ADVENTISTAS

São Domingos

I. História e doutrinas fundamentais. II. Diferentes seitas.

Designa-se pelo nome de adventistas, da palavra inglesa advent, que significa advento, um grupo de seitas americanas que acreditam no próximo advento do Filho de Deus, seguido do reinado de mil anos.

I. HISTÓRIA E DOUTRINAS FUNDAMENTAIS. — Seu fundador foi um certo Guilherme Miller (daí o nome de mileritas, sob o qual também são conhecidos), nascido em 1781 em Pittsfield (Massachusetts) e falecido em Low Hampton (Nova Iorque) em 1849. Durante a guerra de 1812, serviu como capitão de voluntários no exército americano e, posteriormente, dedicou-se à agricultura. As ideias racionalistas, tão comuns naquela época, seduziram-no inicialmente; contudo, em 1816, a leitura da Bíblia converteu-o: tornou-se batista (ver este termo) e passou a ser um membro muito ativo dessa seita. Aplicou-se, com mais ardor do que inteligência, ao estudo dos Livros Sagrados, onde encontrava, segundo ele, um remédio para todos os males da alma. Encontrou neles, em particular, sua famosa doutrina sobre o milênio. Partindo do princípio de que todas as profecias concernentes ao Messias devem realizar-se ao pé da letra, e observando que várias delas não se cumpriram em Nosso Senhor durante seu primeiro advento, concluiu que o seriam em seu segundo advento. Assim, está escrito que o Messias possuirá a terra de Canaã, Gn 17,8; Is 11,8; que reinará no trono de Davi e que seu reino se estenderá até os confins da terra, Sl 2,8; que aparecerá sobre as nuvens do céu para julgar as nações e reinar sobre elas, Dn 7,12-14. Ora, nada disso se realizou no primeiro advento de Cristo, uma vez que Ele não teve sequer onde reclinar a cabeça. Portanto, é preciso admitir um segundo advento do Filho de Deus. Mas quando ocorrerá? Ao comparar diversos textos, particularmente Ap 20,1-6 e 1 Cor 15,20-28, Miller convenceu-se de que esse segundo advento, assim como o fim do mundo, deveria preceder o reino de mil anos mencionado no Apocalipse. Restava determinar a data exata. Para isso, dedicou-se a um estudo minucioso das profecias de Daniel, com uma paciência digna de uma causa melhor. Os 2300 dias mencionados pelo profeta, Dn 8,14, designam, segundo ele, igual número de anos: começam com as setenta semanas, isto é, 457 anos antes de Jesus Cristo; os 1335 dias do capítulo XII, versículo 12, marcam a duração da supremacia pontifícia que, segundo ele, teve início em 508 d.C.; essa supremacia deveria, portanto, terminar em 1843, e seria então que Cristo apareceria para reinar como mestre soberano, esmagar seus inimigos, recompensar seus fiéis discípulos e fazer prevalecer a justiça e a paz por toda parte. Não foi preciso mais do que isso para seduzir as imaginações em busca de maravilhas; e quando, em 1831, o novo profeta começou a publicar suas visões, encontrou numerosos adeptos, sobretudo entre os batistas e metodistas. Logo, conferências foram realizadas, jornais fundados e folhetos publicados para espalhar as novas doutrinas até os Estados do Oeste. Porém, Miller cometeu o erro de querer precisar a data da vinda de Cristo: deveria ser entre março de 1843 e março de 1844. Esta última data passou e Cristo não apareceu! Grande decepção entre os 50.000 discípulos. Contudo, o profeta não se desencorajou e continuou a afirmar que a vinda do Senhor não poderia tardar; um de seus discípulos, S. Snow, refez os cálculos e anunciou-se o fim do mundo para 22 de outubro de 1844. Viu-se, então, em certas aldeias e campos da América, um espetáculo verdadeiramente extraordinário: milhares de agricultores e operários abandonaram seu trabalho e passaram várias noites ao relento, esperando com febril impaciência a vinda de Cristo. Ele não veio, assim como na primeira vez, e o desencanto foi ainda maior. Entretanto, Miller, embora confessando seu erro sobre a data precisa que havia fixado, continuou a anunciar o advento do Senhor e, coisa estranha, um bom número de discípulos acreditou nele. Em 1845, uma conferência geral reuniu-se em Albany e reafirmou a crença dos adventistas na vinda próxima e pessoal de Cristo, sem, contudo, querer precisar a data. Fora este ponto fundamental, os adventistas não possuem crenças muito distintas; geralmente, crêem, como os batistas, no batismo por imersão e, como os congregacionalistas, na independência das diferentes igrejas locais; apenas os adventistas do sétimo dia possuem uma organização presbiteriana, como os calvinistas. Segundo o último censo oficial (1890), os adventistas contavam 60.491 comungantes (adultos admitidos a participar da Ceia); ao final de 1898, eram, segundo o Independent, jornal protestante bem informado, 84.454, divididos em seis seitas diferentes, que passaremos brevemente em revista.

II. DIFERENTES SEITAS ADVENTISTAS. — 1° Os adventistas evangélicos começaram a formar uma organização especial em 1855. Ao contrário de algumas outras seitas, que mencionaremos abaixo, eles acreditam que a alma é imortal e permanece consciente de si mesma após a separação do corpo; que os ímpios não serão aniquilados, mas sofrerão na outra vida um castigo positivo e eterno. Em 1890, eram 1147 comungantes, distribuídos sobretudo em quatro Estados: Massachusetts, Vermont, Pensilvânia e Rhode Island. Eles publicam em Boston um jornal chamado Messiah’s Herald (o Arauto do Messias).

2° Os cristãos do advento (advent christians) diferem dos primeiros por admitirem que a alma é mortal por natureza. Segundo eles, todos os que morreram permanecem em um estado inconsciente. Quando Cristo vier ao fim do mundo, Ele ressuscitará primeiramente os justos, para lhes conferir o dom da imortalidade e fazê-los reinar com Ele; depois, os ímpios, para lhes comunicar sua sentença de condenação e aniquilá-los. O último censo lhes atribui 25.816 comungantes; o Independent, 26.500 em 1898. Eles possuem dois jornais semanais principais: The World’s Crisis (a Crise do Mundo), em Boston, e Bible Banner (a Bandeira da Bíblia), em Filadélfia.

3° Os adventistas do sétimo dia. O que os levou a receber esse nome é o fato de observarem o sábado, o sétimo dia da semana; pois afirmam que não se pode justificar pelas Escrituras a transferência do sábado para o domingo; e é preciso admitir que, se não se admite outra regra de fé além da Bíblia, é difícil provar-lhes o contrário. Acreditam também que os 2300 dias de Daniel terminaram corretamente em 1844, mas que Cristo, desde essa época, está purificando o santuário, e que Ele virá logo após ter terminado essa obra; então, os bons reinarão com Ele; quanto ao demônio e aos ímpios, eles serão aniquilados. Seus fundadores foram o Sr. White, nascido em Palmyra (Maine) em 1821, e a Sra. Ellen Harmon, que afirmou ter revelações e acabou por se casar com o Sr. White. Em 1890, tinham 28.891 comungantes; em 1898, 50.288, sem contar alguns recrutas feitos no Canadá; eles publicam em Battle Creek (Michigan), seu quartel-general, a Advent Review (Revista do Advento).

4° A Igreja de Deus (The Church of God) é um ramo que se separou do grupo precedente em 1864, por não ter querido aceitar como reais as pretensas visões do Sr. White. Tem apenas 647 comungantes e recruta-se sobretudo em Michigan e Missouri; publica em Stanberry (Missouri) o The Advent and Sabbath Advocate (o Advogado do Advento e do Sábado).

5° A União da Vida e do Advento (The Life and Advent Union) foi organizada em 1864 em Wilbraham (Massachusetts); sua doutrina especial é que os ímpios nunca ressuscitarão: eles dormem um sono eterno. Em 1890, contava com 1018 comungantes; em 1898, 3000; seu órgão é o The Herald of Life (o Arauto da Vida), publicado em Springfield (Massachusetts).

6° As Igrejas de Deus em Cristo Jesus (The Churches of God in Christ Jesus), um nome muito grande para uma seita insignificante! Por isso, são chamadas mais comumente de adventistas do século vindouro. Eles acreditam que o mundo não será destruído no advento do Filho de Deus, que o milênio precederá a restauração final, que os judeus retornarão a Jerusalém, que todos os mortos ressuscitarão: os bons para reinar com Jesus Cristo, os ímpios para serem aniquilados. Sua origem remonta ao ano de 1851; mas foi apenas em 1881 que se organizaram definitivamente. O censo de 1890 lhes confere 2872 comungantes, que se encontram sobretudo em Illinois e Indiana; publicam em Plymouth (Indiana) um jornal chamado The Restitution (a Restituição).

BIBLIOGRAFIA: Wellcome, History of the Advent Message, Yarmouth, 1874; White, Life of Miller, Battle Creek, 1875; H. K. Carroll, The Religious Forces of the United States, Nova York, 1893, p. 1-15; American Supplement to Encyclopedia Britannica, Nova York, 1888, no verbete Adventistas; W. H. Lyon, A Study of the Sects, Boston, 1892, p. 154-157; The Independent, Nova York, 5 de janeiro de 1899.



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