20. BENTO de Canfeld, capuchinho, escritor místico muito estimado do início do século XVII. Guillaume Fitche (ou Filch) nascera em Canfeld, no condado de Essex, na Inglaterra, nos primeiros meses de 1562. Pertencia a uma família puritana, de boa nobreza, e foi criado na heresia; tinha começado o estudo do direito quando se converteu ao catolicismo, em 1585.
Um ano e meio após sua conversão, entrou para os capuchinhos de Paris, que, terminado o seu noviciado, enviaram-no à Itália para lá fazer os seus estudos de teologia. O P. Bento retornou à França por volta de 1592, trazendo consigo o primeiro esboço da sua Régle de perfection (Regra de perfeição), cujo manuscrito comunicava a diversas pessoas que o copiavam e faziam, por sua vez, circular as cópias, tudo à revelia do autor. Como o pressionavam a publicar este tratado, submeteu-o à censura em 1596, contudo, ainda adiou a sua impressão.
Obrigado a deixar Paris em 1599, na sequência de alguns desentendimentos com o parlamento, o P. Bento passou para a Inglaterra para trabalhar na conversão dos seus compatriotas; foi logo preso e permaneceu três anos no cárcere. Aproveitou este tempo para traduzir o seu livro para o inglês e, por duas vezes, tentou imprimi-lo, mas o manuscrito foi confiscado. Devolvido à liberdade, retornou à França e não tardou a ser estabelecido mestre de noviços em Ruão. Foi lá que deu o toque final ao seu trabalho, do qual uma edição falha e incompleta acabava de ser feita por «um dos maiores e dos mais piedosos prelados da França».
O livro do P. Bento apareceu primeiramente em francês e em inglês, depois em latim. Esta última tradução, feita a pedido do geral da sua ordem, acabava de aparecer quando o autor morreu no convento de Paris, a 24 de novembro de 1610. Eis o título e as edições deste livro: Reigle de perfection contenant un bref et lucide abrégé de toute la vie spirituelle réduite a ce seul point de la volonté de Dieu, dividido em três partes, in-32, Paris, 1609. Embora o título anunciasse três partes, esta primeira edição não continha a terceira; ela apareceu apenas nas edições posteriores que se seguiram rapidamente, pois encontra-se a «quinta revista e corrigida» desde 1610, in-16, Paris; 6.ª ed., ibid., 1614; 7.ª ed., ibid., 1622. Pode-se ainda citar: Lyon, 1652; Paris, 1648, 1682, 1696.
Traduções: em inglês pelo autor, The rule of perfection, Ruão, 1609; The holy Will of God: a short rule of perfection... traduzido por F. Collins, Londres, 1878; — em latim pelo autor, Regula perfectionis, Paris, 1610; Colônia, mesmo ano; Roma, 1625, 1666; Douai, 1630; Wurzburg, 1741; publicou-se também na mesma língua uma edição abreviada, Regula perfectionis abbreviata, Lucerna, 1649; Munique, 1687, 1701; — em italiano, Regola di perfettione, Veneza, 1616; Roma, 1649; esta tradução, feita sobre um texto incompleto e falho, deu ao P. Modesto de Roma, capuchinho, ocasião de publicar uma nova, Viterbo, 1667; — em flamengo, Den Reghel der Volmaccktheyt, Antuérpia, 1621, 1623, 1631; — em espanhol, pelo cônego de Argenzola, Regla de perfeccion, Saragoça, 1629, 1648; — em alemão, Regel der Vollkommenheit, Constança, 1692; apareceu também na obra de von Besnard, Beitrage zur mystischen Theologie, Augsburgo, 1847, p. 289-439.
Apesar de todas estas edições e do seu sucesso considerável, a Régle de perfection foi incluída nas condenações proferidas pela Inquisição romana contra as obras manchadas de quietismo ou suspeitas de poder favorecer a oração de quietude. A sentença do Santo Ofício, com data de 26 de abril de 1689, foi publicada pelo Index no dia 29 de novembro seguinte. O P. Bento pareceria ter previsto esta condenação; hesitara durante muito tempo em publicar o seu livro, sobretudo a terceira parte, e, ao entregá-la à impressão, declarava que não a deviam ler senão com o consentimento do seu diretor. São Francisco de Sales, ao permitir às suas filhas da Visitação a leitura dos dois primeiros livros, exceptuava o terceiro, «que não sendo bastante inteligível poderia ser entendido mal a propósito pela imaginação das leitoras, as quais, desejando estas uniões, imaginar-se-iam facilmente tê-las, não sabendo sequer o que é». Todavia, como o decreto do Index trazia o título do livro em italiano, não o consideraram como proibido nas outras línguas, tal como provam as edições posteriores à condenação. O título inserido na edição do Index librorum prohibitorum, Roma, 1900, é emprestado da edição de 1682 ou de 1696.
O P. Bento compôs ainda durante o seu cativeiro na Inglaterra: Le chevalier chrestien contenant un dialogue entre un chrestien et un payen, in-4, Paris e Ruão, 1609. Publicou também, juntando-as à Régle de perfection, duas cartas sobre o mesmo assunto, e uma Méthode d’oraison foi inserida após a sua morte em várias edições. Jacques Brousse, La vie, conversion et conversation du P. Benoist de Canfeld, Paris, 1621; Boverius, Annales ord. min. capucinorum, t. 1, ad an. 1610; Bern. de Bolonha, Bibliotheca script. ord. min. cap. P. EDOUARD D’ALENÇON.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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