VI. ABSTINÊNCIA entre os coptas. — 1° Fiéis. — A abstinência de carne, incluindo ovos e laticínios, limita-se, entre os fiéis coptas, aos tempos de jejum, cujos principais são a Quaresma (incluindo o tempo da Semana Santa), o jejum dos Apóstolos, o da santa Virgem e o do Advento. São igualmente dias de jejum entre os coptas todas as quartas e sextas-feiras do ano, excetuando, todavia, aquelas que ocorrem entre a Páscoa e o Pentecostes, assim como as que coincidem com o Natal e a Epifania; caso em que o jejum é antecipado, como entre nós quando uma vigília cai em um domingo (ver o artigo JEUNE). A abstinência estende-se aos sábados e domingos dos tempos de jejum, embora o domingo, em todas as Igrejas, e os sábados, como nas Igrejas orientais, exceto o Sábado Santo, não sejam dias de jejum para a Igreja copta. O uso de peixe não é permitido durante a Quaresma nem na Semana Santa, mas é permitido durante os outros jejuns. Há muito tempo, a observância dos outros jejuns além da Quaresma foi reduzida à abstinência; contudo, a maioria dos coptas observa de maneira muito austera o jejum da santa Virgem, proibindo-se até mesmo o peixe, como durante a Quaresma. Segundo Butler, ver Evetts, Abu Salih’s History of the monasteries of Egypt, p. 152, durante a primeira semana da Quaresma as carnes brancas (ovos e laticínios) são permitidas, o que teria dado a esta semana o nome de semana branca; mas isso deve decorrer do jejum de Heráclio (ver, contudo, Vansleb, Hist. de l’Église d’Alexandrie, p. 75), que se observa durante a semana que precede imediatamente a Quaresma (ver o artigo JEUNE). Não há entre os coptas uma idade para começar a praticar a abstinência; as crianças a ela são submetidas assim que começam a ter forças, e tem-se dificuldade em persuadir os idosos e os enfermos a dela se subtraírem, qualquer que seja o inconveniente que possam sentir. A abstinência do sangue de animais e de carnes sufocadas (ver este termo), embora universal na Igreja copta, não faz parte, contudo, da disciplina desta Igreja. Alguns abstêm-se deste alimento porque viram, desde a infância, que entre eles não se comia; outros pretendem que o preceito dos apóstolos de se abster estende-se aos tempos presentes. O clero segue para a abstinência a mesma regra que os fiéis; todavia, os tempos de jejum, outros que não a Quaresma, começam mais cedo para ele.
2° Monges. — Os monges em seus conventos praticam a abstinência de carne, ovos e laticínios durante todo o ano, mas fora de seus conventos podem conformar-se à regra geral dos fiéis, o que fazem, aliás, mesmo em casa, quanto ao uso do peixe.
Lettres du P. du Bernat dans les Lettres édifiantes, Paris, 1780, t. IV, p. 436 sq. ; ibid., p. 474 ; Lettre du P. Sicard, Lettr. édif., t. V, p. 205, 218, 223 ; Vansleb, Hist. de l’Église d’Alexandrie, c. xvi ; Butler, Ancient coptic Churches of Egypt, t. I, p. 304-356 ; J. B. Sollerius, Appendix ad seriem patriarchalem de coptis, n. 226-230, dans les Acta sanctorum des bollandistes, Paris, 1867, junii t. VII, p. 89.
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