AUXILIUS, nome verdadeiro ou pseudônimo de um escritor do século IX que compôs vários tratados para sustentar a validade das ordenações feitas pelo Papa Formoso (891-896). Ver Formoso.
Não se sabe com certeza qual era o local de sua origem. Ele se diz estrangeiro em Roma e vindo de um país longínquo. Os críticos conjeturam que ele era francês ou germânico de nação. Seja como for, foi ordenado sacerdote pelo Papa Formoso e, quando as ordenações desse papa foram discutidas sob o pontificado de Sérgio III (904-911), Auxilius esforçou-se por demonstrar a sua validade. Provava, ao mesmo tempo, que a promoção de Formoso ao soberano pontificado tinha sido canônica. Passou de Roma para Nápoles, onde viveu algum tempo, e tornou-se talvez monge em Monte Cassino.
Dois dos seus tratados escritos, um em 908 ou 909 e o outro antes de 912, foram editados pelo padre Morin, Commentarius de sacris Ecclesiae ordinationibus, Paris, 1655, p. 318-378, e reproduzidos na Maxima bibliotheca veterum Patrum, Lyon, 1677, t. xvii, p. 4-22, e por Migne, P. L., t. cxxix, col. 1059-1102. Mabillon acrescentou-lhes um terceiro tratado sobre o mesmo assunto, Vetera analecta, 2ª ed., Paris, 1723, p. 28-52, que se encontra em Migne, P. L., t. cxxix, col. 1103-1112. Finalmente Bianchini, Anastasii bibliothecarii de vitis romanorum pontificum, Roma, 1735, t. iv, in-f°, p. lxxxiv-lxxxv, publicou um fragmento de uma Invectiva in Romani pro Formoso papa, reeditado por Migne, P. L., ibid., col. 823-838.
Eis os títulos dos três primeiros escritos seguindo a ordem da edição de Mabillon: 1° Liber cujusdam requirentis et respondentis, seu Auxilii libellus super causa et negotio Formosi papae; 2° De ordinationibus a Formoso papae factis; 3° In defensionem sacrae ordinationis, qui infensor et defensor dicitur. Este terceiro tratado, que está em forma de diálogo como o primeiro, é do ano 911. É precedido de um prefácio geral, no qual Auxilius resolve negativamente a questão de saber se os ordenandos, que foram ordenados contra a sua vontade, devem ser reordenados, e de um prefácio particular, no qual faz conhecer a ocasião da composição deste tratado. Fê-lo a pedido de Leão, bispo de Nola, ordenado, ele também, por Formoso, e com o objetivo de responder às objeções levantadas contra essa ordenação.
E. Dümmler, Auxilius und Vulgarius. Quellen und Forschungen zur Geschichte des Papsttums im Anfange des zehnten Jahrhunderts, Leipzig, 1866, forneceu, a partir de um manuscrito de Bamberg, com fragmentos novos do tratado De ordinationibus a Formoso papae factis, dois outros tratados: 1° Libellus prior, p. 59-78; libellus posterior, p. 78-95; 2° Libellus in defensionem sacrae ordinationis Stephani episcopi, p. 107-116. Este Estêvão era bispo de Nápoles e tinha sido entronizado por Bento IV, ordenado ele mesmo pelo Papa Formoso.
V. Mansi, Concilia, t. xviii, p. 184-185; Galland, Bibliotheca vet. Pat., t. xiv, p. 844-846; Mabillon, ibid.; Migne, P. L., t. cxxix, col. 1053-1060, 1101-1104; Dupin, Bibliothèque, t. ii, p. 122-127; Ceillier, Histoire, t. xix, p. 517-528; Histoire littéraire de la France, t. vi, p. 474-482; Rivier, op. cit., Leipzig, 1896, p. 402, nota; Revue d'hist. et de littér. relig., t. iii, p. 810-811.
Autor original: E. Mangenot
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