BALUZE Etienne nasceu em Tulle (Corrèze), em 23 de novembro de 1630. Ali iniciou seus estudos, que continuou no colégio Saint-Martial de Toulouse. Seu gosto pela história eclesiástica era tão pronunciado que, desde a idade de 21 anos, compunha um opúsculo intitulado Anti-Frisonius, Toulouse, 1652, no qual refutava certas asserções da Gallia purpurata de Frison. Como obras de sua juventude, possui-se também dele uma Dissertation sur le temps où a vécu saint Sadroc, évêque de Limoges, in-12, Tulle, 1655, e uma Dissertation sur certaines reliques de la cathédrale de Tulle, in-8°, 1656.
Baluze distinguiu-se sobretudo por seu gosto pela patrologia. Pesquisava os manuscritos dos Padres da Igreja e fazia com que fossem impressos corretamente. Foi assim que entregou ao público as obras de São Salviano de Marselha e de São Vicente de Lérins (1663), de Lupo, abade de Ferrières (1664), de Santo Agobardo, de Leidrado e de Amolo, todos os três arcebispos de Lyon (1666). Na verdade, Papire Masson já havia publicado as obras de Agobardo, em 1605, mas de uma maneira defeituosa. Deve-se citar ainda as edições das obras completas ou de algumas obras de São Cesário, bispo de Arles (1669), de Regino, abade de Prüm, de Rabano Mauro, arcebispo de Mogúncia, de Antônio Agostinho, arcebispo de Tarragona (1672) (edição colocada no índice em 12 de dezembro de 1673), de Lactâncio (1680), de Mário Mercator (1684), enfim de São Cipriano, bispo de Cartago (1726).
Não somente Baluze ocupava-se de edições patrísticas, mas trabalhava ainda na publicação dos trabalhos dos autores da Idade Média: foi assim que editou os Capitularia regum Francorum; addite sunt Marculphi monachi et aliorum formulæ veteres (1677), reeditados primeiramente por Pellegrin, 2 in-fol., Veneza, 1772-1773, depois por P. de Chiniac, 3 in-fol., 1780; as cartas de Inocêncio III (1682); as Vitæ paparum Avenionensium, 2 in-4°, Paris, 1693, obra colocada no índice em 5 de maio de 1698; uma Nova collectio conciliorum, Paris, 1683, da qual apenas o tomo I apareceu; as Miscellanea, 7 in-8°, Paris, 1678-1715, que contêm um número considerável de peças de todo gênero relativas à patrística, à história, à liturgia e ao direito canônico e que foram reeditadas por Mansi, 4 in-fol., Luca, 1761. Baluze escreveu a história de sua cidade natal: Historia Tutelensis libri tres, Paris, 1717. Convém lembrar sua Histoire généalogique de la maison d’Auvergne, 2 in-fol., Paris, 1708.
Estava muito ligado a Pierre de Marca, arcebispo de Toulouse. Quando este último tornou-se arcebispo de Paris, Baluze seguiu-o, ajudou em suas publicações e editou inclusive suas obras póstumas, 1681. Foi assim que foi publicado o De concordia sacerdotii et imperii tratando das liberdades da Igreja galicana e que contou quatro edições, 1663, 1669, 1704; a Marca hispanica, sive limes hispanicus (1688), obra relativa à história da Catalunha; enfim os opúsculos de Pierre de Marca (1681). Baluze foi nomeado conservador da magnífica biblioteca reunida por Colbert.
Todavia, conheceu a adversidade: tendo se ligado ao cardeal de Bouillon, sofreu com ele a desgraça; foi exilado em Lyon, depois em Rouen, em Tours e em Orléans; enfim pôde retornar a Paris e morreu em 28 de julho de 1718, à idade de 88 anos. Este sábio possuía uma rara potência de trabalho e um gosto pouco ordinário pelas ciências eclesiásticas. Foi assim que, no próprio dia de seu casamento, encontrou algumas horas para consagrar aos seus estudos. Haveria, ao que parece, alguma sombra neste quadro; certos manuscritos, emprestados por ele, não teriam sido devolvidos; apesar desta falta, assim como de seu apego exacerbado à igreja galicana, Baluze não deixa de ser um dos grandes eruditos do século XVII, quase o igual de Mabillon e o emulo desses beneditinos de Saint-Maur que, nos séculos XVII e XVIII, levaram a ciência histórica a um nível desconhecido até então.
Autobiografia no início da Bibliotheca Baluziana, Paris, 1719; E. du Pin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, 1720, t. 1; Nicéron, Mémoires pour servir à l’histoire des hommes illustres, 1727, t. 1, p. 459-471; Baluze, Miscellanea, edit. Mansi, 1761, no início do t.1; Vitrac, Éloge de Baluze, Paris, 1777, com retrato; Deloche, Étienne Baluze, sa vie et ses œuvres, Paris, 1856; L. Delisle, Le cabinet des manuscrits de la Bibliothèque impériale, Paris, 1868, t. 1, p. 364-367, 445-473; Id., Bibliothèque de l'École des chartes, 1872, p. 187-195; Bulletin de la Société des lettres de la Corrèze, t. III, p. 98, 457; t. IV, p. 548; t. V, p. 160; t. VI, p. 645; t. IX, p. 160-168, estudo de R. Fage, publicado à parte sob o título, Les œuvres de Baluze cataloguées et décrites, Tulle, 1882; Lefranc, Histoire du collège de France; Quentin, Jean-Dominique Mansi et les Grandes collections conciliaires. Étude d’histoire littéraire suivie d’une correspondance inédite de Baluze avec le cardinal Casanate, Paris, 1901; C. Godard, De Stephano Baluzio Tutelensi, libertatum ecclesiæ gallicanæ propugnatore, in-8°, Paris, 1901; Id., L’honnêteté d’Étienne Baluze, in-8°, Tulle, s. d.
Autor original: J.-B. MARTIN
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