ALCUÍNO DE YORK

São Domingos

I. Sua vida. II. Seu papel. III. Suas obras.

I. Sua vida. — Alcuin, Alewinus, Alevinus, Alcuinus, ou, como ele mesmo se chamava ao conferir ao seu nome uma forma mais latina, Albin, Albinus, nasceu próximo a York, de uma nobre família anglo-saxã, por volta do ano 735. Foi educado na escola episcopal de York. Mabillon, Acta sanctorum ordinis sancti Benedicti, t. IV, 1ª parte, Paris, 1677, p. 163, tentou demonstrar que esta igreja era servida por beneditinos e que o jovem Alcuin foi agregado à ordem de São Bento. Outros ainda admitiram o beneditinismo de Alcuin, por exemplo, Weiss em seu Lyceum benedictinum seu de sancto Alcuino aliisque bonarum litterarum ex ordine sancti Benedicti professoribus publicis historia, Paris, 1630. A opinião deles não repousa sobre provas sólidas.

Alcuin teve como mestres o arcebispo Egbert e Aelbert, homem de saber e renome, grande amigo dos livros. O progresso do discípulo foi tal que Aelbert, sobretudo a partir do momento em que se tornou arcebispo de York (766), associou-o à direção da escola. Alcuin foi ordenado diácono em data desconhecida: permaneceu assim por toda a vida. Ignoramos também a data de uma missão junto a Carlos Magno. Após a morte de Aelbert, Eanbald, seu sucessor, encarregou Alcuin de ir a Roma (por volta de 780), a fim de obter-lhe o pálio. Ao retornar, Alcuin encontrou (781), em Parma, Carlos Magno, que o pressionou a vir à França tão logo sua missão estivesse concluída. Foi o que ocorreu: Alcuin estabeleceu-se junto a Carlos Magno, não sem antes obter um licença temporária de seu rei e de seu arcebispo. Foi recebido com honra: Carlos Magno deu-lhe as abadias de Ferrières e de Saint-Loup de Troyes, e confiou-lhe a tarefa de reanimar o cultivo das letras.

Por volta de 790, em conformidade com sua promessa, Alcuin retornava à Inglaterra, onde talvez tenha tratado da paz entre Carlos Magno e o rei da Mércia, Offa. Encontramo-lo na França em 793; fora chamado por Carlos Magno para combater o adocionismo. Em 794, assistiu ao concílio de Frankfurt. No concílio de Aix-la-Chapelle (799), triunfou sobre a obstinação de Félix de Urgel. Em 796, Alcuin havia sido nomeado abade de Saint-Martin de Tours. Até 801, residiu ora na corte, ora em Saint-Martin; mais feliz do que em seus projetos de retiro anteriores, obteve de Carlos Magno, a partir de 801, a autorização para fixar-se definitivamente em seu mosteiro. Trabalhou para reformá-lo, com o concurso de seu amigo, São Bento de Aniane, e lá estabeleceu uma escola famosa. Faleceu em 19 de maio de 804.

Seu zelo pela fé e sua virtude séria valeram-lhe, da parte de alguns escritores eclesiásticos, o título de santo. Rabano Mauro, discípulo de Alcuin, inscreveu-o em seu martirológio. P. L., t. CX, col. 1146. Cf. Bolandistas, Acta sanctorum, maio t. IV, Paris, 1866, p. 333; Corblet, Hagiographie du diocèse d’Amiens, t. I, Paris, 1869, p. 98. Todavia, não parece ter sido objeto de um culto público.

II. Seu papel. — Alcuin foi, «por assim dizer, o primeiro-ministro intelectual de Carlos Magno.» Guizot, Histoire de la civilisation en France, nova ed., t. I, Paris, 1853, p. 167. Não era um gênio criador. Suas obras de teologia ou de filosofia não apresentam nada de muito original: ele usa e abusa do método das deflorationes, que foi tão prestigiado na Idade Média. Mas ele foi o dispensador do saber das gerações precedentes. «Seu papel consistiu em manter os espíritos de seu tempo no nível daqueles dos séculos passados, retomando o fio da tradição literária e reconduzindo-os ao estudo das duas antiguidades.» G. Kurth, Les origines de la civilisation moderne, 3ª ed., t. II, Bruxelas, 1892, p. 298.

Ao deixar a escola episcopal de York, dirigiu esta schola palatina, onde teve como alunos Carlos Magno, seus filhos e filhas e os altos personagens da corte, sendo a alma desta academia cujos membros, segundo um uso que provavelmente implantou da Inglaterra, designavam-se por nomes tomados da Grécia, de Roma ou da Bíblia (Carlos Magno chamava-se David e Alcuin, Flaccus). Pelo caráter enciclopédico de seu ensino, por sua habilidade em estimular as inteligências, por sua colaboração ativa com Carlos Magno na obra de difusão dos estudos, exerceu uma ação profunda. Comunicou o gosto por esses livros que chamava graciosamente de «flores com perfumes de paraíso», Epist., XII, P. L., t. C, col. 208; multiplicou as cópias, sobretudo por meio de sua escola de Tours. Cf. L. Delisle, Mémoire sur l’école calligraphique de Tours au IXe siècle, nos Mémoires de l’Institut national de France. Académie des inscriptions et belles-lettres, t. XXXII, 1ª parte, Paris, 1886, p. 29-51. Não apenas foi o mestre de Carlos Magno e seu inspirador ou, ao menos, seu auxiliar nas medidas adotadas para aumentar o número e o prestígio das escolas; mas também o aconselhou em todos os grandes interesses de seu reino e em suas relações com a Igreja. Carlos Magno recorreu a ele em particular para levar a bom termo sua reforma litúrgica: pediu-lhe nomeadamente a correção do lecionário, assim como nos ensina uma nota de um manuscrito de Chartres, hoje desaparecida, mas que nos foi conservada por Mabillon, Annales ordinis sancti Benedicti, t. III, Lucca, 1789, p. 305.

Quanto à correção da Bíblia, devida igualmente a Alcuin, quer tenha sido ou não «uma obra privada muito mais que oficial», Alcuin, ao executá-la (de 799 aproximadamente a 801), entrava nos planos de Carlos Magno, que amava a unidade em tudo. Até então, os textos bíblicos apresentavam «um misto desolador de textos excelentes e de textos deploráveis, algumas vezes duas traduções do mesmo livro justapostas, as antigas versões misturadas à Vulgata em uma confusão indizível». Graças a Alcuin, «a única Bíblia em uso foi a versão de São Jerônimo e as antigas versões desapareceram». S. Berger, Histoire de la Vulgate pendant les premiers siècles du moyen âge, Paris, 1893, p. xv, xvi.

Hauréau, Histoire de la philosophie scolastique, t. I, Paris, 1872, p. 123, 126, estima que Alcuin não é, «propriamente falando, senão um gramático», aliás muito útil, mas que «não é um filósofo». De verdade, Alcuin não pensa quase por si mesmo. Todavia, sua influência foi considerável em filosofia, e é com razão que M. Picavet, De l'origine de la philosophie scolastique, Paris, 1889, p. 267, olha-o como «o verdadeiro autor da renascença filosófica na França e na Alemanha». Alcuin introduziu, na escola do palácio, o trivium e o quadrivium; seus livros serviram de base, muito tempo após ele, ao ensino científico; se seu fundo é chato, sua forma dialogada é sugestiva, e o lugar que é assinalado à dialética preparava o desenvolvimento da filosofia escolástica, cujo nome mesmo parece vir das escolas, scholae, fundadas por ele ou sob seu impulso.

III. Suas obras. — 1° Teologia; 2° Escritura Santa; 3° Liturgia; 4° Filosofia; 5° Ensino; 6° Hagiografia; 7° Poesia; 8° Cartas; 9° Obras duvidosas e apócrifas.

I. TEOLOGIA. — Nós temos de Alcuin sobre a Trindade: 1. De fide sanctae et individuae Trinitatis libri III, P. L., t. CI, col. 14-58, compostos após 800 e tirados em grande parte de Santo Agostinho; — 2. De Trinitate ad Fredegisum quaestiones XXVII, P. L., t. CI, col. 57-64.

Alcuin marcou na teologia, sobretudo por sua luta contra o adocionismo. Ver este termo. Ele escreveu: 3. cerca de 793, Libellus adversus heresin Felicis, P. L., t. CI, col. 87-120; — 4. cerca de 794, Adversus Felicem libri VII, P. L., t. CI, col. 127-230; — 5. cerca de 800, Adversus Elipandum libri IV, P. L., t. CI, col. 243-300.

Alcuin ocupa-se ainda do adoopcionismo em um certo número de cartas; uma delas, desconhecida da Patrologia de Migne, foi publicada por M. Loewenfeld, Bibliothèque de l'école des chartes, t. XLII, 1881, p. 10-41, e por M. E. Duemmler, Monumenta Germaniae historica. Epistolarum t. IV Karolini aevi, t. II, Berlin, 1895, p. 258-259.

Frequentemente a correspondência de Alcuin toca nas questões teológicas. Por exemplo, ele expõe como as palavras substância, essência, subsistência e natureza convêm à Trindade. P. L., t. C, col. 407-409. Eis os pontos mais interessantes que aí se encontram indicados:

Alcuin descreve as cerimônias do batismo. P. L., t. CI, col. 611-614; cf. t. C, col. 292. Ele condena o uso de invocar a santa Trindade a cada imersão, mas ele se engana quando considera as três imersões como essenciais, P. L., t. C, col. 289, 342; a controvérsia sobre a necessidade de uma tripla imersão foi decidida pelo concílio de Worms (868). Labbe e Cossart, Sacrosancta concilia, t. VIII, Paris, 1671, col. 946. Alcuin insiste sobre o desejo de usar de doçura em relação aos infiéis da Alemanha e de não forçar ninguém a receber o batismo. P. L., t. C, col. 188, 195, 204.

Ele ensina a transubstanciação em uma carta a Paulino de Aquileia. P. L., t. C, col. 203; cf. col. 289. A Confessio fidei, part. IV, P. L., t. CI, col. 1087-1091, é ainda mais explícita sobre isso; mas, se a Confessio remonta ao tempo de Alcuin, sua atribuição ao abade de Saint-Martin de Tours é ao menos muito duvidosa. Ele requer, para o sacrifício eucarístico, o pão ázimo e repele, como contrário ao costume da Igreja universal e à autoridade de Roma, o emprego do sal na hóstia. P. L., t. C, col. 289.

Em uma longa carta, Alcuin refuta um erro que se espalhara no Languedoc, e segundo o qual os leigos não eram obrigados a se confessar aos padres. P. L., t. C, col. 337-341; cf. t. CI, p. 549-656.

Assinalemos ainda textos preciosos sobre a autoridade da Igreja romana, por exemplo, P. L., t. C, col. 293, — em favor da intercessão dos santos, de suas relíquias, dos sufrágios pelos mortos, do purgatório, por exemplo, P. L., t. CI, col. 177, 181, 449, 474; t. CI, col. 831-832, — contra a opinião, que não será condenada senão mais tarde, daqueles que remetiam após o juízo final a visão beatífica, P. L., t. C, col. 342, — contra diversas superstições. P. L., t. C, col. 450.

II. ESCRITURA SANTA. — As obras exegéticas de Alcuin são: 1. Interrogationes et responsiones in Genesin, P. L., t. C, col. 516-566; cf. col. 565-570; — 2. Enchiridion seu expositio pia ac brevis in psalmos penitentiales, in psalmum CXVIII et graduales, P. L., t. C, col. 570-638; — 3. Compendium in Canticum canticorum, P. L., t. C, col. 641-664; cf. col. 663-666; — 4. Commentaria super Ecclesiasten, P. L., t. C, col. 667-722; — 5. Interpretationes nominum hebraicorum progenitorum D. N. Jesu Christi, P. L., t. C, col. 725-734; — 6. Commentaria in sancti Joannis evangelium, P. L., t. C, col. 743-1008; cf. col. 737-744; — 7. Tractatus super tres sancti Pauli ad Titum, ad Philemonem, et ad Hebraeos epistolas, P. L., t. C, col. 1009-1084; cf. col. 1083-1086. Ver também três cartas, P. L., t. C, col. 422, 428, 476.

Sobre a recensão da Bíblia por Alcuin, cf. Mangenot, Dictionnaire de la Bible, t. I, Paris, 1892, p. 344-342, e adicionar às fontes que ele cita S. Berger, Histoire de la Vulgate, p. xv-xviii, 185-242.

III. LITURGIA. — A parte de Alcuin na constituição dos livros litúrgicos está longe de estar perfeitamente estabelecida. Migne publicou: 1. Liber sacramentorum, P. L., t. CI, col. 445-466. Alcuin afeta missas a cada dia da semana, por exemplo, para o domingo, as missas de sancta Trinitate, de gratia Sancti Spiritus postulanda, e sancti Augustini: nisso ele foi seguido nos sacramentários posteriores. Cf. L. Delisle, Mémoire sur d'anciens sacramentaires em Mémoires de l'Institut national de France. Académie des inscriptions et belles-lettres, t. XXXII, 1re part., Paris, 1886, p. 117, 247, 286; — 2. De psalmorum usu liber cum variis formulis ad res quotidianas accomodatis, P. L., t. CI, col. 465-508; — 3. Officia per ferias seu Psalmi secundum dies hebdomadae singulos quibus in ecclesia cantantur dispositi, cum orationibus, hymnis, confessionibus et litaniis, P. L., t. CI, col. 509-612; — 4. Do lecionário corrigido por Alcuin, sob convite de Carlos Magno, existem vários manuscritos, dos quais o mais notável é o número 24 da biblioteca de Chartres, que parece ter sido copiado sobre o original mesmo estabelecido por Alcuin. Cf. S. Berger, Histoire de la Vulgate, p. 188; Omont, A. Molinier, Coudere et Coyecque, em Catalogue général des manuscrits des bibliothèques publiques de France, Départements, t. XI, Chartres, Paris, 1889, p. 41. O lecionário de Alcuin seria aquele que foi publicado por Pamelius, Liturgica latinorum, t. II, Colônia, 1571, p. 1-63: cf. dom Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, t. XII, Paris, 1862, p. 206. — 5. O biógrafo contemporâneo de Alcuin diz, Vita, c. XII, n. 24, P. L., t. C, col. 1038: Collegit multis de patrum operibus homeliarum duo volumina. É quase certo que o segundo desses dois volumes está hoje na Biblioteca nacional. Cf. L. Delisle, Bibliothèque nationale. Manuscrits latins et français ajoutés au fonds des nouvelles acquisitions pendant les années 1875-1891, t. I, Paris, 1891, p. 353, e Notice sur les manuscrits disparus de la bibliothèque de Tours pendant la première moitié du XIXe siècle, em Notices et extraits des manuscrits de la Bibliothèque nationale et autres bibliothèques, t. XXXI, 1re part., Paris, 1884, p. 194.

IV. FILOSOFIA. — Temos dois tratados: 1. De virtutibus et vitiis liber ad Widonem comitem, P. L., t. CI, col. 613-638: é uma espécie de manual que Wido deverá sempre ter para conhecer a si mesmo e incitar-se a bem fazer; — 2. De animae ratione liber ad Eulaliam virginem, P. L., t. CI, col. 639-649. Eulalie era, na linguagem da academia do palácio, o nome de Gondrade, prima de Carlos Magno.

V. ENSINO. — Possuímos seis opúsculos em forma de diálogo, salvo o último: 1. Grammatica, P. L., t. CI, col. 849-902; — 2. De orthographia, P. L., t. CI, col. 902-920; — 3. Dialogus de rhetorica et virtutibus, P. L., t. CI, col. 919-950; — 4. De dialectica, P. L., t. CI, col. 951-976; — 5. Pippini regalis et nobilissimi juvenis disputatio cum Albino scholastico, P. L., t. CI, col. 975-980 (Pipino era o filho de Carlos Magno); — 6. De cursu et saltu lunae ac bissexto, P. L., t. CI, col. 981-1002.

VI. HAGIOGRAFIA. — Alcuin compôs em prosa quatro vidas de santos, das quais as três primeiras são apenas retoques de obras anteriores: 1. Scriptum de vita sancti Martini Turonensis, P. L., t. CI, col. 657-664; — 2. Vita sancti Vedasti episcopi Atrebatensis, P. L., t. CI, col. 663-682; — 3. Vita beatissimi Richarii presbyteri, P. L., t. CI, col. 681-694; — 4. De vita sancti Willibrordi Trajectensis episcopi libri II, P. L., t. CI, col. 693-724. O segundo livro é em versos.

VII. POESIA. — Alcuin fez muitos versos, P. L., t. CI, col. 725-848, em geral bastante medíocres, se excetuarmos algumas peças fugitivas bem-sucedidas. São, na maioria, obras de fôlego curto, hinos, inscrições, enigmas, versos morais, etc. Sobre este fundo se destaca, com a vida de são Willibrord, o Poema de pontificibus et sanctis ecclesiae Eboracensis, col. 814-846.

VIII. CARTAS. — Restam-nos quase trezentas cartas de Alcuin. P. L., t. C, col. 189-512. «É com justiça que as olhamos como as fontes mais importantes para a história do tempo de Carlos Magno», diz M. Th. de Sickel, Alcuinstudien, em Sitzungsberichte der K. Akademie der Wissenschaften, t. LXXIX, Viena, 1875, p. 461.

IX. OBRAS DUVIDOSAS E APÓCRIFAS. — As obras de Alcuino foram muito apreciadas na Idade Média, que no-las transmitiu em um grande número de cópias. Atribuíram-lhe, inclusive, escritos que não eram de sua composição e dos quais seria fácil elaborar uma lista bastante longa. Bastará indicar os mais importantes dentre os escritos apócrifos ou duvidosos publicados sob o nome de Alcuino: 1. A Confessio fidei, classificada entre os opera dubia, na P. L., t. CI, col. 1027-1098, não é autêntica; — 2. O Liber de divinis officiis, que figura entre os opera supposita, P. L., t. CI, col. 1173-1286, «não passa de um amontoado de peças díspares, emprestadas de autores diferentes por um copista que viveu bastante tempo depois de Alcuino.» Hauréau, Notices et extraits de quelques manuscrits de la Bibliothèque nationale, t. II, Paris, 1891, p. 59; — 3. O Liber de processione Spiritus Sancti, apresentado como autêntico na P. L., t. CI, col. 64-82, não o é. Cf. E. Duemmler, M. G. H. Epistolarum, t. IV, Karolini aevi, t. II, p. 482; — 4. Os Commentariorum in Apocalypsin libri V, publicados pela primeira vez por Mai e reproduzidos na P. L., t. C, col. 1087-1156, são suspeitos, pois os autores, relativamente recentes, que atribuem a Alcuino comentários sobre o Apocalipse, dizem que ele compôs um e não cinco livros; além disso, o fato de a versão latina do Apocalipse citada ser diferente da Vulgata é algo que suscita dúvidas, quando se recorda dos esforços de Alcuino pelo triunfo da Vulgata; — 5. O Comentário sobre São Mateus foi atribuído a Alcuino, sem provas válidas, por F. Monnier, que editou fragmentos dele, Alcuin et son influence littéraire, religieuse et politique chez les Francs, Paris, 1853, p. 255-261; — 6. Entre as inscrições atribuídas a Alcuino, infiltraram-se algumas peças que não são de modo algum dele. Cf. J.-B. de Rossi, Inscriptiones christianae Urbis Romae septimo seculo antiquiores, t. II, part. 1, Roma, 1888, p. LVI.

Alcuino escreveu os famosos Livros Carolinos? «Muitos indícios levariam a crer nisso», diz Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, Paris, 1909, t. III, § 399. Cf. Jaffé, Bibliotheca rerum germanicarum, t. VI, Monumenta Alcuiniana, Berlim, 1873, p. 220, n. 1. As relações que existiam entre Alcuino e Carlos Magno, o papel de Alcuino no Concílio de Frankfurt (cf. o último cânone do concílio, o 56.º, em Labbe e Cossart, Sacrosancta concilia, t. VII, Paris, 1671, col. 1064), podem autorizar esta hipótese, a qual permanece, contudo, uma hipótese.

I. OBRAS. — As principais edições são as de Duchesne (Quercetanus), 4 vol., Paris, 1617; e de Froben, 2 vol., Ratisbona, 1777; esta última, reproduzida na P. L., t. C e CI. A Bibliotheca rerum germanicarum de Jaffé, publicada pelos Srs. Wattenbach e E. Duemmler, Berlim, 1873, com este subtítulo: Monumenta Alcuiniana, contém: Vita sancti Willibrordi, De patribus regibus et sanctis Euboricae (este é, sob um título melhor, o Poema de pontificibus et sanctis ecclesiae Eboracensis) e Epistolae. A cronologia das cartas de Alcuino, melhorada nesta edição, foi-o ainda mais pelo Sr. Th. de Sickel, de Viena, que estudou os manuscritos das cartas no Sitzungsberichte der K. Akademie der Wissenschaften, t. LXXIX, 1875, p. 461-550, e novamente, mas sem ser estabelecida definitivamente, pelo Sr. E. Duemmler, que reeditou toda a correspondência de Alcuino no Monumenta Germaniae historica. Epistolarum, t. IV, Karolini aevi, t. II, Berlim, 1895, p. 1-498, cf. p. 615. O Sr. E. Duemmler, após ter estudado seus manuscritos no Neues Archiv der Gesellschaft für ältere deutsche Geschichtskunde, t. IV, Hanôver, 1879, p. 118-139, 574-576, reeditou as poesias de Alcuino no Monumenta Germaniae historica. Poetarum latinorum medii aevi, t. I, Berlim, 1881, p. 160-351. O Sr. L. Delisle publicou o índice do segundo volume do homiliário de Alcuino nos Notices et extraits des manuscrits de la Bibliothèque nationale et autres bibliothèques, t. XXXI, 1.ª parte, Paris, 1884, p. 298-312. Para o lecionário, ver acima. Cf., sobre as edições das obras de Alcuino, A. Potthast, Bibliotheca historica medii aevi, 2.ª ed., t. I, Berlim, 1897, p. 33-35.

II. VIDA. — 1.º Fonte antiga: Beati Flacci Alcuini vita, escrita entre 823 e 829 por um monge desconhecido, segundo as indicações de Sigulfo, aluno favorito de Alcuino, publicada na P. L., t. C, col. 89-106. Cf. Bolandistas, Bibliotheca hagiographica latina antiqua et medii aetatis, t. I, Bruxelas, 1898, p. 41.

2.º Trabalhos modernos: K. Werner, Alcuin und sein Jahrhundert, ein Beitrag zur christlichtheologischen Literargeschichte, Paderborn, 1876; A. Ebert, Histoire générale de la littérature du moyen âge en Occident, trad. Aymeric e Condamin, t. II, Paris, 1884, p. 8-11, 17-43, 377-379; E. Duemmler, Zur Lebensgeschichte Alchvins, no Neues Archiv, t. XVIII, 1893, p. 53-70; A. Hauck, Kirchengeschichte Deutschlands, t. II, Die fränkische als Reichskirche, Auflösung der Reichskirche, Leipzig, 1897; Gaskain, Alcuin, his life and work, Londres, 1904; Diction. d’archéologie chrétienne, t. I, col. 1072-1092. Cf. U. Chevalier, Répertoire, Bio-bibliographie, col. 64-65, 2393.

F. VERNET.


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