BAPTISTÉRIOS. A administração solene do batismo exigia locais especiais, bastante vastos para receber a multidão dos batizados nas grandes solenidades das vigílias da Páscoa e de Pentecostes, e contendo piscinas apropriadas à cerimônia. Chamaram-nos batistérios ou, entre os gregos, gwttorneta, lugares de iluminação.
Descobriram-se antigos batistérios em várias catacumbas de Roma. No cemitério de Ponciano, vê-se ainda a bacia escavada em um nicho. Este batistério, ricamente decorado no século VI, continuou a ser empregado na administração do batismo. Certos vestígios permitem acreditar na existência de batistérios análogos nos cemitérios de Santa Priscila e de Santa Felicidade. Neste último, um aqueduto, ainda visível, devia alimentar outrora uma bacia escavada ao pé de uma escadaria e servindo, sem dúvida, de batistério. Em Priscila, uma escadaria conduz a uma cripta que tem a forma de um batistério, embora nada prove que tenha servido para este uso. H. Marucchi, Eléments d’archéologie chrétienne, Roma, 1900, t. 1, p. 68, 304, 366; Id., Nuovo bullett., 1901, p. 71 sq.; J. Zettinger, Die ältesten Nachrichten über Baptisterien der Stadt Rom, em Röm. Quartalsch., 1902, p. 326-349. Ver col. 288.
Mais tarde, quando a Igreja não precisou mais se esconder, construíram-se sub dio edifícios nos quais se conferia o batismo em grande solenidade. O Liber pontificalis recorda, em particular, a construção do batistério de Latrão por São Silvestre (314-335), édit. Duchesne, t. 1, p. 174, 192. H. Marucchi, Eléments, 1902, t. II, p. 93-97. Sobre o batistério do Vaticano, construído por São Dâmaso, ver ibid., p. 118, e sobre o de Santa Sabina, concluído por Sisto III, p. 1484.
Eusébio transcreve o discurso pronunciado para a dedicação da basílica de Tiro, onde se trata de uma oikos megistos especialmente destinada àqueles que, antes de penetrar no templo para ali participar dos mistérios eucarísticos, tinham necessidade de se purificar pela água e pelo Espírito Santo, H. E., x, 4, P. G., t. XX, col. 868; ele designa, sob o nome exédra, edifícios particulares que Constantino se aprouve em erguer ao redor das basílicas, em Nicomédia e em Antioquia, Vita Const., III, 50, ibid., col. 1109, e dos quais um era consagrado à administração do batismo. São Cirilo de Jerusalém fala de topos baptisteriou. Cat., XIX, 2, P. G., t. XXXIII, col. 1068.
O Testamentum D.N.J.C., édit. Rahmani, Mayence, 1899, p. 22, 24, ordena colocar o batistério no átrio que circunda a diaconia. Deve ter vinte e uma côvados de comprimento para prefigurar o número completo dos profetas e doze côvados de largura por causa dos doze apóstolos. Não tem senão uma entrada, mas três saídas, e como o altar, é coberto por um véu.
Os batistérios eram edifícios bastante espaçosos para permitir neles a administração do batismo a um grande número de competentes ao mesmo tempo; de forma octogonal, hexagonal, quadrada ou redonda, possuindo ao centro uma cuba ou piscina, com a água necessária, à qual devia descer o neófito; S. Ambrósio, Epist., XX, 4, P. L., t. XVI, col. 995; Prudêncio, Peristeph., XII, v. 34, P. L., t. LX, col. 562; Sócrates, H. E., V, 22, P. G., t. LXVII, col. 773; S. Isidoro, De offic., II, 25, 4, P. L., t. LXXXII, col. 821; ao mesmo tempo separados do templo, mas bastante próximos dele, e no mesmo recinto, para mostrar que formavam o seu vestíbulo e abriam a sua entrada; dedicados de ordinário a São João Batista, em memória do batismo de Jesus Cristo; ornados com a maior magnificência de pinturas, de mosaicos, de mármores, onde tudo tinha uma significação simbólica.
É assim que a bacia afetava por vezes a forma de um túmulo para recordar o consepulti cum Christo da Epístola aos Romanos; o cervo marcava o desejo que impelia os competentes a se dessedentarem na água da vida e da salvação, S. Jerônimo, In Ps. xli, P. L., t. XXVI, col. 949; o peixe ou o Ἰχθύς designava por seu misterioso anagrama a linhagem dos filhos de Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador: Nos pisciculi secundum Ἰχθύν, diz Tertuliano, De bapt., 1, P. L., t. I, col. 1198; a pomba evocava a lembrança da descida do Espírito Santo ao batismo de Nosso Senhor. Ver, para a arqueologia, Martigny, Dictionnaire des antiquités chrétiennes, art. Baptistère.
São Paulino de Nola, após ter felicitado seu amigo Severo por ter erguido um templo em honra de Deus, propunha-lhe, no início do século V, fazer inscrever no batistério deste templo os versos seguintes, para bem marcar a natureza de tal edifício e o mistério de regeneração que nele se cumpria: Hic reparandarum generator fons animarum Vivum divino lumine flumen agit. Sanctus in hunc celo descendit Spiritus amnem, Cælestique sacras fonte maritat aquas. Concipit unda Deum; sanctamque liquoribus almis Edit ab æterno semine progeniem. Mira Dei pietas! Peccator mergitur undis, Mox eadem emergit justificatus aquæ. Sic homo et occasu felici functus et ortu, Terrenis moritur, perpetuis oritur. Culpa perit, sed vita redit; vetus interit Adam Et novus eternis nascitur imperiis. Ad Sever. Epist., XXXII, 5, P. L., t. LXI, col. 332.
Ignora-se se Severo deu seguimento à ideia que lhe havia sugerido seu amigo; mas é verossímil que São Paulino devesse executar no batistério de sua igreja de Nola o projeto do qual participava a Severo. É certo, em todo caso, que, alguns anos mais tarde, o papa Sisto III (432-440) fez gravar sobre a arquitrave do batistério de Latrão oito dísticos, que expõem o resumo da fé cristã sobre o batismo. Liber pontificalis, édit. Duchesne, t. 1, p. 286. Estes versos são reproduzidos mais acima. Ver col. 243.
São Gregório o Grande proibiu muito formalmente de construir batistérios nos oratórios privados, Epist., l. II, epist. XLIX; l. IX, epist. LXX, LXXXIV, P. L., t. LXXVII, col. 548, 1007, 1015, e mesmo nos mosteiros, Epist., l. III, epist. IX, ibid., col. 657; ordenou que fossem consagrados ao mesmo tempo que as basílicas às quais eram adjacentes. Epist., l. VI, epist. XXII, ibid., col. 813.
Exclusivamente ligados, a princípio, às igrejas catedrais, os batistérios terminaram por se multiplicar. Cada paróquia contou um, onde se celebrava a liturgia batismal, feita a reserva ao bispo do lugar da consignatio ou da administração do sacramento da confirmação. Ver Bingham, Origin. eccles., l. VIII, c. VII, t. II, p. 252 sq.; Liber pontificalis, t. 1, p. 174, 191, 192, 236, 245. J. A. Wedderkamp, De baptisteriis veterum libellus, Helmstadt, 1703; C. V.
Weidling, De baptisteriis veterum christianorum, Leipzig, 1737; Paciaudi, De sacris christianorum balneis, 2ª édit., Roma, 1758; Smith et Cheetham, Diction. of christ. antiq., art. Baptistery, t. I, p. 173 sq.; F. X. Kraus, Real-Encyclopädie der christl. Altert., p. 839 sq.; J. Corblet, Histoire du sacrement de baptême, Paris, 1882, t. II, p. 8-162.
Autor original: G. Bareille
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