I. Sua vida. — Adson, cujo nome é escrito por vezes Asson ou Azon, foi um dos escritores eclesiásticos mais fecundos do século X. Nasceu no início desse século, de uma família nobre e rica da Borgonha transjurana, nas cercanias da cidade de Saint-Claude. Foi criado desde os seus primeiros anos no mosteiro de Luxeuil. Ali fez notáveis progressos nas letras, nas ciências e na virtude, e abraçou a vida monástica. De Luxeuil, veio para Toul, chamado pelo bispo São Gauzelin para dirigir a escola episcopal da abadia de Saint-Epvre. Alguns anos mais tarde, seguiu Albéric, monge de Saint-Epvre eleito abade de Montierender, na diocese de Châlons. Após ter sido o auxiliar precioso de Albéric, Adson tornou-se seu sucessor em 978 à frente deste importante mosteiro que São Bercário havia fundado no século VII na imensa floresta do Der, donde advém o nome de Montier-en-Der. Sob a administração de Adson, a disciplina retomou um novo vigor, os estudos foram encorajados, o claustro foi construído e a bela igreja que subsiste ainda hoje começou a elevar-se. Entrementes, o infatigável abade partiu para fundar ou reorganizar escolas, a pedido dos bispos, nas dioceses de Langres, de Troyes e de Châlons, como fizera anteriormente na diocese de Toul. Em sua velhice, com mais de oitenta anos, empreendeu a peregrinação aos lugares santos, na companhia de um senhor que havia convertido, Hilduin, conde de Arcy; contudo, não chegou a ver Jerusalém e morreu durante a travessia, em 14 de junho de 992.
II. Suas obras. — Adson abordou quase todos os gêneros da literatura eclesiástica, e as suas obras revelam-no simultaneamente teólogo, moralista, historiador, liturgista e poeta. Pode-se consultar a lista completa dos seus escritos na Histoire littéraire de la France, Paris, 1742, t. VI, 477-492. Eis os principais: 1.º Tratado do Anticristo, redigido por volta de 950 e dedicado à rainha Gerberga, esposa do rei Luís IV d’Outre-Mer. Este escrito foi atribuído a Alcuíno, a Rabano Mauro e até mesmo a Santo Agostinho, tendo sido editado diversas vezes entre as obras destes autores. Está hoje demonstrado que essas atribuições são falsas, mas elas fazem honra a Adson, que é o verdadeiro autor do tratado. Hist. litt., loc. cit. — 2.º Vida de São Mansueto, primeiro bispo de Toul, escrita a pedido do bispo São Gerardo, 963-994. Acta sanctorum, Paris, 1868, t. XLI, p. 615-651. — 3.º Vida de São Froberto ou Frodoberto, fundador e primeiro abade de Montier-la-Celle, perto de Troyes, século VII, Acta sanct., Paris, 1865, t. I, p. 505-513. — 4.º Vida de São Valberto ou Valdeberto, segundo abade de Luxeuil, século VII. Acta sanct., Paris, 1866, t. XIV, p. 282-287. — 5.º Vida de São Bercário, primeiro abade de Montierender, século VII. Acta sanct., Bruxelas, 1855, t. LV, p. 1010-1031. — 6.º Vida de São Basolo, confessor, que deu o seu nome a uma abadia da diocese de Reims, século VI, publicada por Mabillon, Acta sanct. ordin. sancti Benedicti, Paris, 1668, t. II, p. 67-75; t. VI, p. 137-142. Encontrar-se-ão as obras precedentes no tomo CXXXVIII da Patrologia Latina. — 7.º Dom Calmet, Histoire de Lorraine, t. I, Nancy, 1745, Preuves, CXIX, atribui a Adson a história dos bispos de Toul, redigida à imitação do Liber pontificalis de Roma e citada ordinariamente sob o título Gesta episcoporum Tullensium. Esta atribuição é possível e até verossímil para a primeira parte dos Gesta, que vai de São Mansueto a São Gauzelin, contemporâneo de Adson, mas não é certa. P. L., t. CLVI, col. 445-476. — Nos seus trabalhos hagiográficos, o abade de Montierender possui o defeito dos autores da sua época: parece visar acima de tudo a edificação e carece de crítica histórica. Dom Rivet presta-lhe, contudo, este testemunho favorável na Histoire littéraire de la France, loc. cit., p. 492: «Tinha muito mais talento para escrever do que a maioria dos autores do seu tempo. Fá-lo com gravidade, com candura, com um ar de piedade e até mesmo com unção. O seu estilo é bastante puro para o seu tempo e, ordinariamente, claro e variado.»
Dom Rivet, Histoire littéraire de la France, Paris, 1742, t. VI, p. 471-492; dom Calmet, Histoire de Lorraine, Nancy, 1745, Preuves, t. I, p. CXLIX; Nancy, 1751, t. IV; Bibliothèque lorraine, p. 22-25; Gallia christiana, Paris, 1751, t. IX, p. 913-915; dom Ceillier, Histoire des auteurs sacrés et ecclésiastiques, Paris, 1754, t. XIX, p. 698-708; Pertz, Monumenta Germaniæ historica, Scriptores, t. VI, Hanôver, 1841, p. 487-490; abade Bouillevaux, Les moines du Der, Langres, 1845; abade Vanson, Les origines de l’Eglise de Toul, Nancy, 1891.
Autor original: A. BEUGNET
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