ele recomenda classificar o autor da Responsio entre os monstros mais raros e mais curiosos, Brevis et utilis zoographia Joannis Cochlei, 1549, s. l.

4. Comédie du pape malade por Thrasybule Phénice, 1561, s. l.

5. Réponses a Baudouin, 1563.

6. Histoire de la mappemonde papistique por Frangidelphe Ecorche-Messes, Genebra, 1567.

7º Le réveil-matin des Francais et de leurs voisins por Eusébe Philadelphe, Edimburgo, 1574.

8º De peste quaestiones dux explicatae: una sintne contagiosae? altera an et quatenus sit christianis per secessionem vitanda, Genebra, 1579; Leyde, 1636, obra dirigida contra a doutrina católica simbolizada pela peste. Em suas polêmicas Beze emprega frequentemente a invectiva e a sátira. Ele se deixa facilmente levar à rudeza e ao desprezo em relação aos seus adversários. O objeto mais habitual das suas controvérsias dogmáticas é a doutrina calvinista sobre a eleição divina e sobre a ceia. Baird, op. cit., p. 268, 275. V. OUVRAGES DE THEOLOGIE SYSTEMATIQUE.

Beza reuniu ele mesmo todas as suas produções teológicas sob o título de: Tractationes theologice, 3 vol., Genebra, 1582. Não são quase nada mais que opúsculos de circunstância aos quais foram acrescentadas algumas cartas dogmáticas. Os principais opúsculos são:

1° Confessio christiane fidei et ejusdeni collatio cum papisticis heresibus, Genebra, 1560, 1595; a obra teve várias edições francesas em Genebra;

2° Summa totius christianismi, Lausanne, 1555, onde é sobretudo questão da descrição e da distribuição das causas da salvação dos eleitos e da destruição dos réprobos;

3° Confessio doctrine ecclesiarum gallicarum;

4° Tractatus tres de rebus gravissimis, tratando particularmente da unidade da essência divina, da união hipostática e da ceia;

5° Questionum et responsionum christianarum libellus in quo precipua religionis dogmata compendiose tractantur, Genebra, 1570, obra posteriormente aumentada e acompanhada de um catecismo resumido ou Catechismus compendiarius, Genebra, 1580. Em todas as suas produções teológicas, Beza mostra-se sempre um fiel discípulo de Calvino, do qual reproduz todas as concepções dogmáticas, particularmente sobre o predestinacionismo mais rígido, sobre o pecado original, a destruição do livre-arbítrio e a justificação realmente inamissível. Bossuet, Histoire des variations, l. XV; Realencyklopädie für protestantische Theologie und Kirche, loc. cit.

VI. LETTRES, SERMONS ET DISCOURS. — Beza deixou um grande número de cartas. Várias cartas dogmáticas foram inseridas na coleção das Tractationes theologice, Genebra, 1582. Outras foram publicadas no Bulletin historique et littéraire de l’histoire du protestantisme français. Dentre os numerosos discursos de Beza, cita-se sobretudo sua fala no colóquio de Poissy, seus Sermons sur les trois premiers chapitres du Cantique des cantiques, 1586, e suas Homélies... sur l’histoire de la passion et de la sépulture de Notre-Seigneur, 1592. Bossuet, Histoire des variations, l. IX, loua o talento oratório de Beza.

VII. OUVRAGES SUPPOSES OU DOUTEUX. — Um certo número de outras obras foram por vezes atribuídas a Beza. Haag, La France protestante, 2ª ed., Paris, 1877-1888, t. II, p. 503 sq. A sua autenticidade é comumente rejeitada pela crítica contemporânea. dam, 1734, t. I, p. 976 sq.; Schlosser, Leben des Theodor Beza und des P.M. Vermigli, Heidelberg, 1809; Baum, Theodor Beza nach handschriftlichen und anderen gleichzeitigen Quellen, 2 vol., Leipzig, 1843, 1851; Biographie universelle, Paris, 1854, t. IV, p. 254 sq.; H. Heppe, Theodor Beza, Leben und ausgewählte Schriften, Elberfeld, 1861; John Kitto, A cyclopaedia of biblical literature, 3ª ed., Edimburgo, 1870, t. I, p. 362 sq.; Lichtenberger, Encyclopédie des sciences religieuses, Paris, 1877, t. I, p. 258 sq.; Eugène et Emile Haag, La France protestante, 2ª ed., Paris, 1877-1881, t. II, p. 503 sq.; Herzog-Schaff, A religious encyclopedia, Edimburgo, 1883, t. I, p. 255 sq.; Wetzer et Welte, Kirchenlexikon, 2ª ed., Friburgo em Brisgóvia, 1883, t. II, col. 1016 sq.; R. Reuss, Notice bibliographique, historique et littéraire sur l’Histoire ecclésiastique des Églises de la Bible, Paris, 1895, t. I, col. 1769 sq., para o art. Codex Beze, e col. 1772 sq. para o art. Beza; Realencyklopädie für protestantische Theologie und Kirche, 3ª ed., Leipzig, 1897, t. II, p. 677 sq.; Maigron, De Theodori Beze poematis, Lyon, 1898; H. M. Baird, Theodore Beza, the counsellor of the French Reformation, Nova Iorque, 1899.

Autor original: E. Dublanchy

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