ALEXANDRE DE LYCÓPOLIS. Escritor do final do século III, dito de Lycópolis, seja porque nasceu no Egito, nessa cidade da Tebaida, seja porque foi seu bispo, após ter passado do paganismo ao maniqueísmo e do maniqueísmo ao cristianismo. Tendo vivido com os familiares de Manes e abraçado sua doutrina, foi um daqueles que reconheceram sua heterodoxia e a refutaram solidamente. Photius, Cont. manich., I, 11, P. G., t. ci, col. 833. Compôs um tratado, que traz o título: Ἀλεξάνδρου Λυκοπολίτου πρὸς τὰς Μανιχαίου δόξας. Nada indica que o tenha escrito após sua conversão; contudo, percebe-se que sua simpatia é voltada ao cristianismo. Ele constata, primeiramente, que a filosofia dos cristãos é simples e eficaz, como a experiência comprova, para a prática do bem e do honesto; em seguida, que existem espíritos, ávidos por novidades, amigos da contenda, que buscam rivalizar em sabedoria, superar uns aos outros, mas que, por não possuírem uma regra, ultrapassam os limites e caem no erro. Ora, um desses espíritos é Manes. Ele conhece sua teoria; detém-na em primeira mão; chegou a compartilhá-la e compreende a sedução que ela exerce sobre pessoas que aceitam as doutrinas sem exame, e até mesmo sobre filósofos como ele e seus antigos companheiros. Mas ele se libertou a tempo. No momento de expô-la, admite a dificuldade de refutar autores que não possuem princípio fixo, não trazem provas, contentam-se com afirmações (5) e até mesmo com simples alegações poéticas (10). Tomando, um a um, todos os pontos do maniqueísmo, ele os condena em nome da filosofia como ilógicos, contraditórios e absurdos. — Este pequeno tratado de 26 capítulos, qualificado de libellus aureus por Allatius, In Eusth. Hexaem., P. G., t. xviii, col. 821, não deixou de exercitar a paciência de estudiosos como H. Valois e Combefis, tamanha a dureza de seu estilo e a obscuridade, por vezes, de seu pensamento. Tem, pelo menos, o mérito de ter sido inspirado por um espírito verdadeiramente científico, de estar em contato imediato com o erro atacado e de combatê-lo vitoriosamente em nome da razão, μετὰ λόγου. É uma obra a ser consultada para a história e a refutação do maniqueísmo.
Photius, Cont. manich., I, 14, P. G., t. ci, col. 837; Alex. Lyc., P. G., t. xviii, col. 442-448; Beausobre, Hist. du manich., p. 235-237; Brinkmann, Alexandri Lycop. contra Manichaei opiniones disputatio, Leipzig, 1895.
Autor original: G. Bareille
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor