1. ABDIAS, um dos doze profetas menores, deixou-nos uma curtíssima profecia (21 versículos) contra a Idumeia. De acordo com o próprio texto, 11, esta profecia foi escrita após uma tomada de Jerusalém por inimigos. Mas quais inimigos? Se Abdias é anterior a Jeremias, trata-se, conforme o conjunto do texto, da invasão dos filisteus sob Jorão; se é posterior, daquela de Nabucodonosor. Há uma analogia surpreendente entre Abdias, 1-7, e Jeremias, XLIX, 7-22. Qual dos dois profetas imitou o outro? Vários críticos modernos pensam que foi Jeremias quem imitou Abdias. Jeremias, com efeito, imitou frequentemente os profetas que o precederam, em particular nos seus oráculos contra as nações. Ademais, a unidade da profecia de Abdias, bem como as expressões originais que ele emprega, parecem provar que ele não se inspirou em Jeremias. Ver Trochon, Les petits prophètes, Paris, 1883, p. 196; Cornely, Introductio in utriusque Testamenti libros, Paris, 1887, t. I, 2ª parte, p. 552; Knabenbauer, Commentarius in prophetas minores, Paris, 1886, p. 339; Vigouroux, Dictionnaire de la Bible, Paris, 1891, t. I, col. 20, e Manuel biblique, 1885, t. II, p. 634. Cf. H. Weiss, De ætate qua Obadja vaticinatus est, Brunswick, 1873. Contudo, outros críticos pensam que Abdias imitou Jeremias e que sua profecia teve por ocasião os primeiros ataques dos árabes contra os idumeus no século V. Escolhem, portanto, como data aproximada de sua composição os arredores do ano 500. Van Hoonacker, Les douze petits prophètes, Paris, 1908, p. 285-297. Sobre a unidade de Abdias, ver Condamin, na Revue biblique, 1900, p. 261 ss.
Para o teólogo, o interesse da profecia de Abdias concentra-se no oráculo que a termina, 17-21, e que anuncia a salvação no monte de Sião, o triunfo completo sobre Edom e o reino do Senhor. Et ascendent Salvatores in montem Sion judicare montem Esau; et erit Domino regnum.
Numerosos comentadores explicam esta profecia da vitória dos judeus sobre os idumeus em particular, no tempo dos Macabeus, I Mac., V, e sobre os povos pagãos, dos quais eram vassalos. No dia do grande triunfo, Judá submeterá Esaú aos seus inimigos e o império pertencerá a Javé, Van Hoonacker, op. cit., p. 308-311. Pensam que ela só é messiânica no sentido espiritual. Que o profeta tenha visado as vitórias futuras do seu povo, isso não suscita a menor dúvida. Mas Edom representa todos os povos pagãos, que serão submetidos por Cristo e pelos apóstolos de Cristo. Aqui como alhures, Is., II, 2; Miq., IV, 1, o monte de Sião é a Igreja, na qual se realiza sobre a terra, enquanto se aguarda uma realização mais completa, o reino de Javé: et erit Domino regnum. Cf. Dan., VII, 14-27; Miq., IV, 7.
A profecia de Abdias foi notavelmente comentada, no sentido místico, por Hugo de São Vítor, P. L., t. CLXXV, col. 37. Entre os comentadores modernos, além dos intérpretes da Bíblia em geral, e em primeira linha Cornelius a Lapide, dom Calmet e Knabenbauer, pode-se citar como autores especiais: Martin del Castillo, Commentarius in Abdiam prophetam, Salamanca, 1556; Luís de León, Commentarius in Abdiam prophetam, Salamanca, 1589; A. Joannes, Commentar zu der Weissagung des Propheten Obadja, Wurtzburgo, 1885. J. DE KERNAERET.
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor