ATTICUS

ATTICUS

ÁTICO ocupou a sede patriarcal de Constantinopla do mês de março de 406 até a sua morte, em 10 de outubro de 425. Nasceu nesta cidade, em Sebaste na Armênia, e foi educado por monges pneumatomaquianos, cuja profissão e fé ele próprio abraçou. Atraído, ainda jovem, a Constantinopla talvez pela ambição, abjurou suas opiniões heréticas e foi ordenado sacerdote. Tornou-se, não se sabe por que, o implacável inimigo de seu bispo, São João Crisóstomo, Pallade, Vita Chrys., c. xi, P. G., t. xlvii, col. 37, do qual foi, junto com Arsácio, o acusador no conciliábulo do Carvalho. Photius, Biblioth., cod. 59, P. G., t. ciii, col. 112.

Sucedeu a Arsácio na sede usurpada da cidade imperial. Como a grande maioria dos fiéis e dos bispos orientais continuava a seguir a comunhão do pastor legítimo, único reconhecido pelo Papa Inocêncio I e pelo Ocidente, Ático provocou contra os «joanitas» todos os rigores do poder. Nada adiantou; mesmo após a morte de Crisóstomo, em 14 de setembro de 407, as assembleias dos subúrbios, refúgio dos verdadeiros fiéis, eram mais frequentadas que as igrejas da cidade, Nicéphore, H. E., l. XIV, c. xxiii, xxvii, P. G., t. cxlvi, col. 1132, 1145; Ático cedeu ao medo e trabalhou então ele próprio para fazer restabelecer o nome do santo bispo nos dípticos das igrejas. Nicéphore, c. xxvi, xxvii, col. 1141, 1144.

Ático foi um dos patriarcas de Constantinopla que mais visaram estender, gradualmente, a influência e as prerrogativas de sua sede sobre as províncias vizinhas da Bitínia, do Oriente e da Ilíria; obteve para esse fim dois rescritos de Teodósio II. Socrate, H. E., l. VII, c. xxv, xxviii, xxxmt, P. G., t. lxvii, col. 793, 801, 821.

No fim de sua vida, seu zelo contra os pelagianos valeu-lhe ser elogiado pelo Papa São Celestino como «um verdadeiro sucessor de São Crisóstomo». Marius Mercator, Commonit., i, 3, P. L., t. xlviii, col. 73-75; S. Prosper, Carmen de ingratis, v. 61-66, P. L., t. li, col. 98-99; Labbe, Concil., t. iii, col. 353, 361, 365, 1073; seu vigor contra as heresias apareceu também em relação aos messalianos, que ele fez expulsar da Panfília. Photius, Biblioth., cod. 52, P. G., t. ciii, col. 89. Sua ortodoxia, reconhecida pelos concílios de Éfeso, Labbe, t. iii, col. 518, e de Calcedônia, t. IV, col. 831, fez esquecer um pouco as sombras morais do início. O historiador Sócrates destaca com razão sua caridade episcopal para com os pobres. Socrate, H. E., l. VII, c. xviii, xxv, P. G., t. lxvii, col. 773, 793. Seu nome encontra-se em diversos menológios.

Desprovidos de ciência como de eloquência, lembrando o rude dialeto de sua pátria, os sermões de Ático não podiam agradar ao ouvido delicado dos bizantinos, na cátedra onde acabara de falar a Boca de Ouro. Sozomène, H. E., l. VIII, c. xxvii; Socrate, l. VII, c. ii, P. G., t. lxvii, col. 1589, 1591, 741; Nicéphore, l. XIII, c. xxix; l. XIV, c. xxvii, P. G., t. cxlvi, col. 1025, 1145.

Ático foi homem de ação muito mais do que escritor. Um tratado De virginitate, endereçado à princesa Pulquéria e suas irmãs, onde o autor combatia antecipadamente a heresia de Nestório, Marcellin, Chronic, P. L., t. li, col. 623; Gennade, De scriptor. eccl., c. lii, P. L., t. lviii, col. 1088, não chegou até nós. São Cirilo de Alexandria louva-o por ter chamado Maria θeotóκov, P. G., t. lxxvii, col. 97. Restam-nos apenas, além das passagens citadas pelos concílios de Éfeso e de Calcedônia, um fragmento teológico, reproduzido de uma carta de Ático a Hesíquio, extraído de Teodoreto, Dialog., ii, P. G., t. lxxxiii, col. 212, uma curta carta ao VI concílio de Cartago (419), servindo de acompanhamento aos cânones de Niceia, Labbe, t. ii, col. 1673, P. G., t. lxv, col. 649-650, as cartas a São Cirilo de Alexandria, Epist., LXXV, P. G., t. lxxvii, col. 347-352, e aos seus diáconos, Nicéphore, l. XIV, c. xxvi, P. G., t. cxlvi, col. 1137-1144, enfim uma outra carta a Calíopio. Socrate, l. VII, c. xxv, P. G., t. lxvii, col. 793.

Acta sanctorum, t. i januar., p. 473-483; t. i august., p. 327-371; P. G., t. lxv, col. 637-650; t. cxi, p. 416-433; Ceillier, t. xii, p. 1707; Tillemont, Mémoires, t. xii, p. 170-205; Baronius, Annales eccl., passim, com as notas de Pagi e de Mansi, ed. Lucques, 1742, t. v, p. 491-498; Bardenhewer, Patrologie, trad. franc., 1899, t. ii, p. 174-178, e 212. ATTON

Autor original: C. Verschaffel

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