Ele próprio utiliza indiferentemente este duplo nome — nascido em Ravena por volta do ano 805, sucessivamente abade de Santa Maria ad Blachernas e de São Bartolomeu, na sua cidade natal. Este título de abade, aliás, não implica necessariamente que ele tenha professado votos religiosos e levado a vida monástica. Parece, pelo contrário, que permaneceu como sacerdote secular. Ele mesmo intitula-se simplesmente: hujus Ravennatis Ecclesiæ presbyter. Vita Esuperantii, P. L., t. CVI, col. 525. Ocupava o décimo lugar entre os sacerdotes da Igreja de Ravena no tempo do arcebispo Petronax. Vita sancti Maximiani, P. L., t. CVI, col. 611.
A pedido dos sacerdotes de Ravena, escreveu, por volta do ano 839, uma história dos arcebispos desta cidade. Foi publicada pela primeira vez em 1708, por Bento Bacchini, abade de Santa Maria de Lacroma, da congregação beneditina do Monte Cassino, sob o título: Agnelli qui et Andreas abbatis S. Mariæ ad Blachernas et S. Bartholomei Ravennæ Liber pontificalis seu Vitæ pontificum Ravennatum, Módena, 2 vol. in-4. Bacchini encontrara o texto manuscrito na biblioteca de Reinaldo d'Este, duque de Módena e de Régio, a quem dedica a obra. Este Liber pontificalis abrange a história dos arcebispos de Ravena desde São Apolinário (c. 50-c. 78) até ao pontificado do arcebispo Jorge, contemporâneo de Agnello, onde encerra (835-c. 846). Na abertura, Bacchini colocou um prefácio crítico que constitui um bom estudo de conjunto sobre o autor e a sua obra histórica. Juntou-lhe sete dissertações destinadas a facilitar a compreensão do texto. Fez também seguir cada uma das Vitæ por observações judiciosas, nas quais explica e, ocasionalmente, retifica e completa o relato de Agnello. Finalmente, no apêndice, estão reunidos alguns documentos antigos relativos à história eclesiástica de Ravena.
Muratori, Scriptorum rerum italicarum, t. I, pars II, Milão, 1723, in-fol., p. 1-220, reproduziu, por sua vez, a edição de Bacchini com as suas dissertações, prefácios, notas e apêndices. Acrescentou uma curta introdução e algumas notas. Tivera o cuidado de rever o texto de Agnello sobre o manuscrito da própria biblioteca d'Este, o que lhe permitiu corrigir alguns erros e preencher algumas lacunas de Bacchini. A P. L. de Migne, t. CVI, col. 429-842, reproduz a edição de Muratori.
No seu prefácio, Bacchini observa, com razão, que a obra de Agnello deixa a desejar, não apenas do ponto de vista da elegância e da correção do estilo, mas também da exatidão. Nela encontram-se confusões de datas, de pessoas e de eventos. O autor pouco faz além de compilar o que viu, leu ou ouviu. Aos factos históricos, mistura frequentemente anedotas pueris e fábulas inverosímeis. Sobretudo, o seu relato carece de imparcialidade. Persegue com o seu ressentimento os arcebispos de Ravena de quem teve pessoalmente que se queixar, bem como os pontífices romanos, contra os quais defende em todas as circunstâncias as pretensões da sé de Ravena. Todas as suas simpatias pendem para os partidários do cisma. Contudo, feitas estas ressalvas, deve reconhecer-se que a obra de Agnello não deixa de ser muito preciosa e útil para a história da Igreja de Ravena e das suas relações com Roma.
Consultar sobre Agnello, além da sua própria obra, onde fala de si mesmo em diversas ocasiões, os prefácios de Muratori e de Bacchini, na abertura da edição do Liber pontificalis reproduzida pela P. L., t. CVI, col. 431-436, 435-450; Fabricius, Bibliotheca latina mediæ et infimæ ætatis, Pádua, 1754, t. I, p. 30-34; Casimir Oudin, Commentarius de scriptoribus ecclesiæ antiquis, t. II, Leipzig, 1722, col. 156-167; Acta eruditorum anno 1710 publicata, Leipzig, 1710, p. 330-336; Journal des savants para o ano 1710, Paris, 1740, p. 549-552.
Autor original: L. JÉRÔME
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor