ÁFRICA (MISSÕES CATÓLICAS DA)

ÁFRICA (MISSÕES CATÓLICAS DA)

AFRICA (Missões Católicas da). — I. Egito. II. Etiópia. III. Países berberes. IV. O restante da África até a primeira metade do século XIX. V. Desenvolvimento das missões da África. VI. De 1848 a 1861. VII. Desenvolvimento das missões do oeste. VIII. Desenvolvimento das missões do sul e do leste. IX. Missões no interior da África. X. Estado sumário das missões católicas da África.

A terra da África, cujo norte inteiro fazia parte do império romano, foi uma das primeiras a receber a Boa-Nova: dois evangelistas, São Marcos em Alexandria e São Mateus na Etiópia, pregaram ali e lá morreram; os Padres da Igreja, para citar entre os mais célebres, desenvolveram e defenderam a fé nessa terra; milhares de mártires verteram ali o seu sangue; e houve um tempo em que se contavam 800 sedes episcopais agrupadas em torno da cátedra patriarcal de Alexandria e da metrópole de Cartago. As sucessivas invasões que passaram por essas terras históricas trouxeram-lhe as dissensões religiosas do Baixo Império, depois os cismas e as heresias e, finalmente, para engolir tudo num abismo comum, o Islã. A história detalhada dessas antigas Igrejas, no Egito, Tripolitânia, Tunísia, Argélia, Marrocos, exige artigos especiais. Ver ALEXANDRIE, col. 786-800; ETHIOPIE. Digamos apenas aqui que doze séculos de ruínas e de violências não conseguiram abater a Igreja Católica no norte da África.

EGITO. — O Egito, em particular, com a organização complicada das suas comunidades distintas, apresenta-se a nós como um resto sempre vivo de um passado glorioso muito belo. Nessas populações, a religião, o rito e a língua fundiram-se intimamente, e é graças a essa concepção, que nos surpreende por vezes, que o Islã as encontrou irredutíveis. Todos esses pobres cristãos, dos quais, infelizmente, muitos estão separados da unidade católica, viveram numa situação bastante precária. Mas à medida que a França retomava um lugar mais considerável na terra dos Faraós, ela trazia consigo, e pelo simples fato da sua presença, uma parte sempre maior de segurança e de liberdade. Hoje, encontram-se no Egito as jurisdições seguintes:

1º O vicariato apostólico para os latinos, confiado aos Padres franciscanos da Terra Santa; estende-se por todo o Egito, com exceção do Delta.

2º O vicariato apostólico para os coptas, do qual se ocupa também a prefeitura apostólica do Alto Egito. Esses coptas católicos são de 25 a 30.000, perdidos em meio a 400 a 500.000 dos seus irmãos monofisitas.

3º Os Padres jesuítas da província de Lyon têm por missão um seminário no Cairo e dois colégios, um no Cairo e outro em Alexandria.

4º A prefeitura apostólica do Delta, cedida desde pouco tempo às Missões Africanas de Lyon.

5º As comunidades dos ritos unidos: rito armênio, rito grego-melquita, rito siríaco, rito maronita, rito caldeu. Em resumo, o P. Louvet (Les missions catholiques au XIXe siècle, Desclée, Paris) contava em 1894: latinos, 10.000; coptas, 22.000; armênios, 4.200; gregos-melquitas, 800; sírios, 6.000; maronitas, 4.500; caldeus, 5.000º Total, cerca de 80.000 para todo o Egito. Desde 1894, este número certamente aumentou e não deve ser inferior a 100.000º ETIÓPIA. — Da Igreja de Alexandria, a fé católica irradiou sobretudo para o leste. No século IV, Frumêncio, discípulo de Santo Atanásio, chegou à Etiópia e ali encontrou o rastro da pregação de São Mateus e do eunuco da rainha Candace, batizado por São Filipe. Infelizmente, essa Igreja escapou; nem os jesuítas portugueses, nos séculos XVI e XVII, nem os franciscanos no século XVIII, nem os capuchinhos no início do século XIX, conseguiram trazê-la de volta à verdade. Contudo, em 1839, o Sr. de Jacobis, padre da Missão, com alguns lazaristas seus confrades, tinha por sua vez penetrado na Abissínia. Em 1846, a Santa Sé dividiu o país em dois vicariatos: o da Abissínia, que permaneceu com a congregação de São Lázaro, e o dos Gallas, que foi confiado aos capuchinhos franceses.

Mas a situação permanecia sempre difícil quando a Itália se sentiu impelida a fazer a conquista do país. Esta tentativa, cujas desgraças são conhecidas, teve os dois resultados mais contrários às previsões da política: a constituição em um só império dos diversos reinos da Abissínia — Amhara, Tigré, Choa — sem contar as regiões do sudeste, ocupadas pelos Gallas; e uma liberdade muito maior, que parece doravante assegurada, concedida à ação dos missionários católicos.

Não obstante, a Itália conseguiu guardar um pequeno território ao longo do mar, com o porto de Massawa: é a Eritreia. Esta colônia foi erigida em prefeitura apostólica por decreto de 1 de setembro de 1894 e cedida aos capuchinhos italianos.

III. Países BARBARESCOS. — A oeste, a antiga Igreja de Cartago rivalizava outrora em brilho com a de Alexandria. Caída em 698 sob o poder do Islã, a grande cidade viu as suas 20 basílicas convertidas em mesquitas, e pouco a pouco o cristianismo não foi representado nos Estados barbarescos senão pelos escravos europeus capturados pelos muçulmanos e abandonados à sua sorte pelos príncipes cristãos: em certas épocas, contaram-se, apenas na Tunísia, mais de 200.000 desses infelizes. Após a expedição de São Luís, uma missão foi, contudo, fundada em Túnis e, graças à dedicação das grandes ordens de São Domingos, de São Francisco, dos Trinitários, da Misericórdia e, mais tarde, dos filhos de São Vicente de Paulo, a luz da fé nunca se extinguiu completamente nessas praias.

Esta situação lamentável não mudaria senão a partir do dia em que a França, retomando, sem o saber e sem o querer, a obra das cruzadas, apoderou-se de Argel (1830) e foi forçada, para salvar a honra, a guardá-la, a fortificar-se nela e a estender-se sempre mais, até hoje.

Hoje, pois, graças ao zelo e à atividade do grande cardeal Lavigerie, a sede de Cartago, fundada no século I da era cristã, foi restabelecida por uma bula de Leão XIII, datada de 10 de novembro de 1884. O arcebispo porta o título honorífico de primaz da África e reside em Túnis. Por outro lado, a província eclesiástica da Argélia compreende o arcebispado de Argel (bispado fundado no século IV, restabelecido em 1838, erigido em arcebispado em 1866) e os dois bispados de Constantina e Orã, estabelecidos em 1866.

A leste das possessões francesas, a regência de Trípoli, dependente do império turco, forma uma prefeitura apostólica confiada aos frades menores italianos; a oeste, o Marrocos, igualmente prefeitura, é evangelizado pelos franciscanos de Compostela. Apenas a praça espanhola de Ceuta, em frente a Gibraltar, foi reunida ao bispado de Cádis.

IV. O RESTANTE DA ÁFRICA ATÉ A PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX. — O restante da África tinha caído, na primeira metade deste século, no mesmo estado de langor e de abandono. Isso porque Portugal, que, o primeiro, tinha percorrido essas costas, a oeste e a leste, reservara para si a evangelização exclusiva e porque, efetivamente, após ter organizado missões na Guiné, no Benim, no Congo, em Angola, em Moçambique, etc., tudo foi suprimido pela política tão inepta quanto sectária do marquês de Pombal, em 1759, e dos seus sucessores. Ao expulsar os religiosos que se dedicavam ao apostolado e ao não permitir a ninguém mais substituí-los, Portugal, ao mesmo tempo, arruinou a sua potência colonial e perdeu a sua importância política.

A França daquela época não havia, de resto, feito melhor nas posses africanas que lhe pertenciam e, para completar o quadro, a Holanda e a Inglaterra, em seu fanatismo protestante, haviam acabado nessas costas com o que a Revolução poupara.

No Senegal, contudo, a evangelização fora empreendida por dois padres da antiga Congregação do Espírito Santo, os Srs. Bertout e de Glicourt, que, ao se dirigirem à Guiana, naufragaram no Cabo Branco, foram mantidos em escravidão pelos mouros e conseguiram, enfim, fundar a prefeitura apostólica, em 1779. Alguns padres de São Tiago de Cabo Verde passavam de tempos em tempos pela costa e visitavam os entrepostos da Guiné portuguesa: encontravam-se também às vezes nas ilhas de São Tomé e Príncipe, que formam um bispado dependente da metrópole de Lisboa; mas, de fato, não havia mais, em toda a costa ocidental, em 1845, senão o bispado de São Paulo de Loanda, com 8 a 10 padres, 36 paróquias e 70.000 católicos, segundo uma estatística, mas que não tinham e ainda não têm de "católico" senão o nome. No Cabo, um vicariato apostólico, estabelecido em 1837, abrangia toda a África meridional.

Na costa ocidental, Moçambique fora erigido, por uma bula de 1612 do Papa Paulo V, em prælaturæ nullius dependente diretamente da Santa Sé e compreendendo sob sua jurisdição todo o país situado entre o Cabo da Boa Esperança e o Cabo Guardafui. Mas ali, como na outra costa, à prosperidade sucedera a irremediável decadência. Pelos cuidados de Pombal e de seus sucessores, os jesuítas, os dominicanos e os capuchinhos foram substituídos por deportados de direito comum e o silêncio instalou-se sobre esses países abandonados.

V. RETOMADA DAS MISSÕES DA ÁFRICA. — Todavia, a Providência preparava uma era nova para o grande continente negro: ao mesmo tempo em que as potências da Europa iam partilhá-lo, era necessário que novos apóstolos surgissem para precedê-las ou segui-las. Este movimento, que marcaria o fim do século XIX, foi dos mais modestos em sua origem e partiu do seminário de Saint-Sulpice, em Paris. Havia então naquela casa dois jovens crioulos, os Srs. Frédéric Le Vavasseur, originário da ilha Bourbon, e Tisserand, do Haiti. Tendo visto de perto o lamentável abandono no qual vivia a raça negra, comunicaram essa situação a um de seus superiores, o Sr. Libermann, nascido em Saverne em 1803, e recentemente convertido do judaísmo à fé cristã. Pouco depois, uma nova congregação fundava-se (1841): a Sociedade do Sagrado Coração de Maria, que, reunida mais tarde à do Espírito Santo (1848), tem desde então levado este duplo título.

O primeiro cuidado do fundador, falecido em 1852 e desde então declarado venerável, foi evangelizar os negros das colônias, então ainda submetidos à escravidão, e prepará-los suavemente para a liberdade: o apostolado do P. Laval na Ilha Maurício permaneceu particularmente célebre. Mais tarde, pelos cuidados do P. Libermann, as colônias francesas (Reunião, Martinica, Guadalupe) foram erigidas em dioceses, e a nova sociedade fez sua entrada na terra africana.

Estimulado pela atividade dos protestantes da América, que acabavam de fundar a Libéria, Mons. England, bispo de Charlestown, chamara, desde 1833, a atenção da Propaganda sobre este estado de coisas e o concílio de Baltimore apoiara sua iniciativa. Sete anos depois, um vigário-geral, o Sr. Barron, visitou ele mesmo a costa da África e foi nomeado, em seu retorno, vigário apostólico das Duas Guinés. Mas onde encontrar missionários?

Foi então que, no santuário de Notre-Dame-des-Victoires, em Paris, foi ele providencialmente colocado em contato com o P. Libermann, que se perguntava onde enviar seus filhos, e este forneceu-lhe imediatamente sete cooperadores. As missões da África eram retomadas e não deveriam mais ser abandonadas. Pouco depois, Mons. Barron, desencorajado pelos reveses e pela doença, retirou-se e teve por sucessor o único missionário poupado pela morte nesta primeira expedição, Mons. Bessieux.

VI. De 1848 a 1861. — A leste, o movimento de evangelização partiu de Bourbon. Sucessivamente, dois santos padres da Congregação do Espírito Santo, o Sr. Dalmond e o Sr. Monnet, em 1848 e em 1849, após terem evangelizado as ilhas Santa Maria e Nossi-Bé, foram nomeados vigários apostólicos de Madagascar, mas a morte impediu a ambos de se estabelecerem ali. Foi então (1850) que a missão foi entregue aos Padres da Companhia de Jesus, e sabe-se o bem imenso que fizeram: sem eles, Madagascar seria hoje protestante e inglês. Atualmente, a grande ilha encontra-se dividida em três vicariatos: o centro permanece confiado aos jesuítas, o sul aos lazaristas e o norte aos Padres do Espírito Santo. — Quanto às outras ilhas do oceano Índico, Bourbon forma uma diocese servida pelos padres do seminário das colônias de Paris; Maurício está igualmente erigida em diocese desde 1847 e evangelizada por padres seculares e Padres do Espírito Santo; os Padres do Espírito Santo têm também a prefeitura de Nossi-Bé, de Mayotte e das Comores (1848); e os capuchinhos franceses, a das Seychelles (1852).

Foi de Bourbon, ainda, que partiu o primeiro missionário, o P. Fava, falecido depois como bispo de Grenoble, para levar o Evangelho a Zanzibar (1860). Pouco tempo depois, os filhos do P. Libermann tomavam posse da missão, destacada da prelazia de Moçambique, que se limitava doravante ao Cabo Delgado. A Congregação do Espírito Santo encontrava-se, assim, encarregada da evangelização de todo o continente negro, à exceção dos Estados do norte (Marrocos, Argélia, Tunísia, Trípoli, Egito, Abissínia), do bispado de Loanda, de Moçambique e das colônias inglesas do Cabo e de Natal, onde os Oblatos de Maria haviam, desde 1850, lançado os primeiros fundamentos de missões florescentes.

Mas o impulso apostólico estava doravante dado e, nestes últimos anos, vimo-lo crescer de uma forma inesperada: hoje, a África está dividida em uma quantidade de circunscrições — bispados, vicariatos apostólicos, prefeituras, missões, etc. — e este "assalto aos países negros", neste final do século XIX, recorda a pujança apostólica dos mais belos tempos do cristianismo.

VII. DESENVOLVIMENTO DAS MISSÕES DO OESTE. — Em 1842, a Santa Sé confiava, portanto, aos Padres do Espírito Santo o vicariato apostólico das Duas Guinés, cujo desenvolvimento estendia-se do Senegal ao Orange.

Sucessivamente, estabeleciam-se: 1º o vicariato apostólico do Gabão (1842); o da Senegâmbia (1863); o de Serra Leoa (1858); o do Congo francês (1886); o de Ubangui (1890), que a mesma sociedade conserva, com as prefeituras do Senegal (1779), da Guiné francesa (1897) e do Baixo Níger (1889); 2º a prefeitura apostólica de Fernando Pó, Annobon, Corisco, Elobi e Cabo São João, confiada à congregação espanhola dos Filhos do Coração Imaculado de Maria (1883); 3º o vicariato apostólico de Benim (1870), e as prefeituras da Costa do Marfim (1895), da Costa do Ouro (1879), do Daomé (1882) e do Alto Níger (1884), entregues à Sociedade das Missões Africanas. As conquistas alemãs do Togo, dos Camarões e da colônia do Oeste Africano provocaram a fundação de outras missões confiadas aos missionários de Steyl (1892), aos palotinos do Tirol (1890) e aos oblatos de Maria (1892); enfim, o desenvolvimento rápido do Estado independente do Alto Congo trazia ali, sucessivamente, as missões estrangeiras de Scheut-lez-Bruxelles (1888), os jesuítas (1892) e os padres do Sagrado Coração, de Saint-Quentin (1899).

VIII. DESENVOLVIMENTO DAS MISSÕES DO SUL E DO ZAMBEZE.

— Ao sul, a região do Cabo, erigida em vicariato em 1837, fracionava-se da mesma forma, e nela encontramos hoje estabelecidos: 1º os três vicariatos apostólicos do Cabo Ocidental (1837), do Cabo Central (1874) e do Cabo Oriental (1847), atendidos por sacerdotes seculares de língua inglesa; 2º a prefeitura do Rio Orange (1884), recentemente erigida em vicariato (1898) e confiada aos oblatos de São Francisco de Sales, de Troyes; 3º as prefeituras da Basutolândia (1894) e do Transvaal (1886); 4º os vicariatos do Estado Livre de Orange (1886) e de Natal (1850), evangelizados pelos oblatos de Maria.

A prelatura de Moçambique é ainda ocupada pelo clero colonial português do seminário de Sernache, próximo a Angola; mas os Padres do Espírito Santo foram levados a retomar as missões do Congo português e de Luanda (1890), do Cubango (1889) e do Cunene (1881), e os jesuítas as do Zambeze (1879). Ao norte, os beneditinos da Baviera seguiram os alemães em Zanzibar, onde possuem uma prefeitura (1887).

IX. MISSÕES NO INTERIOR DA ÁFRICA. — Desde 1859, um novo e providencial socorro chegava à Igreja. Um antigo bispo da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, Dom Marion de Brésilhac, fundava outra família apostólica, as Missões Africanas de Lyon. Dez anos mais tarde, em 1868, para suprir as necessidades criadas pela fome, Dom Lavigerie, arcebispo de Argel, reunia em torno de si sacerdotes de boa vontade, que formaram a Sociedade dos «Missionários de Nossa Senhora da África». Estes «Padres brancos» realizaram as suas primeiras tentativas de apostolado na Cabília, onde ainda trabalham. Mas, na sequência da célebre conferência de Bruxelas (1876), que deveria culminar oito anos mais tarde no congresso de Berlim e na partilha da África, viram abrir-se diante de si um campo novo, imenso e fecundo: ele compreende os vicariatos do Niassa (1889), de Unianyembe (1886), do Tanganica (1880), do Alto Congo (1880), do Nyanza Sul (1880) e do Nyanza Norte (1880). Na sequência dos distúrbios políticos e religiosos suscitados em Uganda, onde o universo católico admirou a morte notável de 31 mártires (1886), uma parte desta última missão foi confiada aos missionários ingleses do seminário de Mill-Hill, sob o nome de vicariato do Alto Nilo (1894).

Acrescentemos, para sermos completos, que o instituto de Verona, apesar de algumas tentativas anteriores, está encarregado desde 1872 do Sudão egípcio, enquanto os Padres brancos, a oeste, guardam o Saara e o curso superior do Níger. — Estas regiões são imensas; mas é justo acrescentar que são em parte desertas e em parte muçulmanas. É nelas que se encontram as regiões mais extensas onde as missões católicas não penetraram: o Saara, o Sudão francês, os reinos muçulmanos que circundam o Chade, o interior da Tripolitânia, o Sudão egípcio, o Alto Nilo e os seus afluentes, aos quais se deve adicionar o país somali e, finalmente, a bacia do Congo e dos seus afluentes, com a do Alto Zambeze.

Todavia, se ao examinar num mapa a extensão alcançada pela evangelização africana somos tomados de admiração e reconhecimento, este sentimento logo dá lugar a uma impressão de profunda tristeza quando, no terreno, o missionário constata a inumerável multidão de infiéis que, nos países mais bem conhecidos e mais bem providos de sacerdotes, ainda não ouviram a Boa-Nova. Tal país que, no mapa, figura como evangelizado, conta talvez 12 000 cristãos contra milhões de fetichistas ou de muçulmanos!

X. ESTADO SUMÁRIO DAS MISSÕES CATÓLICAS NA ÁFRICA. — Podemos aqui oferecer números mais seguros do que para as religiões não católicas; mas, antes de os fornecer, é necessário contudo observar que são frequentemente de exatidão duvidosa — como, por exemplo, para os católicos de Angola. Em todo o caso, as estatísticas permanecem muito variáveis, mas com uma tendência a indicar, de ano para ano, de mês para mês, de dia para dia, um número mais considerável de missionários, de igrejas ou de católicos.

Eis, pois, segundo a edição das Missiones catholicae de 1898, o último levantamento que se pode fazer do estado do catolicismo na África, apenas nas missões dependentes da Propaganda.

1º QUADRO DAS MISSÕES CATÓLICAS (Ver o mapa das Missões) Abreviações: D., Diocese; Vic. ap., Vicariato apostólico; Préf. ap., Prefeitura apostólica; B. B., Beneditinos da Baviera (Munique); C. I. M., Congregação do Imaculado Coração de Maria (Barcelona); C. S. Sp., Padres do Espírito Santo (Paris); Cl. séc., Clero secular; Fr. Min., Frades Menores (Roma); Fr. Min. C., Capuchinhos (Roma); Fr. Min. C. T. S., Custódia da Terra Santa; I. V., Instituto de Verona (Verona); M. A. A., Missionários da África de Argel; M. A. L., Missões Africanas de Lyon; M. E. B., Missões Estrangeiras da Bélgica; S. J., Companhia de Jesus; S. M. P., Sociedade das Missões de Steyl.

1º Delta do Nilo (Préf. ap.) 2º Alto Egito-Coptas. — Fr. Min.; S. J. 3º Baixo Egito-Latinos. — Fr. Min. C. T. S. 4º Ritos unidos: Armênios; Melquitas; Sírios; Caldeus; Maronitas. 5º Sudão egípcio (Vic. ap.). — I. V. 6º Trípoli (Préf. ap.). — Fr. Min. 7º Tunes-Cartago (Arquid.). — Cl. séc. 8º Constantina (Dioc.). — Cl. séc. 9º Argel (Arquid.). — Cl. séc.; M. A. A. 10º Orã (Dioc.). — Cl. séc. 11º Marrocos (Préf. ap.). — Fr. Min. 12º Saara (Vic. ap.). — M. A. A. 13º Senegal (Préf. ap.). — C. S. Sp. 14º Senegâmbia (Vic. ap.). — C. S. Sp. 15º Guiné port. e Cabo Verde (D.). — Cl. séc. 16º Guiné francesa (Préf. ap.). — C. S. Sp. 17º Serra Leoa e Libéria (Vic. ap.). — C. S. Sp. 18º Costa do Marfim (Préf. ap.). — M. A. L. 19º Costa do Ouro (Préf. ap.). — M. A. L. 20º Togo (Préf. ap.). — M. E. Al. 21º Daomé (Préf. ap.). — M. A. L. 22º Benim (Vic. ap.). — M. A. L. 23º Baixo Níger (Préf. ap.). — C. S. Sp. 24º Alto Níger (Préf. ap.). — M. A. L. 25º Camarões (Préf. ap.). — S. M. P. 26º Gabão (Vic. ap.). — C. S. Sp. 27º Congo francês (Vic. ap.). — C. S. Sp. 28º Ubangui (Vic. ap.). — C. S. Sp. 29º Congo belga (Vic. ap.). — M. E. B.; Tr. 30º Cuango (Missão). — S. J. 31º Uele (Missão). 32º Stanley-Falls (Missão). 33º Congo português. — C. S. Sp. 34º Angola (D.). — Cl. séc. 35º Luanda (Préf. ap.). 36º Cubango (Préf. ap.). 37º Cunene (Préf. ap.). — C. S. Sp. 38º Cimbebasia inferior (Préf. ap.). 39º Rio Orange (Vic. ap.).

Nestas estatísticas não estão compreendidas, consequentemente, as dioceses de Tunes e da Argélia, de Luanda ou Angola, de Moçambique, dos Açores, da Madeira, das Canárias, de São Tomé e da Reunião.

CATÓLICOS DA ÁFRICA (católicos da África em 1899.)

M. A. A., Missões Africanas de Lyon; M. E. A., Missões Estrangeiras Inglesas (Mill-Hill); M. E. Al., Missões Estrangeiras Alemãs (Steyl); M. E. B., Missões Estrangeiras Belgas (Scheut); O. M. I., Oblatos de Maria (Paris); O. P. B., Premonstratenses da Bélgica; O. S. F., Oblatos de São Francisco de Sales (Troyes); P. M., Padres da Missão (Paris); P. S. C., Padres do Sagrado Coração (Roma); S. J., Companhia de Jesus (Roma); S. M. P., Sociedade dos Missionários Palotinos (Roma); Tr., Trapistas (Roma).

ESTAÇÕES. IGREJAS. SACERDOTES. ESCOLAS. HOSPITAIS.

CATÓLICOS. | ESTAÇÕES.

38º Cabo Ocidental (Vic. ap.). — Cl. séc. . 6 240 39º Cabo Central (Préf. ap.). — Cl. séc. . . 720 40º Cabo Oriental (Vic. ap.). — Cl. séc. . . 7 690 41º Estado Livre de Orange (Vic. ap.). — O. M. I. 5 600 42º Transvaal (Préf. ap.) — O. M. I. . . 6 200 43º Basutolândia (Préf. ap.). — O. M. I. . . 4 000 44º Natal (Vic. ap.) — O. M. I.; Tr. . . 4 10 800 45º Moçambique (Prelatura). — Cl. séc. . » 46º Zambeze (Missão). — S. J. . . . . . . 2 000 47º Niassa (Vic. ap.). — M. A. A. . . . . 4 000 48º Zanzibar-Sul (Préf. ap.). — C. S. Sp. 700 49º Zanzibar-Centro (Vic. ap.). — C. S. Sp. 50º Zanzibar-Norte (Vic. ap.). — C. S. Sp. 200 51º Unianyembe (Vic. ap.). — M. A. A. . 470 52º Tanganica (Vic. ap.) — M.

A. A. . . 850 53º Alto Congo (Vic. ap.). — M. A. A. . . 1 310 54º Victoria-Nyanza-Sul (Vic. ap.). — M. A. A. 440 55º Victoria-Nyanza-Norte (Vic. ap.). — M. A. A. 30 000 56º Alto Nilo (Vic. ap.). — M. E. A. . . . . » 57º Gallas (Vic. ap.). — Fr. M. C. . . . . 5 000 58º Arábia (Vic. ap.) — Fr. M. C. . . . . » 59º Abissínia (Vic. ap.). — P. M. . . . . 25 000 60º Eritreia (Préf. ap.). — Fr. M. C. . . . 7 900 61º Açores (D.). — Cl. séc. . . . . . . . » 62º Madeira (D.). — Cl. séc. . . . . . . . » 63º Canárias (2 dioc.). — Cl. séc. . . . . . » 64º Fernando Pó (Préf. ap.). — C. I. M. 3 000 65º São Tomé (D.). — Cl. séc. . . . . . » 66º Reunião (D.). — Cl. séc. . . . . . . . » 67º Maurício (D.). — Cl. séc. ; C. S. Sp. . 110 000 68º Seychelles (Vic. ap.). — Fr. M. C. . . 16 500 69º Nossi-Bé, Maiote e Comores (Préf. ap.). 4 600 70º Madagáscar-Sul (Vic. ap.). — P. M. » 71º Madagáscar-Centro (Vic. ap.). — S. J. 61 500 72º Madagáscar-Norte (Vic. ap.). — C. S. Sp. »

2º RESUMO DAS DIOCESES Padres seculares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Padres do Espírito Santo . . . . . . . . 17 missões. Padres Brancos (de Argel) . . . . . . . . 8 missões. Oblatos de Maria . . . . . . . . . . . 5 missões. Missões Africanas (Lyon) . . . . . . . 5 missões.

N. B. — Com estas sociedades de missionários padres, existem várias congregações que trabalham em todos ou quase todos os vicariatos. O espaço destinado a este artigo não o permite, mas encontrar-se-iam estas informações na última edição de Missiones catholicae, Roma, livraria da Propaganda. A bibliografia é a mesma do artigo anterior.

Autor original: A. Le Roy

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor