MOISÉS BAR CEPHA, 813(?)-903, nasceu em Balad, na Mesopotâmia, e foi confiado desde a sua tenra idade a Ciriaco, abade do convento de Mar-Sarkis. Após numerosos anos passados na vida monástica, foi eleito bispo de Beit-Ramman, depois de Beitkionaya, e finalmente de Mossul (por volta de 863). Por ocasião da sua ordenação episcopal, mudou de nome, seguindo o costume dos orientais, e chamou-se Severo, nome sob o qual é conhecido por alguns escritores. Morreu nonagenário, em 903, após quarenta anos de um frutífero episcopado. As suas numerosas obras podem ser divididas em quatro classes: escritos escriturísticos, teológicos, litúrgicos e sermões:
1° Dos seus escritos escriturísticos, resta-nos o Tratado sobre a obra dos seis dias, Bibliothèque nationale, ancien fonds, syr. 120; o Tratado do paraíso, conservado em latim numa tradução de André Masius (1569), ver Assémani, Bibliotheca orientalis, t. 1, p. 128; o Comentário sobre o Gênesis, em extratos, Biblioth. nat., ancien fonds, 35; Bodl. Marsh. 101; os Comentários sobre os Evangelhos, British Museum, add. 17274, e sobre as Epístolas de São Paulo, Bodl. Orient, 703. Há numerosas citações deste Comentário no Tesouro dos mistérios de Bar Hebraeus.
2° As suas obras teológicas compõem-se de um Tratado sobre a alma em quarenta e um capítulos, Vatic. cxLvi1, Assémani, Catalog., t. 1, p. 273-274; de um Tratado sobre a predestinação e o livre-arbítrio, em quatro discursos, British Museum, add. 14731. Estas duas obras são importantes não menos pelo assunto do que pela maneira com que o autor o estuda e o expõe. Temos ainda uma Refutação das heresias, ou, como é chamada por Assémani, Contra as seitas heréticas, Biblioth. orientalis, t. 1, p. 131, 218.
3° Como liturgista, Moisés Bar Cepha deixou-nos numerosas obras. Enumeraremos: a Exposição sobre os sacramentos e a liturgia dos mistérios, citada por Dionísio Bar Salibi; várias exposições ou tratados sobre o batismo e as ordenações, sobre a consagração do crisma e os sacramentos da Igreja. Compilou duas anáforas, das quais uma foi traduzida por Renaudot, Liturgiae orientales, t. 1, p. 391.
4° A coleção das Homilias festais, para todas as festas do ano, Bibliothèque nationale, ancien fonds, syr. 35, 123; British Museum, add. 21210, 17188, parece ter sido, de todos os escritos de Moisés Bar Cepha, a mais difundida entre os orientais. Subsistem, com efeito, numerosas cópias. Possuem-se vários Sermões fúnebres, uma Admoestação aos filhos da Igreja ortodoxa, um Discurso sobre os nomes de Cristo.
As obras perdidas de Moisés Bar Cepha são um Comentário sobre a Dialética de Aristóteles e uma História eclesiástica. M. Nau, Bardesane l'astrologue, Paris, 1899, publicou a tradução francesa de um texto inédito de Moisés Bar Cepha que, segundo ele, reflete as ideias cosmogônicas de Bardesanes.
Moisés Bar Cepha goza de uma justa celebridade entre os escritores que ilustraram no século IX a Igreja jacobita. Tira proveito de uma leitura considerável dos antigos escritores e dos ensinamentos tradicionais da sua Igreja. É citado, por sua vez, como uma séria autoridade pelos escritores posteriores, Dionísio Bar Salibi e Bar Hebraeus. Entre as suas opiniões teológicas, importa reter aquela que ensina o proveito espiritual das ofertas feitas pelos defuntos, opinião consignada no capítulo adicional do Tratado sobre a alma. Encontrar-se-á em O. Braun, Moyses Bar Kepha und sein Buch von der Seele, Fribourg, 1891. Bar Hebraeus, Chronicon ecclesiasticum, t. 11, p. 247; Assémani, Bibliotheca orientalis, t. 1, p. 128, 1380, 218; W. Wright, Catalogue of the syriac mss. in the British Museum, p. 620, 621, 858, 877, 879; Zotenberg, Catalogue des manuscrits syriaques de la Bibliothèque nationale, p. 156, 157, 159, 197; R. Duval, La littérature syriaque, Paris, 1899, p. 78-79, 203, 252, 259, 2838, 391-392; W. Wright, Syriac literature, Londres, 1894, p. 207-211.
Autor original: J. Parisot
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