AIX-LA-CHAPELLE (Concílios de), Aquisgranensia concilia. A importância desta cidade sob os carolíngios foi a causa da realização de até vinte e dois concílios nela, do século VIII ao século XII. Seguem as datas: 789, 797, 799, 801, 802, 809, 811, 816, 817, 818, 819, 825, 828, 831, 836, 838, 842, janeiro de 860, fevereiro de 860, 862, 1000, 1023, 1032. Seguindo o costume daquela época, a maioria desses concílios foram, ao mesmo tempo, dietas. Diremos apenas algumas palavras sobre os mais importantes.
O concílio de 789, cujas atas não possuímos, foi reunido para receber a comunicação de um capitular de Carlos Magno, ao qual ele sem dúvida conferiu o caráter de lei sinodal. Este capitular está dividido em 81 artigos: os 59 primeiros remetem a antigas ordenações canônicas; os 22 últimos contêm prescrições que não se baseiam em cânones anteriores. As principais prescrições deste capitular dizem respeito aos deveres dos bispos (n. 1, 2, 3, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 19, 24, 25, 44, 56, 59, 69, 70, 71, 81), aos deveres dos padres e clérigos (n. 4, 6, 7, 14, 23, 25, 37, 49, 55, 58, 76), aos monges (n. 14, 23, 26, 27, 52, 72), às virgens (n. 40, 46, 52), à usura (n. 5), à feitiçaria e à adivinhação (n. 18, 64), aos livros a serem lidos nas igrejas (n. 20), à simonia (n. 21, 22), ao ensino da doutrina cristã (n. 32, 60 e seguintes), à obrigação de reconciliar-se com a Igreja em perigo de morte (n. 34), à excomunhão (n. 37), à proibição de contrair novo matrimônio enquanto o cônjuge estiver vivo (n. 43), aos julgamentos dos eclesiásticos (n. 28, 38, 44), aos jejuns (n. 48), às ordenações (n. 50, 57), às escolas (n. 71), aos pesos e medidas falsos (n. 73), às usurpações das abadessas (n. 75) e aos trabalhos servis proibidos aos domingos (n. 80). — O concílio de 799 foi realizado para combater o erro de Félix de Urgel. Ver ADOCIONISMO. — Naquele de 801 promulgaram-se 21 capitulares que resumem todas as obrigações dos clérigos nas paróquias. — No concílio de 802 foram promulgados outros 40, relativos aos direitos do imperador e de seus representantes, bem como às regras a serem seguidas para o governo externo das igrejas e dos mosteiros. — O sínodo de 809 declarou, contra os gregos, que o Espírito Santo procede do Filho assim como do Pai. Adotou, além disso, dois capitulares: o primeiro ainda é relativo às obrigações do clero e à instrução que este deve possuir; o segundo ocupa-se das igrejas e do respeito que lhes é devido, dos dízimos e das funções do santo ministério. — Após outra dieta sinodal realizada em Aix-la-Chapelle em 811, Carlos Magno publicou ainda um capitular no qual retorna, sob a forma de interrogações, às obrigações do clero.
Luís, o Piedoso, não demonstrou menos zelo que Carlos Magno pela disciplina eclesiástica. Em 816 ou 817, fez com que outro concílio de Aix-la-Chapelle adotasse regulamentos para os cônegos, De institutione canonicorum, conformes à regra de São Crodegando, bispo de Metz no século VIII, e regulamentos para as cônegas, De institutione sanctimonialium, redigidos no mesmo espírito. — Em 836, um grande sínodo reuniu-se novamente na mesma cidade. As atas deste sínodo contêm três capítulos: um primeiro sobre a vida dos bispos; um segundo sobre a ciência dos bispos e sobre a vida e ciência dos clérigos inferiores; o terceiro contém exortações para o imperador e seus servidores. Os bispos redigiram igualmente, neste concílio, uma longa memória endereçada a Pepino, filho de Luís, o Piedoso, para obter a restituição dos bens que haviam sido tomados da Igreja.
Os três sínodos realizados em Aix-la-Chapelle em janeiro de 860, fevereiro de 860 e em 862 trataram da questão do divórcio do rei Lotário.
Mansi, Conciliorum collectio, t. XIII-XV, Florença, depois Veneza, 1767 e seguintes; Hefele, Histoire des conciles, tradução Leclercq, Paris, 1940, t. III, IV, V.
Autor original: A. VACANT
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