BAILLET Adrien, hagiógrafo e erudito francês, nascido em La Neuville-en-Hez, aldeia nos arredores de Beauvais, em 13 de junho de 1649, realizou seus primeiros estudos junto aos cordeliers, no convento de La Garde, e continuou-os no colégio de Beauvais, onde professou durante algum tempo as classes de gramática. As línguas e a história já eram sua especialidade. Tendo recebido as ordens em 1676, exerceu durante quase quatro anos diversas funções do ministério paroquial sem renunciar, contudo, aos seus estudos favoritos. Uma circunstância muito oportuna veio devolvê-lo mais exclusivamente à sua paixão "livresca" e fixou definitivamente sua vocação de escritor: foi nomeado bibliotecário do célebre Lamoignon e exerceu seu novo cargo com zelo e talento até o fim de uma vida que abreviou por excessos de trabalho e de austeridade; morreu em 21 de janeiro de 1706.
Toda a sua vida foi preenchida pela leitura ou pela composição. Seus trabalhos, tão variados quanto numerosos, trazem todos a marca de uma erudição muito extensa, mas infelizmente apressada demais e muito propensa ao exagero. Aqueles que interessam mais diretamente à teologia ressentem-se particularmente desses graves defeitos. Neles lamenta-se também uma complacência intencional para com as doutrinas jansenistas e para com as teorias de Richer.
A obra capital de Baillet, Les vies des saints, composées sur ce qui nous est resté de plus authentique et de plus assuré dans leur histoire, disposées selon l’ordre des calendriers et des martyrologes, avec l’histoire de leur culte et l’histoire des autres fêtes de l’année, 3 in-fol. ou 12 in-8°, Paris, 1701, é, em muitos pontos, de uma crítica exagerada, hypercriticus. A palavra é dos bollandistes. Bento XIV, De festis, l. II, c. xvi, n. 8, observa igualmente o partido tomado por Baillet contra as lendas e mesmo contra os fatos históricos mais bem estabelecidos. É essa falta de medida que fez colocar no Index, por dois decretos sucessivos, de 5 de setembro de 1707 e de 15 de setembro de 1711, os tomos I e II das Vies des saints, contendo os meses de janeiro a agosto e, consequentemente, a maior parte da coleção. Contudo, não se pode recusar ao autor uma soma prodigiosa de erudição. Os documentos amontoados nesta enciclopédia hagiográfica conservam sua utilidade para os trabalhos desse gênero.
Publicou-se, em Paris, em 1701, um Abrégé des Vies des saints, in-fol., que contém a Histoire des fêtes mobiles dans l’Église, seguindo a ordem dos domingos e das festas da semana; as Vies des saints de l’Ancien Testament, dispostas segundo a ordem dos martirológios e dos calendários, com a história de seu culto conforme ele foi estabelecido ou permitido na Igreja Católica; Topographie des saints onde se relatam os lugares que se tornaram célebres pelo nascimento, a morada, a morte, o sepultamento e o culto dos santos; Chronologie des saints onde os pontos principais da vida e da morte daqueles que a Igreja honra com um culto público encontram-se dispostos segundo a ordem dos tempos.
Baillet escreveu ainda, com a mesma intemperança de crítica, um in-12 sobre La dévotion à la Vierge et le culte qui lui est dû, avec l'avis salutaire de la Bienheureuse Vierge Marie à ses dévots indiscrets et une lettre pastorale de M. de Choiseul, évêque de Tournay, sobre esses avisos, Paris, 1694; Tournai, 1712. Desde o seu aparecimento, este livro provocou vivas reclamações. A Sorbonne, longe de condená-lo, censurou o livro de Maria de Ágreda e as práticas que nele estão contidas. Em contrapartida, a S. C. do Santo Ofício, por decretos de 4 de agosto de 1694 e de 6 de julho de 1701, atingiu a segunda obra de Baillet, donec corrigatur. Ao atacar as falsas devoções e os abusos supersticiosos, o erudito havia desajeitadamente estendido suas reprovações a usos autorizados ou pelo menos tolerados pela Igreja. Ele negava também muito categoricamente a Imaculada Conceição e a Assunção gloriosa da Santíssima Virgem.
Além da longa série de escritos polêmicos, históricos e bibliográficos que apareceram sob seu nome ou sob pseudônimos, Baillet compôs enfim um tratado dos deveres de um diretor e da submissão que lhe é devida: De la conduite des âmes, in-12, Paris, 1695.
Abrégé de la vie de M. Baillet, em Jugemens des savants sur les principaux ouvrages des auteurs, 2ª ed., Amsterdã, 1725, t. I, p. XXIII-XLIII; Dupin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, Paris, 1698, t. XVIII, p. 284-296; Journal des savants, t. XXIX, p. 579-595, 627; t. XXXV, p. 208-216; Michaud, Biographie universelle, Paris, 1811, t. III, p. 226; Hurter, Nomenclator literarius, Inspruck, 1893, t. II, col. 887-894.
Autor original: C. Toussaint
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