BARSANIENSES. Monofisitas egípcios do final do século VI, chamados por vezes de barsanufianos, mas mais frequentemente de semidalitas.
Em 482, Zenão publicou o seu Henoticon, que não era apenas, do ponto de vista católico, a abrogação do Concílio de Calcedônia, mas que lançou a divisão entre os próprios monofisitas. A maioria destes, na sequência de Acácio de Constantinopla, de Pedro Mongo de Alexandria e de Pedro, o Pisoeiro, de Antioquia, subscreveram este manifesto imperial e conservaram as estruturas da hierarquia.
Mas, no Egito, dividiram-se sobre a questão de saber se o corpo de Jesus Cristo tinha sido corruptível; uns, com Severo, decidiram pela afirmativa e formaram a seita dos severianos ou dos ftartolatras; outros, com Juliano de Halicarnasso, decidiram pela negativa e formaram a seita dos julianistas ou aftartodocetas. No século VI, Teodósio abraçou o primeiro destes dois partidos, Gaiano o segundo.
Ao mesmo tempo, os eutiquianos estritos recusaram aceitar as orientações imperiais, separaram-se dos henotistas e permaneceram sem hierarquia, sem batismo solene, sem oblação nem sacrifício, contentando-se em tomar na Páscoa uma pequeníssima parcela das espécies eucarísticas, outrora consagradas pelo patriarca de Alexandria, o eutiquiano Dióscoro: foram estes os acéfalos. É no número destes últimos que se alinham os barsanienses.
Mas, por um lado, estes acabaram por aceitar certas visões dos teodosianos e dos gaianistas, resolveram restabelecer a hierarquia entre si e deram a si mesmos Barsanuphius como bispo. Segundo os acéfalos intransigentes, a ordenação deste bispo era irregular e lembrava o estranho subterfúgio empregado anteriormente para sagrar Isaías, sobre cuja cabeça se tinham contentado em pousar a mão de um santo bispo, chamado Epifânio, que acabava de morrer. Timothée de Constantinople, De recipiendis hereticis, XII, P. G., t. LXXXVI, col. 450.
Por outro lado, à prática da comunhão anual de Páscoa, em uso entre os acéfalos, acrescentaram o emprego da flor de farinha, σεμιδαλίτης, de onde o seu nome de semidalitas. Molhavam a extremidade do dedo nesta flor de farinha e levavam-na à boca. Era todo o seu mistério, toda a sua oblação, toda a sua comunhão, diz São João Damasceno, Hær., LXXXVI, P. G., t. XCIV, col. 756.
Fora desta singular prática, não se encontra, a respeito dos barsanienses, nenhum vestígio da sua atividade intelectual ou da sua influência. Vegetaram, como tantas outras seitas, às margens do Nilo; no início do século IX, por volta de 815, alinharam-se, com dois bispos do seu partido, sob a direção do patriarca jacobita, Marcos de Alexandria, e fundiram-se desde então com os jacobitas. Timothée de Constantinople, Περὶ τῶν προσσερχομένων τῇ ἁγίᾳ ἐκκλησίᾳ ou De recipiendis hæreticis, P. G., t. LXXXVI; Anastase le Sinaïte, Ὁδηγός, P. G., t. LXXXIX; S. Jean Damascène, Περὶ αἱρέσεων, P. G., t. XCIV; Pratéolus (Du Préau † 1588), De vitis, sectis et dogmatibus omnium hæreticorum... elenchus, Colônia, 1581.
Autor original: G. Bareille
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