Teólogo católico alemão e historiador da Igreja (1808-1878). Nascido em Ohlau (Silésia) em 29 de junho de 1808, realizou seus estudos em Breslau e Bonn (1830-1833) e tornou-se professor particular em Aachen. Ordenado sacerdote em Colônia em 4 de julho de 1834, recebeu o título de doutor pela academia de Münster em 1835, sendo professor de história eclesiástica e exegese em Poznań (1836-1844) e, posteriormente, em Hildesheim. Tornou-se finalmente, em 1853, professor na Universidade de Friburgo em Brisgóvia, onde permaneceu até sua morte (1º de março de 1878).
Deixou uma obra teológica e histórica considerável. Sua tese de doutorado versa sobre os princípios da exegese católica: Explanatio catholicorum systematis de interpretatione Litterarum sacrarum, Münster, 1835. Partidário e defensor do arcebispo Martin de Dunin no caso dos casamentos mistos, publicou em 1841 o seu Lehrbuch der Kirchengeschichte, que teve nove edições entre 1840 e 1872 e foi traduzido para sete línguas estrangeiras, inclusive o armênio. A edição francesa desta História da Igreja, em 4 volumes, foi reimpressa em 1881. Ver Bulletin critique, 1882, p. 226. A obra, muito notável para a época devido à erudição e imparcialidade do autor, foi tão difundida entre os católicos quanto o manual análogo de Hase entre os protestantes. Foi seguida em 1866 pelo Handbuch der Patrologie (3ª edição em 1876), que apareceu em francês em 1877: Patrologie, traduzida por P. Bélet, Paris, in-8° de 736 páginas. O autor dividiu o seu assunto em épocas: literatura cristã das origens até cerca do ano 150; literatura antinicena de 150 a 325; apogeu da literatura patrística, do Concílio de Niceia até a morte de Leão, o Grande (461); período de decadência, mais ou menos prolongado segundo as regiões, estendendo-se até São João Damasceno entre os gregos, até São Gregório, o Grande, entre os latinos (604) e Alcuíno entre os germânicos. Para cada escritor, o autor fornece, tanto quanto possível, uma breve biografia, uma revisão rápida das obras e, se for o caso, uma exposição sucinta do conjunto das teorias filosóficas, teológicas e morais. Estas exposições, muito breves, condensadas e concisas, mas densas e substanciais, repletas de conteúdo bem digerido, suprem a insuficiência das análises especiais das obras, que o autor teve de evitar muitas vezes para não ultrapassar os limites da sua estrutura. As descobertas de textos antigos e a multidão de trabalhos recentes sobre o conjunto da literatura cristã já não permitem limitar-se unicamente à patrística de Alzog. Contudo, este volume foi, durante quase vinte anos, o melhor livro do gênero e dessas dimensões disponível para o clero. Muitas páginas excelentes sobre a doutrina dos Padres não envelheceram.
Em 1868, Alzog publicou em Mogúncia um resumo da sua história da Igreja: Grundriss der universal Kirchengeschichte. Nesse meio tempo, escrevia artigos para diversas revistas, colaborava no Kirchenlexikon, verdadeira enciclopédia teológica da Alemanha católica, e publicou a apologia de São Gregório de Nazianzo, Oratio apologetica de fuga, que teve duas edições.
Pio IX convocou-o a Roma em 1869 para participar da preparação do Concílio do Vaticano. Na Alemanha, recebeu o título de conselheiro eclesiástico. Todavia, a sua influência foi sobretudo de ordem intelectual. Foi, depois de Moehler, um dos grandes artífices da escola teológico-histórica da Alemanha católica e um dos autores do despertar da teologia positiva. A pureza da sua ortodoxia aliava-se a uma sincera moderação de julgamento em relação aos protestantes, que lhe prestaram numerosas marcas de estima.
F. X. Kraus, Gedächtnissrede auf Johannes Alzog, 2ª edição, Friburgo em Brisgóvia, 1879.
Autor original: H. Hemmer
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