ADÃO

Verbete sobre ADÃO na Enciclopédia Católica

4. ADAM, nome hebraico que significa, por si só, homem — à semelhança da palavra grega ἄνθρωπος e da latina homo — mas que se tornou, por apropriação, o nome pessoal daquele que foi o primeiro homem e o pai do gênero humano. Tomada em seu conjunto, a monografia de Adão apresenta aspectos múltiplos que dão lugar a estudos detalhados. Pode-se ver nele o pai natural ou propagador do gênero humano, e esta consideração leva a tudo o que se refere ao homem em geral, à espécie humana: antiguidade, natureza, origem, estado primitivo, unidade de espécie e de tronco, etc.; toda essa corrente de ideias pertence ao artigo HOMME (HOMEM).

Pode-se, em seguida, ver em Adão o chefe moral ou jurídico da humanidade, elevada gratuitamente ao estado de justiça original, colocada por Deus no feliz séjour do paraíso terrestre e, depois, decaída pela culpa de nossos primeiros pais; questões de primeira importância, mas que remetem aos artigos JUSTICE ORIGINELLE (JUSTIÇA ORIGINAL), PARADIS TERRESTRE (PARAÍSO TERRESTRE), PÉCHÉ ORIGINEL (PECADO ORIGINAL). Enfim, pode-se ver em Adão este ser individual que saiu imediatamente das mãos do Criador e teve sua vida distinta, pessoal; e lá, ainda, ele oferece matéria para um estudo teológico bastante amplo, que pode ser sintetizado nas seguintes ideias:

I. Criação do primeiro homem. II. Sua elevação ao estado sobrenatural. III. Seu pecado. IV. Seu arrependimento e sua salvação. V. Lugar de sua sepultura. VI. Adão como figura de Jesus Cristo.

I. CRIAÇÃO DO PRIMEIRO HOMEM. — O livro do Gênesis enuncia claramente a criação de Adão, I, 27: *Et creavit Deus hominem ad imaginem suam* (E Deus criou o homem à sua imagem); e II, 7: *Formavit igitur Dominus Deus hominem de limo terrae* (Formou, pois, o Senhor Deus o homem do limo da terra). A interpretação católica destes textos estabelece, como dogma de fé, a criação propriamente dita da alma de Adão e, como doutrina comum aos Padres e aos teólogos, uma ação divina imediata na formação de seu corpo. Gen., I, 26, 28; II, 7. Ver TRANSFORMISME (TRANSFORMISMO).

II. OS ANJOS PARTICIPARAM DA SUA CRIAÇÃO? — Pressuposto isto, indagou-se se esta ação imediata de Deus excluiria toda cooperação dos anjos na formação do primeiro corpo humano. Em princípio, a resposta depende do sentido que se dá à questão. Uma cooperação que consistisse em organizar ou formar um verdadeiro corpo humano é inadmissível; dentro de limites inferiores, não seria impossível, como insinua Santo Agostinho (*De Genesi ad litt.*, l. IX, c. XV, P. L., t. XXXIV, col. 403), e é este, igualmente, tudo o que afirma São Tomás de Aquino (*Sum. theol.*, I, q. XCI, a. 2, ad 1°): *Potuit tamen fieri, ut aliquod ministerium in formatione corporis primi hominis angeli exhiberent, sicut exhibebunt in ultima resurrectione, pulveres colligendo* (Pode ter ocorrido, contudo, que os anjos tenham exercido algum ministério na formação do corpo do primeiro homem, assim como o exercerão na ressurreição final, recolhendo o pó). Mas, de fato, o Gênesis não faz menção a tal cooperação e, em geral, os Padres a desconhecem. Cf. Suarez, *De opere sex dierum*, l. III, c. I, n. 4 sq.

O que certamente se deve excluir é a interpretação judaica segundo a qual Deus teria tido os anjos em vista como o ideal segundo o qual o homem deveria ser formado, e que lhes teria dirigido estas palavras: "Façamos o homem à nossa semelhança". Foi à sua própria imagem que Deus fez Adão: *Et creavit Deus hominem ad imaginem suam; ad imaginem Dei creavit illum*. Ver, entre outros, São Basílio, *Hom.*, IX, in Hexaem., n. 6, P. G., t. XXIX, col. 206, e São João Crisóstomo, *Hom.*, VIII, in Gen., n. 2, P. G., t. LIII, col. 72.

III. CONDIÇÕES SUBJETIVAS EM QUE FOI CRIADO ADÃO. — Em quais condições subjetivas foram criados o corpo e a alma de Adão?

1º Princípio. — Um princípio rege toda esta questão na teologia patrística e escolástica: o primeiro homem foi criado perfeito. Esta perfeição se mede, seja pelo que convinha absolutamente a uma natureza humana saindo das mãos do Criador, seja pelo que exigia, relativamente em Adão, sua missão de pai e educador do gênero humano.

2º Corpo. — Em conformidade com este princípio, seu corpo nos é representado como uma obra-prima do artífice divino quanto às proporções, beleza, grandeza e majestade. No entanto, a crítica, assim como a sã teologia, rejeita as narrativas lendárias ou fantásticas sobre a estatura gigantesca de Adão, que se encontram em escritores orientais e que se inspiram em fontes rabínicas ou talmúdicas. No século XII, o bispo sírio Moisés Bar Cepha nos dá um notável exemplo dessas singulares opiniões em seu livro *De paradiso*, parte I, c. XIV, P. G., t. CXI, col. 498. Sob a suposição de que o paraíso terrestre se encontrasse além do oceano, a questão se impunha: como nossos primeiros pais atravessaram para o continente? E os partidários da tese da estatura gigantesca respondiam imperturbavelmente que eles haviam atravessado o mar a pé: *per vadosum mare pedibus commeasse, quum essent statura procerissima* (tinham atravessado o mar raso a pé, pois possuíam uma estatura altíssima). Algumas dessas fábulas repousam sobre uma falsa interpretação de textos bíblicos, como se pode ver em Bento Pereira, *In Genesim*, l. IV, Disputatio de formatione et praestantia corporis humani, q. II, n. 99-100.

Adão foi criado em estado adulto. Santo Agostinho apresenta a questão, sem resolvê-la, em De Genesi ad litt., l. VI, c. XII, n. 23, P. L., t. XXXIV, col. 348; mas ele é mais expressivo em outra obra, De peccator. merit. et remiss., l. I, c. XXXVII, P. L., t. XLIV, col. 149: Non parvulus factus est, sed perfecta mole membrorum (Não foi feito criança, mas com a constituição perfeita dos membros). Um estado de infância quase não teria sentido, exceto no caso de uma produção natural por via de geração. Ademais, o conjunto dos detalhes fornecidos pelo Gênesis é significativo: imediatamente após a sua criação, Adão nos aparece capaz de cultivar a terra e apto para o fim do matrimônio. É abusar da expressão Infans enim fuit (pois ele foi criança), da qual se valeram alguns Padres, em particular Santo Ireneu, Cont. haer., l. IV, c. XXXVIII, P. G., t. VII, col. 1105, aplicá-la à condição física do primeiro homem; em Ireneu, ela significa que ele não teve desde o início toda a perfeição final de que era suscetível; no pensamento dos outros Padres, ela se refere às qualidades de simplicidade e inocência infantil que adornavam Adão antes da sua queda. Ver Dom Maran, Praef. in opera S. Justini, part. II, c. V, P. G., t. VI, col. 43; Petau, De opificio sex dierum, l. II, c. IX. A que idade correspondia exatamente o grau de desenvolvimento físico possuído pelo corpo de Adão no dia da sua criação é algo que é supérfluo e até impossível determinar: por razões diversas, as conjecturas variam de trinta a sessenta anos. Pereyra, op. cit., n. 97; Suarez, n. 5-6.

Santo Agostinho assinala uma opinião singular que, em seu tempo, correu entre o povo; baseando-se em uma interpretação demasiado literal destas palavras que o Gênesis diz sobre os nossos primeiros pais após a queda, III, 7: «E seus olhos se abriram, e perceberam que estavam nus», imaginou-se que Adão e Eva haviam sido criados cegos: Neque enim caeci creati erant, ut imperitum vulgus opinatur (Pois não foram criados cegos, como opina o vulgo ignorante). De civit. Dei, l. XIV, c. XVI, P. L., t. XLI, col. 425. O grande doutor refuta essa visão equivocada e restabelece o verdadeiro sentido do texto, no mesmo local e em diversos outros trechos de seus escritos. De Genes. ad litt., l. XI, c. XXXI, P. L., t. XXXIV, col. 445; De nupt. et concup., l. I, c. V, P. L., t. XLIV, col. 416, etc.

3° Inteligência. — À perfeição natural de Adão vinculam-se, como um corolário dos mais importantes, os dons intelectuais com que a sua alma foi enriquecida pelo Criador. Distingue-se a ciência infusa da ciência adquirida ou experimental. Que o primeiro homem tenha sido capaz desta última, ninguém jamais pensou em negar; a questão só poderia versar sobre a ciência infusa e as condições especiais nas quais se encontrou a inteligência de Adão no dia da sua criação. Devemos conceber o pai do gênero humano como esses seres primitivos que o racionalismo nos apresenta vivendo em estado selvagem e próximo ao dos animais? Deveríamos, pelo menos, concebê-lo como Hirscher, Günther e alguns outros autores católicos que, embora reconheçam em Adão uma faculdade intelectiva perfeita, submetem-na, contudo, à lei comum de um desenvolvimento progressivo e, por conseguinte, negam-lhe a ciência infusa? Certamente, essa não é a ideia que nos transmitem a Sagrada Escritura e os Padres. É aos nossos primeiros pais que convém aplicar de forma muito particular, senão exclusiva, esta passagem do Eclesiástico, XVII, 5-6: «Deus formou o homem da terra e o fez à sua imagem... Formou-lhe uma ajuda semelhante a ele; deu-lhes discernimento, língua, olhos, ouvidos e um espírito para pensar, e encheu-os de ciência. Criou neles a ciência do espírito, encheu o coração deles de sabedoria e fez-lhes conhecer o bem e o mal.» Quanto a Adão em particular, os santos Padres veem um indício inequívoco da sua capacidade intelectual no fato de que o Gênesis, II, 19-20, nos representa, logo após a criação, dando aos animais e às aves nomes que lhes convinham perfeitamente. Eusébio, Praepar. evang., l. XI, c. VI, P. G., t. XXI, col. 856; S. João Crisóstomo, In Gen., homil. XIV, n. 5, P. G., t. LIII, col. 116-117; Severiano de Gabala, Orat., VI, n. 2, P. G., t. LVI, col. 486; S. Agostinho, Opus imperf. contra Julian., l. II, c. 1, P. L., t. XLV, col. 1432; Sereno, em Cassiano, Collat., VIII, c. XXI, P. L., t. XLIX, col. 757-758. Assim, Santo Agostinho não teme dizer que, diante da de Adão, nossas mentes mais sutis não passam de peso, plumbei judicantur (são julgadas como chumbo). Opus imperf., l. IV, c. LXXXV, P. L., t. XLV, col. 1381. E São Cirilo de Alexandria afirma expressamente que o chefe do gênero humano não adquiriu a ciência sucessivamente, como nós, mas que, no momento mesmo de sua criação, o Verbo de Deus projetou sobre ele seus raios luminosos e comunicou-lhe uma inteligência perfeita. In Joann., lib. I, P. G., t. LXXIII, col. 164.

A razão íntima deste insigne privilégio deriva da missão que incumbia a Adão, como pai e educador do gênero humano: "Assim como", diz São Tomás (Ia, q. XCIV, a. 3), "o primeiro homem foi formado em um estado perfeito quanto ao corpo, para estar imediatamente em condições de propagar a natureza humana, da mesma forma foi formado em um estado perfeito quanto à alma, para estar em condições de instruir e governar os outros". Em virtude deste mesmo princípio, o Doutor Angélico atribui ao objeto da ciência de Adão tudo o que o homem é naturalmente suscetível de aprender, omnium scientiarum in quibus homo natus est instrui; recusa-lhe, contudo, o que ultrapassa o alcance natural da inteligência humana, como os pensamentos do coração ou os futuros contingentes, e o que não é necessário para a direção da vida. Além disso, como observa noutra parte (Quest. disput., q. XVIII, De verit., a. 4), não se trata necessariamente aqui de uma ciência reduzida ao ato, mas dos princípios subjetivos do conhecimento, daquilo que na Escolástica se denomina habitus: Quidquid unquam homo aliquis de cognitione eorum naturali ingenio assequi potuit, hoc totum Adam naturali cognitione habitualiter scivit. O que não exclui a ignorância experimental das coisas que só se aprendem pelo uso e pela reflexão. Estas considerações permitem reduzir a ciência do primeiro homem ao grau de perfeição relativa que lhe convinha, para que pudesse instruir e governar os outros de uma maneira conforme ao seu estado e à sua missão.

Ir além, atribuindo a esta ciência uma perfeição absoluta, seria, ao que parece, concluir excessivamente a partir do princípio estabelecido. Teólogos recentes fizeram, a este respeito, observações ponderadas. Ver Christ. Pesch, Praelectiones dogmaticae, t. II, n. 241-242. Em particular, a perfeição intelectual de Adão chegaria a excluir a possibilidade de qualquer erro positivo? Esta é uma questão secundária sobre a qual não há acordo completo. A opinião corrente sustenta a afirmativa insinuada por Santo Agostinho (De lib. arbitr., l. III, c. XVIII, n. 52, P. L., t. XXXII, col. 1296) e defendida por São Tomás (Ia, q. XCIV, a. 4); outros seguem, porém, a opinião contrária, considerada suficientemente provável por São Boaventura (In IV Sent., l. I, dist. XXIII, a. 2, q. 1).

4º Vontade. — À perfeição da inteligência correspondia, em nosso primeiro pai, uma perfeição proporcional da vontade, que a Escritura e os Santos Padres exprimem ordinariamente pela ideia de retidão. De forma mais precisa, ela acarreta em Adão a existência de todas as virtudes morais, se não quanto ao exercício, ao menos quanto ao princípio, o habitus. Assim, São João Damasceno mostra-no-lo omni virtutum genere decoratum (De fide orthod., l. II, c. XII, P. G., t. XCIV, col. 922). A Escolástica apenas desenvolveu esta ideia (S. Tomás, IIIa, q. XCV, a. 3; Suarez, l. III, c. XI).

5º Linguagem. — Finalmente, foi uma opinião bastante comum entre os teólogos das diversas confissões que o primeiro homem recebeu, com a ciência infusa, a revelação de uma língua já formada: a língua hebraica. Contudo, esta opinião não tem fundamento nem na Sagrada Escritura nem na Tradição. Aqueles dentre os Padres que trataram da questão atribuem ao homem a invenção da linguagem. S. Agostinho (De ordine, l. II, c. XII, n. 35, P. L., t. XXXII, col. 1011); Gregório de Nissa (Contra Eunom., l. XII, P. G., t. XLV, col. 975, 991 sq., 1006). E é isso, de fato, o que parece mais verossímil (Pesch, p. 214-216). No mais, o estudo geral da relação, mais ou menos necessária, que pode haver entre o conhecimento humano e a linguagem, pertence aos verbetes LINGUAGEM (Origem da), TRADICIONALISMO, FIDEÍSMO.

II. ELEVAÇÃO DE ADÃO AO ESTADO SOBRENATURAL. — Deus não se contentou em prodigalizar ao chefão de obra saído de suas mãos os dons da natureza; a eles juntou os da graça, mediante a elevação do primeiro homem ao estado sobrenatural.

1º Elevação ao estado de graça. — Esta elevação compreende, antes de tudo, o que forma a própria essência deste estado, isto é, a graça santificante com tudo o que a acompanha inseparavelmente. Esta é uma verdade de fé, intimamente ligada a dois dogmas fundamentais: o pecado original e a redenção do gênero humano por Jesus Cristo. O Segundo Concílio de Orange, realizado em 529 contra os semipelagianos, já o havia indicado suficientemente em seu 19º cânone (Denzinger, Enchiridion, n. 162), mas o Concílio de Trento exprime-o mais claramente em duas passagens. Assim, lemos no decreto concernente ao pecado original (sess. V, cân. 1 e 2) "que Adão, o primeiro homem, tendo transgredido o mandamento de Deus no paraíso, decaiu do estado de santidade e justiça no qual havia sido estabelecido... que perdeu assim, para nós como para si mesmo, a justiça e a santidade que recebera". Depois, aprendemos pelo cap. 7 da VIª sessão que esta justiça e esta santidade consistem essencialmente na recepção da graça santificante e dos dons que a acompanham; aqueles que são regenerados pelo batismo nos são retratados "recebendo esta justiça cristã, que é a verdadeira justiça, como a veste primeira que lhes é dada por Jesus Cristo, em lugar daquela que Adão perdeu para si e para nós, por sua desobediência".

Toda essa doutrina, tão nitidamente formulada pela Igreja, repousa sobretudo nesta grande ideia, escriturística e patrística: Jesus Cristo é o segundo ou o novo Adão, porque nos renovou nesse estado de justiça e de santidade interior que o primeiro ou antigo Adão havia recebido, e depois perdido por seu pecado, para si e para toda a sua descendência. (Rm 5, 9-21; 2 Cor 5, 15-21; Ef 1, 4-12; Cl 1, 12-22; e, mais especialmente, Ef 4, 22-24; Cl 3, 9-10). Consistindo este estado de justiça e de santidade interior essencialmente na graça santificante, segue-se que esta foi dada ao primeiro homem antes da sua queda. São João Damasceno resume o ensino dos Padres ao dizer: "O soberano artífice que formou o homem infundiu nele a sua graça divina e, por ela, comunicou-se a si mesmo à sua criatura", divinam ei gratiam suam impertiens seque per eam ipsi communicans. Seria, evidentemente, ir contra esse ensino tão claro da nossa fé sustentar que a santidade primitiva do homem consistia numa justiça puramente natural ou puramente extrínseca; contudo, o estudo desses erros — baianistas, jansenistas, hermesianos e guntherianos — reporta-se mais diretamente à questão da justiça original. Cf. Katschthaler, Theologia dogmatica catholica specialis, Ratisbona, 1877, l. I, p. 2, n. 260.

2º Momento dessa elevação. — Em que momento Adão recebeu a graça santificante? A revelação não dá uma resposta precisa; na Idade Média, houve até divergência de opiniões. Grandes teólogos, como Hugo de São Vítor, Pedro Lombardo (Sent., l. II, dist. XXIV), São Boaventura e Escoto, sustentavam que o primeiro homem foi criado num estado de retidão natural e que, antes de receber a graça santificante, teve de dispor-se por seus atos. Invocavam, sobretudo, razões de conveniência, cuja principal decorre do próprio enunciado de sua opinião: a santificação própria de um adulto exige que haja, da sua parte, uma disposição prévia, e esta não se concebe sem um intervalo de tempo entre a formação do homem e sua elevação ao estado sobrenatural. Em contrapartida, Alberto Magno, São Tomás (I, q. 95, a. 1) e toda a sua escola admitiam a criação e a santificação simultânea do primeiro homem. Os Padres do Concílio de Trento evitaram, deliberadamente, decidir esta controvérsia. Pallavicini, Hist., l. VII, c. ix, n. 1; Massarelli-Theiner, Acta genuina ss. œcumenici concilii Tridentini, Agram (1874), t. I, p. 131, 136, 146. Mas a segunda opinião tornou-se corrente na teologia; ela se recomenda por razões que parecem preponderantes.

Em geral, os Padres favorecem-na, seja afirmando-a expressamente, como São Basílio (Adv. Eunom., l. V, P. G., t. XXIX, col. 727) e Santo Hilário (citado por Santo Agostinho, Contra Julian., l. II, c. vii, P. L., t. XLIV, col. 692), seja pressupondo-a nas interpretações que nos dão de certos textos. Assim, na passagem do Eclesiastes (7, 30), onde se diz que Deus fez o homem reto, eles verão essa retidão perfeita que é devida à santidade sobrenatural (S. Agostinho, De corrept. et grat., c. XI, n. 32, P. L., t. XLIV, col. 370). Nesse texto do Gênesis (1, 26): "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança", ou no outro da Epístola aos Efésios (4, 24): "Revesti-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira", eles verão essa imagem perfeita ou semelhança sobrenatural que a graça santificante colocou no primeiro homem no dia da sua criação e que Jesus Cristo restabelece em nós (Ireneu, Cont. haer., l. V, c. xvi, n. 1, P. G., t. VII, col. 1148; S. Basílio, Sermo ascet., n. 1, P. G., t. XXX, col. 870; S. Gregório de Nissa, De opific. hom., c. xxx, P. G., t. XLIV, col. 255; S. Cirilo de Alexandria, In Joa., l. I, c. ix, P. G., t. LXXIII, col. 161; Teodoreto, In Eph., IV, 30, P. L., t. LXXXII, col. 514; S. Agostinho, De Gen. ad litt., VI, c. xxiv, n. 36, P. L., t. XXXIV, col. 353, etc.).

Da mesma forma, quando o Gênesis (2, 7) nos fala de um sopro de vida comunicado ao primeiro homem — Et inspiravit in faciem ejus spiraculum vitae —, eles verão a graça santificante, dom do Espírito Santo e princípio da vida sobrenatural (S. Basílio, loc. cit.; S. Cirilo de Alexandria, De Trinit. dialog., c. IV, P. G., t. LXXV, col. 907). Pode-se, em verdade, duvidar, e até negar, que esses Padres tenham pretendido dar, então, o sentido literal primeiro desses textos (Suarez, l. II, c. 29; Petau, De opific., l. II, c. IV; Scheeben, Dogmatique, trad. do abade P. Bélet, Paris, 1881, t. III, n. 313 sq.). Mas isso não invalida a prova de autoridade na presente questão; pois, a partir do momento em que eles aplicam essas passagens à santificação de Adão saindo das mãos do Criador, supõem necessariamente essa santificação, seja em virtude do conteúdo implícito desses textos, seja a título de verdade conhecida por outras vias. O segundo Concílio de Orange fala ele próprio dessa integridade na qual a natureza humana fora criada, in qua est condita; e é no mesmo sentido que Santo Agostinho dá à graça de Adão o epíteto de "natural", isto é, ligada à natureza humana em sua origem (De spirit. et litt., c. XXXIII, P. L., t. XLIV, col. 239).

Esta elevação primitiva de Adão ao estado sobrenatural não tem nada que não seja conveniente. Destinando-o Deus a um fim da mesma ordem, era justo que o pusesse, desde o início, no caminho, e que lhe desse, na graça santificante, meios de ação proporcionados. Não é pela mesma razão que Santo Agostinho nos mostra Deus criando os anjos e santificando-os ao mesmo tempo, simul iis et condens naturam et largiens gratiam (De Civit. Dei, XII, c. IX, P. L., t. XLI, col. 357)? Não resta, nesta suposição, a necessidade de negar o que há de sério na primeira opinião. Se alguns teólogos, como Domingo de Soto e Molina, não veem a necessidade de uma disposição prévia ou cooperação por parte de Adão, a maioria a mantém, pois é um modo de santificação mais perfeito em si mesmo e, também, mais conveniente a um adulto, bem como à natureza da graça santificante, que estabelece a amizade entre Deus e o homem. Mas não se segue que seja necessário, a rigor, um intervalo de tempo. Ao admitir a simultaneidade física do ato criador e do ato santificador, pode-se, no instante único e real em que tudo ocorre, conceber uma certa virtualidade onde se situam os atos que teriam acompanhado, em Adão, a infusão da graça santificante. Duas observações de Santo Tomás ajudarão a compreender este ponto delicado. Entre a forma e a disposição que ela pode supor no sujeito, existe, pelo menos, uma relação de subordinação, ordo naturae, mas não necessariamente uma relação de tempo, ordo temporis (Ia IIae, q. CX, a. 8). Por outro lado, o movimento da vontade, não implicando a ideia de continuidade, não pressupõe tampouco uma sucessão de tempo (Ia, q. XCV, a. 1, ad 5um). Nada impede, portanto, que, mesmo no primeiro instante de sua criação, tenha havido, por parte do primeiro homem, cooperação com a graça. Como a alma de Cristo no momento da encarnação, como a alma da Santíssima Virgem Maria em sua Imaculada Conceição, a alma de Adão nos aparece, nesse instante único, dotada de uma virtualidade tão rica, sendo simultaneamente criada por Deus, aderindo a Ele sob a ação da graça atual por um ato de intensa caridade, e santificada pela graça habitual nesse mesmo ato de adesão ao seu fim supremo. Cf. Suarez, c. XIX.

3° Consequências desta elevação. — Basta agora enunciar algumas consequências que resultaram para Adão de sua elevação ao estado sobrenatural. Aos dons insignes que já adornavam sua inteligência e sua vontade, somaram-se as virtudes infusas, teologais e morais, que formam o nobre e inseparável cortejo da graça santificante. Em particular, a fé foi implantada nessa alma como a bússola de uma vida doravante orientada para Deus, o fim sobrenatural. Adão certamente creu em Deus como fim e supremo remunerador (Heb 11,6); provavelmente conheceu o mistério da Santíssima Trindade, e mesmo o da encarnação, embora enquanto distinto do mistério da redenção. Em suma, Santo Tomás atribui como objeto da fé do primeiro homem o que lhe era bom conhecer para poder dirigir sua vida de maneira conforme ao estado em que se encontrava, quanta erat necessaria ad gubernationem vitae humanae secundum statum illum (I, q. XCV, a. 3; IIa IIae, q. I, a. 7; Suarez, c. XVI).

Por fim, para ter uma ideia completa da obra-prima que foi Adão antes da queda, seria preciso juntar aos dons propriamente naturais ou sobrenaturais os privilégios comumente chamados de preternaturais: a integridade ou ausência de concupiscência, a imortalidade, a impassibilidade e a felicidade relativa do paraíso terrestre. Mas, como todos se relacionam ao estado de justiça original, basta indicá-los aqui, fazendo esta observação: os teólogos possuem uma ideia tão elevada da perfeição que resultava de todo este conjunto de dons insignes da inteligência e da vontade, que a maioria, seguindo nisso Santo Tomás (Iª IIae, q. LXXXIX, a. 3), afirma uma espécie de incompatibilidade, ao menos moral, entre o pecado venial e o estado de justiça original, que exclui todo mal do corpo e da alma. O fato de Adão ter podido pecar mortalmente não invalida esta asserção, pois o pecado mortal, destruindo o próprio estado de justiça original, a questão da conciliação entre as consequências desse pecado e a felicidade do paraíso terrestre deixa de existir; seria diferente na hipótese do pecado venial isolado.

III. O PECADO DE ADÃO. — 1º Provação e falta de Adão. — Depois de haver formado o homem, Deus tomou-o e colocou-o em um jardim de delícias, para que dele cuidasse e fosse o seu guardião. E eis o que lhe prescreveu: "Comerás de todos os frutos do paraíso, mas não toques na árvore da ciência do bem e do mal, pois, no dia em que comeres desse fruto, a morte será a tua sorte." (Gn 2, 15-17). Foi esta a provação que o Senhor quis impor ao primeiro homem, assim como à sua companheira Eva, antes de lhes conceder a coroa da suprema felicidade. Havia um preceito estrito e grave, como provam suficientemente a sanção que o acompanhava e as consequências que deveriam resultar da desobediência. Essa gravidade não provinha, é verdade, do objeto mesmo do preceito, mas da sua finalidade: Deus queria afirmar e fazer reconhecer o seu direito inalienável de mestre supremo. Segundo o pensamento dos Padres, de São João Crisóstomo em particular (In Gen., homil. XIV, n. 3, P. G., t. LIII, col. 115), agiu Ele para com o primeiro homem como um senhor generoso que cedesse um soberbo palácio, sob a única condição de que o donatário reconhecesse o seu direito de suserania mediante um módico tributo. Quanto tempo durou a provação, é algo que não se poderia dizer sem cair no arbítrio (Suarez, l. IV, c. vi). Não parece que tenha sido longa, e não foi feliz. Eva, habilmente tentada pelo demônio, sucumbiu e arrastou o seu marido na sua queda: deditque viro suo, qui comedit (Gn 3, 1-7). Este pecado do primeiro homem chama-se pecado original no sentido causal, peccatum originale ORIGINANS. É como tal, em Adão, que devemos estudá-lo.

2º Possibilidade do pecado de Adão. — A primeira questão que se coloca é a possibilidade mesma dessa falta. Como conceber, nessa vontade tão reta, uma tal fraqueza? Nessa inteligência tão rica, um tal erro? Nessa natureza isenta de concupiscência, um movimento desordenado, seja em relação ao fruto proibido, seja até mesmo em relação a Eva, a sedutora provocadora? Diante desta dificuldade, deve-se primeiramente separar as suposições inexatas ou gratuitas. Esses dons tão elevados da vontade, da inteligência e da natureza só existiram em Adão e Eva antes do seu primeiro pecado; ora, nada autoriza a dizer que este primeiro pecado tenha sido acompanhado por um movimento de concupiscência ou por um erro especulativo do juízo. O homem, pelo simples fato de ser livre, pode, por sua própria vontade, dirigir-se a um bem aparente, mesmo quando a inteligência lhe mostra que ele está errado; trata-se de um erro prático, inseparavelmente ligado a toda escolha má, mas não há necessariamente algo mais: Video meliora proboque, deteriora sequor... Resta, portanto, a fraqueza da vontade, e aí reside o grande e misterioso problema da liberdade criada que se levanta diante de nós: Deus ab initio constituit hominem, et reliquit eum in manu consilii sui (Eclo 15, 14). A criatura, por mais rica que seja nos dons da natureza e da graça, permanece livre — enquanto não estiver definitivamente fixada no bem supremo pela visão beatífica — para deter-se em si mesma e desviar-se de Deus; ela pode sempre dizer, teórica ou praticamente: "Não servirei" (non serviam). Os anjos eram incontestavelmente mais perfeitos que Adão, e muitos caíram.

3° Natureza do pecado de Adão. — Mas qual foi o pecado do primeiro homem? A resposta lançará alguma luz sobre o problema que acaba de ser levantado. Ao comer do fruto proibido, Adão pecou, evidentemente, por desobediência; Deus repreende-o por esta falta quando, interpelado, o culpado se desculpa de ter-se escondido, envergonhado pela sua nudez: Quis enim indicavit tibi quod nudus esses, nisi quod ex ligno de quo praeceperam tibi ne comederes, comedisti? (Gn 3, 11). Contudo, essa desobediência teve um móbil íntimo; o que ele foi não nos foi expressamente revelado. Sem dúvida, Adão foi fraco diante de Eva; houve da sua parte uma complacência culpável, como Deus o recorda no momento do castigo (Gn 3, 17): Quia audisti vocem uxoris tuae et comedisti de ligno... Alguns Padres e teólogos viram aí, inclusive, o primeiro pecado. Parece, porém, que o móbil inicial, tanto em Adão como em Eva, tenha sido algo mais íntimo: um sentimento de orgulho desenvolvido por estas palavras do tentador (Gn 3, 5): Eritis sicut dii, scientes bonum et malum. A Sagrada Escritura insinua-o no livro de Tobias (4, 14), quando este santo homem faz ao seu filho a seguinte recomendação: "Nunca permitas que o orgulho domine o teu pensamento ou as tuas palavras, pois é nele que toda ruína teve o seu começo, in ipsa enim initium sumpsit omnis perditio." Muitos Padres são bastante explícitos a este respeito (Suarez, l. IV, c. ii, n. 1). Esta é, em particular, a doutrina de Santo Agostinho: "O mal os havia atingido por dentro", observa ele (De civit. Dei, l. XIV, c. xiii), "antes que chegassem à desobediência formal, pois uma má ação é sempre precedida por uma má vontade. Ora, qual poderia ter sido o princípio dessa má vontade, senão o orgulho, já que, segundo a Escritura, todo pecado começa por aí?" E o mesmo Padre diz ainda de Adão (De Gen. ad litt., l. XI, c. v): "Não se deve acreditar que o tentador teria vencido o homem, se não tivesse primeiramente surgido na alma deste último um orgulho que ele deveria ter reprimido." Esta doutrina foi seguida e magistralmente desenvolvida pelo Doutor Angélico. Tendo Deus criado nossos primeiros pais em um estado de justiça e santidade, no qual a carne estava perfeitamente submissa ao espírito, a revolta teve de começar por este último, isto é, pelo desejo desordenado de um bem de ordem espiritual. O homem pecou principalmente ao desejar ser semelhante a Deus na ciência do bem e do mal, desejo inspirado aos nossos primeiros pais por um amor desordenado à sua própria excelência. Ver Iª IIae, q. CLXIII, a. 1 e 2; Suarez, loc. cit.

Assim se explica o pecado de Adão, segundo aqueles dentre os doutores da Igreja que mais e melhor estudaram a questão. É uma explicação natural, que responde bem à sugestão diabólica: "Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal." Ela responde também a estas palavras que Deus profere após a queda, nas quais transparece uma alusão irônica (Gn 3, 22): "Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal." Foi preciso ignorar esta doutrina para reeditar, em nossos dias, uma objeção tão antiga quanto o pelagianismo, a saber: que haveria no procedimento dos teólogos católicos um círculo vicioso, que consistiria em explicar primeiro o pecado original pela concupiscência, e depois a concupiscência pelo pecado original. Não é nada disso; o primeiro pecado de Adão e Eva explica-se sem a concupiscência, mas, uma vez cometido este primeiro pecado, a concupiscência existe e pode ter o seu papel nos pecados subsequentes, como seriam, da parte de Adão, uma afeição desordenada em relação à sua companheira e, da parte de Eva, um movimento de curiosidade sensual e de gula (Gn 3, 6): Vidit igitur mulier quod bonum esset lignum ad vescendum, et pulchrum oculis, aspectuque delectabile.

4° Gravidade do pecado de Adão. — A gravidade da falta de Adão ressalta da própria natureza do seu pecado e das circunstâncias que o acompanharam: "Houve desprezo do mandamento de Deus, que havia criado o homem, que o havia feito à sua imagem, que lhe havia dado o império sobre os outros animais, que o havia colocado no paraíso, que o havia cumulado de toda sorte de bens, que não o havia sobrecarregado com preceitos numerosos, graves ou difíceis, mas que não lhe havia imposto senão um só, de curta duração e muito fácil" (S. Agostinho, De civ. Dei, l. XIV, c. XII). A responsabilidade foi enorme pelas consequências que acarretou para o gênero humano, do qual Adão era o chefe moral e jurídico; sob este aspecto, o pecado deste último, menor sob outros títulos, supera em gravidade o de Eva (S. Tomás, a. 4; Suarez, Conc.).

Consequências do pecado de Adão. — Estas consequências são tudo o que acarreta o pecado original considerado nos descendentes do primeiro homem, peccatum originale ORIGINATUM; mas elas se aplicaram primeiramente à própria pessoa de Adão (Gn 2, 7-24). Ele sentiu o fogo da concupiscência acender-se em seus membros, doravante insubmissos; ele aprendeu o estado de inimizade que sua falta havia criado entre Deus e ele, e a potência que o demônio havia adquirido sobre sua raça decaída; ele ouviu pronunciar sobre ele e os seus o decreto solene que os condenava aos sofrimentos de toda sorte e, finalmente, à morte. Depois, ele teve que deixar o feliz e fácil refúgio do paraíso terrestre para ir habitar e trabalhar com o suor de seu rosto em uma terra privada, doravante, da bênção primitiva. O Concílio de Trento resumiu todas essas consequências no 1º cânon de sua 5ª sessão, cujo objeto é o pecado original; ele define «que Adão, o primeiro homem, tendo transgredido o mandamento de Deus no paraíso, decaiu do estado de santidade e de justiça no qual havia sido estabelecido; que, por esse pecado de desobediência e essa prevaricação, ele incorreu na cólera e na indignação de Deus e, em consequência, na morte, da qual Deus o havia anteriormente ameaçado, e com a morte, no cativeiro sob a potência do diabo, que desde então possuiu o império da morte; e que, por essa ofensa e essa prevaricação, Adão sofreu um estado de decadência quanto ao corpo e à alma» (Denzinger, Enchiridion, n. 670).

Para bem compreender o sentido dessas últimas palavras, é preciso notar que todas as consequências enumeradas pelo Gênese e pelo Concílio atingiram Adão, não em sua natureza humana tomada em si mesma ou no que a constitui fundamentalmente, mas nessa natureza tal como ela existia antes da queda, isto é, sobrelevada e enriquecida de todos os dons próprios à justiça e à integridade original; é desse Adão histórico, desse homem primitivo, sobrelevado e íntegro, de quem é preciso dizer que ele sofreu um estado de decadência quanto ao corpo e à alma. Pois ele perdeu os dons preternaturais ligados à natureza mesma como apanágio da justiça original: a integridade, a imortalidade, a impassibilidade. Perdeu ele também os dons preternaturais ligados à sua pessoa, como aquelas ciências infusas da ordem natural que ele havia recebido em sua qualidade de chefe e de educador do gênero humano? Os documentos revelados silenciam sobre este ponto. Adão decaído guardava essa missão primitiva, mas a condição do gênero humano não era mais a mesma que no paraíso terrestre; por conseguinte, o papel de Adão como chefe e educador tornou-se outro. O que ele teve de guardar de sua ciência primitiva e, se a guardou toda inteira, que uso dela pôde ele fazer doravante? São João Crisóstomo diz de passagem (In Joa., homil. VII, n. 1, P. G., t. LIX, col. 63) que, longe de adquirir uma ciência maior ao comer do fruto proibido, Adão não perdeu pouco daquela que possuía anteriormente. A questão permanece obscura e incerta e, pelo fato mesmo, não se saberia apreciar com segurança o grau de ciência que o primeiro homem possuía antes de sua queda, pela ideia que os documentos posteriores poderiam nos dar de seu estado intelectual ou do de seus descendentes imediatos.

Na ordem estritamente sobrenatural, Adão perdeu a graça santificante e tudo o que não subsiste sem ela: a caridade, as virtudes morais infusas e os dons do Espírito Santo. Houve também perda da fé e da esperança? Um certo número de Padres antigos o afirmam, na persuasão de que Adão, como Eva, mas após ela, creu nas palavras da serpente e duvidou da veracidade divina. Contudo, outros consideram que nada na Sagrada Escritura autoriza realmente essa maneira de ver; São Paulo, entendido sem ambiguidades, parece afirmar o contrário quando diz que a mulher foi seduzida, mas não Adão (1Tm 2, 14): Adam non est seductus, mulier autem seducta in prevaricatione fuit. É sobretudo a opinião de Santo Agostinho (De Gen. ad lit., l. XI, c. XLII, P. L., t. XXXIV, col. 442; De civ. Dei, l. XIV, c. XI, P. L., t. XLI, col. 419), e os grandes teólogos da época foram em geral seguidos (cf. Tomás de Aquino, III, q. XXI, a. 3-4; Caetano, Comment. in h. loc.; Suarez, De gratia, l. V, c. III; Salmanticenses, De incarnat., dist. XXVIII, n. 104). Do resto, poder-se-ia admitir em Adão uma certa sedução sem que o pecado de infidelidade se seguisse, como explica São Tomás em seu comentário sobre a primeira Epístola a Timóteo, c. II, lect. III. O que é certo é que, imediatamente após a queda, Deus se dirige à fé e à esperança do primeiro Adão, fazendo luzir aos seus olhos, no longínquo do futuro, imagem obscura, sem dúvida, mas já reconhecível, do segundo Adão, Aquele que esmagará a cabeça da serpente (Gn 3, 15). Também, nota Tertuliano, Deus, que destinava nossos primeiros pais à reabilitação e que os via já se reerguerem pelo reconhecimento de sua falta, não pronunciou contra eles sentença de maldição: Ideoque nec maledixit ipsum Adam, nec Evam, ut restitutionis candidatos, ut confessione relevatos (Adv. Marcion., l. II, c. XXV, P. L., t. II, col. 315).

IV. ARREPENDIMENTO E SALVAÇÃO DE ADÃO. — 1º Vida de Adão após sua queda. — A Sagrada Escritura nos oferece poucos detalhes sobre a vida do primeiro homem após sua decadência. Ele teve por filhos Caim, depois Abel (Gn 4, 1-2). Quando este último tombou, vítima inocente de um ódio fratricida, o pai do gênero humano teve de compreender toda a gravidade do decreto de morte que pesava doravante sobre sua estirpe. Sete substitui Abel (Gn 4, 25); mas, ao lado desses três filhos, nominalmente designados por causa da relação especial que tiveram com a história da revelação, o autor do Gênesis assinala de forma indeterminada outros filhos e filhas (Gn 5, 4): genuitque filios et filias. Santo Epifânio atribui, segundo o livro apócrifo dos Jubileus ou Pequena Gênese, o número total de doze filhos e duas filhas (Hær., 39, P. G., t. XLI, col. 672); Cedreno, o de trinta e três filhos e vinte e sete filhas (Compend. histor., P. G., t. CXXI, col. 4); Honório de Autun, o de trinta e três filhos e trinta e três filhas (De imagine mundi, l. III, P. L., t. CLXXII, col. 165). Nenhum desses esclarecimentos oferece garantia suficiente, para não dizer mais.

Expulso do Éden, Adão teve de cultivar a terra e dela extrair, com o suor de seu rosto, seus meios de subsistência (Gn 3, 17), o que fez dele o primeiro agricultor, sem falar dos outros ofícios que a necessidade o forçou, sem dúvida, a exercer. Cf. Ugolino, Thesaurus antiquitatum sacrarum, t. XXIX, Comment. de re rustica veterum Hebræorum, c. V, p. 255-257; Geetzius, Dissert. de molis et pistrinis veterum, c. II, n. 7-10, ibid., p. 125-129; Bynzeus, De calceis Hebræorum, c. I, n. 2-3, ibid., p. 675. Também não se poderia duvidar de sua influência sobre o desenvolvimento nascente dos ofícios e das artes, que se manifesta no capítulo IV do Gênesis. Por outro lado, não há espaço para se deter nessas lendas orientais, judaicas ou muçulmanas, nas quais se detalham as obras que Adão teria composto e os livros misteriosamente caídos do céu que ele teria recebido para sua direção moral e o conhecimento do futuro.

O que é mais digno de atenção é a parte incontestável que ocupa no lar de Adão o pensamento de Deus e o espírito de fé. Eva, tornando-se mãe pela primeira vez, atribui a Deus o fruto de suas entranhas: Possedi hominem per Deum (Gn 4, 1). Mais tarde, quando Sete vem consolá-la da morte de Abel, é ainda a Deus que, num impulso de reconhecimento, seu coração de mãe se volta: Posuit mihi Deus semen aliud pro Abel, quem occidit Cain (Gn 4, 25). Os sacrifícios, oferecidos à divindade, são prática corrente nesta primeira geração dos filhos de Adão (Gn 4, 3-5).

2º Arrependimento de Adão. — Bastariam esses indícios para concluir que, após sua expulsão do paraíso terrestre, o primeiro homem não foi nem um rebelde nem um desesperado, mas um crente e um penitente. Ademais, o livro inspirado da Sabedoria nos fornece, sobre o arrependimento de Adão e sua justificação, um esclarecimento direto e formal. Lemos nos capítulos 9, 19 e 10, 1-2: «Foi pela sabedoria, Senhor, que foram curados todos aqueles que vos agradaram desde o princípio. Foi ela que guardou aquele que Deus criou sozinho, que Ele havia formado o primeiro para ser o pai do mundo; foi ela também que o tirou de seu pecado.»

3º Salvação de Adão. — Deste arrependimento e desta reconciliação com Deus, pode-se concluir pela salvação eterna de Adão? Se o texto sagrado não é preciso sobre este último ponto, é, pelo menos, o sentido que vem mais naturalmente ao pensamento, como observa Santo Agostinho em uma carta a Evódio (Epist., CLXIV, n. 6, P. L., t. XXXIII, col. 711). A sabedoria torna Adão objeto da complacência divina ao fazê-lo sair de seu pecado; efeito falho, certamente, se Adão tivesse, em seguida, recaído e morrido na impenitência. Em todo caso, acrescentemos com o bispo de Hipona que a tradição completa a prova: «Com relação ao primeiro homem, pai do gênero humano, quase toda a Igreja concorda em reconhecer que Jesus Cristo o tirou do limbo, e não se deve presumir que esta crença seja sem fundamento.» Quod eam non inaniter credidisse credendum sit, undecumque hoc traditum sit, etiamsi canonicarum Scripturarum hinc expressa non proferatur auctoritas. Assim, quando, por volta do fim do século II, Taciano e os encratitas, seus seguidores, sustentaram que Adão estava condenado, esse sentimento foi vivamente reprovado e classificado desde então no catálogo de seus erros doutrinários. S. Irineu, Cont. hær., l. I, c. XXVIII, P. G., t. VII, col. 690; S. Epifânio, Hær., XLVI, P. G., t. XLI, col. 838; Tertuliano, De præscript., c. III, P. L., t. II, col. 725; De pœnit., c. II, P. L., t. II, col. 1348; S. Filástrio, De hær., c. XLVIII, P. L., t. XII, col. 1164; S. Agostinho, De hær., n. 25, P. L., t. XLII, col. 30. A essas reprovações do erro se juntam outros testemunhos que mostram de forma positiva a crença dos Padres ou de sua época na salvação de Adão. Orígenes, Comment. in Matth., n. 126, P. G., t. XIII, col. 1777; S. Gregório de Nazianzo, Orat., XXXVIII, n. 7, P. G., t. XXXVI, col. 289, onde ele diz de nossos primeiros pais: Utrumque Christus passione sua salute donavit; Pseudo-Jerônimo, Breviar. in Ps. XLVIII, P. L., t. XXVI, col. 1123; S. Agostinho, De peccat. mer., l. I, c. XXXIV, P. L., t. XLIV, col. 135, onde ele diz de Adão e de Eva: Postea juste vivendo..., merito creduntur per Domini sanguinem ab extremo supplicio liberati.

Após este conjunto de testemunhos, causa estranheza que, no século XII, Rupert (+ 1135), abade do mosteiro de Saint-Héribert de Tuy, perto de Colônia, tenha podido considerar a salvação do primeiro homem como duvidosa (*In Genes.*, l. III, c. XXX, P. L., t. CLXVII, col. 318: Salvatio ejus et a multis libere negatur, et a nullo satis firmiter defenditur). Aparentemente, ele não possuía senão uma compreensão imperfeita da tradição patrística; além disso, estava influenciado por uma ideia imprecisa, que hoje seria classificada como uma doutrina divergente: ele não considerava o livro da Sabedoria como Escritura canônica. Cinquenta anos mais tarde, Filipe de Harveng (+ 1183), abade de Bonne-Espérance, no Hainaut, publicou uma Responsio de salute primi hominis, P. L., t. CCIII, col. 593-622, onde demonstra indícios da salvação de Adão em diversas passagens do Gênesis, baseando-se, sobretudo, no livro da Sabedoria e, finalmente, na tradição (c. XXV-XXVII). Os teólogos posteriores contentaram-se em assinalar a opinião particular de Rupert, refutando-a brevemente; a antiga crença, que permaneceu comum, é considerada há muito tempo como uma verdade adquirida. É fácil compreender as razões de alta conveniência que a recomendam; Santo Irineu as desenvolveu (l. III, c. XXI, P. G., t. VII, col. 960), sendo esta, entre outras: Jesus Cristo, o novo Adão, veio para reparar a derrota do velho Adão e esmagar a cabeça da serpente infernal; asseguradamente, a vitória do segundo Adão seria bem pálida se o primeiro Adão, chefe físico e moral da humanidade, permanecesse para todo o sempre sob o poder do inimigo.

4º Culto de Adão. — Mas qual foi a atitude oficial da Igreja nesta questão? É preciso distinguir o Oriente do Ocidente. As Igrejas orientais honram Adão e Eva com um culto público. Entre os gregos, sua festa celebra-se no domingo que precede a Natividade de Nosso Senhor; além disso, a 25 de março, Feria VI in Parasceve, faz-se memória de Adão criado, decaído, morto e sepultado. Nos códices siríacos manuscritos do Vaticano, encontra-se marcada, no 6º dia do mês de nisan, a morte de nosso Pai Adão; depois, na 3ª ferial da oitava da Páscoa, a comemoração de Abraão, de Isaac, de Jacó, de Adão, de Eva, de Seth e de Enos. A Igreja armênia celebra a festa dos santos patriarcas Adão, Abel, Seth, etc., no sábado que segue o primeiro domingo após a Transfiguração, ou 7º domingo após o Pentecostes. No ano eclesiástico dos coptas, a comemoração de Adão e de Eva é colocada no 6º dia do mês de pharemuthi ou abril. Ver para todos esses pontos Nilles, Kalendarium manuale utriusque Ecclesiæ Orientalis et Occidentalis... auctius atque emendatius, Inspruck, 1897, t. II, p. 253-254, 334, 541, 591, 717. Acrescentemos, enfim, que Adão tem sua capela sobre o monte do Calvário.

A Igreja romana não consagrou publicamente o culto de nossos primeiros pais. Alguns martirológios latinos fazem, contudo, memória de Adão, seja no 25 de março, seja no 24 de abril, seja ainda no 23 de agosto. Ver Acta sanctorum, t. VII, p. 532, 541; t. XI, p. 260; Usuardi Martyrol. Auctaria..., ao 25 de março e ao 23 de agosto, P. L., t. CXXIII, col. 873, 874; t. CXXIV, col. 394.

V. SEPULTURA DE ADÃO. — O primeiro homem morreu à idade de 930 anos: Et factum est omne tempus quod vixit Adam, anni nongenti triginta, et mortuus est. (Gen., V, 5). Onde foi ele enterrado? A santa Escritura não o diz, e a tradição não tem nada de fixo sobre este ponto. A questão é, aliás, complexa e ligada a vários problemas cujos dados nos escapam. Assim, onde se encontrava o paraíso terrestre? Adão, após ter sido expulso, permaneceu nas redondezas, ou foi para longe? Seus filhos enterraram-no onde ele morreu, e seus ossos permaneceram definitivamente no lugar de sua sepultura primitiva? As respostas a todos esses problemas são tão divergentes quanto incertas.

1. SENTIMENTO QUE SITUA A SEPULTURA DE ADÃO NAS REDONDEZAS DO PARAÍSO TERRESTRE. — Uns contentam-se em dizer que, verossimilmente, Adão permaneceu nas redondezas do paraíso terrestre, que lá passou sua vida e lá morreu. Ver, entre outros, Joh. Nicolai, De sepulchri... Hebreorum, l. II, c. I, no Thesaurus de Ugolino, t. XXXIII, p. 203-210. Pode-se aproximar desta opinião o que se lê em diversos livros apócrifos, de data incerta, mas anteriores ao século VI. Assim, de acordo com o Apocalipse de Moisés, Adão foi sepultado na região do paraíso, no lugar onde Deus havia tomado o pó do qual foi formado o corpo do primeiro homem (Tischendorf, Apocalypses apocryphae, Leipzig, 1866, p. 21-23). O Testamento ou Penitência de Adão especifica mais, pois Seth fala assim: «Após a morte de meu pai Adão, nós o sepultamos, eu e meu irmão, ao oriente do Paraíso, em frente à cidade de Hénoch, a primeira que foi edificada na terra... E nós selamos este testamento, e o colocamos na caverna dos Tesouros, onde permaneceu até este dia, com os tesouros que Adão havia trazido do paraíso, o ouro, a mirra e o incenso.» (Journal asiatique, Paris, 1853, 5ª série, t. III, p. 457).

Fora desta primeira opinião, duas tradições particulares merecem ser assinaladas.

I. OPINIÃO QUE O SITUA EM HEBRON. — Uma das correntes, comum entre os judeus, situa o túmulo de Adão em Hebron. Criado na Judeia, o primeiro homem para lá retornou após a sua queda; ali morreu e foi sepultado perto de Hebron, na caverna chamada Macpela ou "a dupla", como, mais tarde, os três grandes patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Daí o nome primitivo de Cariath-Arbe, ou cidade dos quatro. Lightfoot, Fragmenta Terrae Sanctae historico-chorographica, § 3, 1, Opera posthuma, Utrecht, 1699, p. 66-67. São Jerônimo é o principal representante desta opinião. De situ et nomin. locorum hebraic.; Hebraic. quaest. in Genes., P. L., t. XXIII, col. 862, 972; Comment. in Evang. S. Matth., XXVII, 33, P. L., t. XXVI, col. 209; Epist., CVIII, ad Eustoch., n. 11, P. L., t. XXII, col. 886. Ele fundamenta-a, em toda parte, numa passagem do livro de Josué, XIV, 15, traduzida da seguinte forma na Vulgata: Nomen Hebron ante vocabatur Cariath-Arbe; Adam maximus ibi inter Enacim situs est. "Hebron chamava-se anteriormente Cariath-Arbe, isto é, oppidum quatuor virorum; o grande Adão repousa ali entre os enaquins." Durante muito tempo, graças à autoridade de São Jerônimo, esta interpretação fez lei no Ocidente. Santo Isidoro de Sevilha, De ortu et obitu Patrum, l. I, n. 5, P. L., t. LXXXIII, col. 131; Beda, In Matth., XXVII, P. L., t. XCII, col. 123; Ruperto, In Gen., l. II, c. XXXI, P. L., t. CLXVII, col. 318; São Tomás, Comment. in Matth., XXVII, e in Joa., XIX, lect. XXXI; Adrichomius, Theatrum Terrae Sanctae, 1590, p. 49, 202, etc. Contudo, ela é inadmissível, pois eis o verdadeiro sentido do texto hebraico, que se pode, aliás, confirmar por Jos. XV, 13-14; XXI, 11: "Hebron chamava-se anteriormente Cariath-Arbe, isto é, a cidade de Arbé; este homem (Arbé) era o maior ou o pai dos enaquins." Cf. Cornélio a Lapide, Masius e outros comentadores sobre Jos. XIV, 15; Knabenbauer, Cursus Script. sacrae... in Matth., t. II, p. 517. Deve-se notar, aliás, que o próprio São Jerônimo fez as suas reservas por duas vezes. Assim, na carta a Eustóquia, falando de Adão como a quarta personagem enterrada na gruta de Hebron, acrescenta: Licet plerique, Caleb putent, cujus ex latere memoria monstratur. E no livro De situ et nominibus, diz sobre o primeiro homem: Licet eum quidam positum in loco Calvariae suspicentur. Por que, apesar de tudo, ele se mantinha favorável a Hebron? Talvez encontrasse entre os judeus uma tradição independente do livro de Josué e que lhe parecia justificar a sua interpretação preferida.

II. OPINIÃO QUE O SITUA NO CALVÁRIO. — A outra tradição situa a sepultura de Adão no Calvário.

1º No Oriente. — Ela aparece, pela primeira vez, no século III, em Orígenes, Comment. series in Matth., n. 126, P. G., t. XIII, col. 1777: Venit ad me traditio quaedam talis, quod corpus Adae primi hominis, ibi sepultum est ubi crucifixus est Christus. No século seguinte, os testemunhos multiplicam-se no Oriente. É assim que, num belo movimento de eloquência, Santo Efrém nos mostra Jesus Cristo, no dia da ressurreição dos corpos, plantando a cruz, o seu estandarte, no Calvário, sobre o túmulo de Adão: Crucis vexillum super Adae tumulum defixurus. Opera syriace et latine, Roma, 1748, t. I, p. 499. Na sua 85ª homilia, In Joann., P. G., t. LIX, col. 459, São João Crisóstomo assinala a mesma tradição: Quidam dicunt Adamum ibi mortuum esse et jacere. Ela encontra-se com mais detalhes em Santo Epifânio, Haeres., XLVI, n. 5, P. G., t. XLI, col. 844-845; o primeiro homem, após a sua expulsão do paraíso terrestre, teria primeiro habitado nos arredores, depois teria vindo para a Judeia e teria sido sepultado no Gólgota. Mesmo relato no comentário In Isaiam prophetam, que se atribui frequentemente a São Basílio e que, ao menos, parece ser da mesma época. P. G., t. XXX, col. 348. Mas há diferença de fontes; este autor fundamenta o seu relato numa tradição oral: Ejusmodi autem fama obtinuit, quae per traditionem non scriptam in Ecclesia servatur; Santo Epifânio liga-o a documentos escritos: Id quod e librorum monumentis didicimus. Segundo uma homilia De passione et cruce Domini, que se encontra nas mais antigas coleções das obras de Santo Atanásio, mas que não parece ser dele, as fontes seriam judaicas, P. G., t. XXVIII, col. 208: Non alibi patitur, non alio loco cruci affigitur, quam in Calvariae loco, quem Hebraeorum magistri aiunt fuisse Adami sepulcrum. No século V, reencontramos a tradição no poeta Nono de Panópolis, Paraphr. in Joa., XIX, P. G., t. XLIII, col. 901, e em Basílio de Selêucia, Orat., XXXVI, n. 3, P. G., t. LXXXV, col. 410. Este último acrescenta um detalhe bastante singular: Ex Judaeorum Cabala Adae cranium aiunt ibi repertum, idque Salomonem pro supereminenti sua sapientia dignavisse. Cujus rei gratia eum locum Calvariae nomen retulisse ferunt.

Os testemunhos gregos dos séculos seguintes, em geral, apenas seguem os passos de seus predecessores. Tais como, em uma época indeterminada, o autor desconhecido das Quaestiones ad Antiochum, P. G., t. XXVIII, col. 627; no século VI, Anastácio do Monte Sinai, Contempl. in Hexam., l. V, P. G., t. LXXXIX, col. 944; no século VIII, São Germano de Constantinopla, que concede plena credibilidade à tradição, vera ac antiqua Patrum traditio, Sermo in Dominici corporis sepult.; Rerum ecclesiast. contempl., P. G., t. XCVIII, col. 256, 395; no século X, Simeão Metafraste, Vitae sanctorum, 11 de janeiro, P. G., t. CXIV, col. 478-479; no século XI, Teofilacto, Enarrat. in Matth., XXVII, et in Marc., XV, P. G., t. CXXIII, col. 468, 668, e o historiador Jorge Cedreno, que nos diz sobre Adão, sem fornecer outra prova: Sepultus est in terra Hierosolymitana, ut Josephus narrat, Histor. compend., P. G., t. CXXI, col. 42, 819, para ser aproximado de Miguel Glicas, Annal., part. II, P. G., t. CLVIII, col. 239; no século XII, Eutímio, Comment. in Matth., XXVII, P. G., t. CXXIX, col. 720, e Teófanes Cerameu, Homil., XXVII, P. G., t. CXXXII, col. 582-583. Dois testemunhos do século X merecem, contudo, uma atenção especial pela maneira como explicam a sepultura de Adão no Calvário; são eles os do bispo sírio Moisés Bar Cepha, De parad., part. I, c. XIV, P. G., t. CXI, col. 498, e do patriarca de Alexandria Eutíquio ou Saïd Ibn Batrik, Annales, P. G., t. CXI, col. 911, 914-918. Após sua queda, nossos primeiros pais teriam habitado na fronteira ocidental do paraíso terrestre, na caverna dos Tesouros; é ali, igualmente, que teriam sido sepultados. Mas, no momento do dilúvio, Noé levou na arca o corpo de Adão e os famosos tesouros vindos do paraíso. Mais tarde, Sem e Melquisedeque, ainda jovem, teriam transportado para Jerusalém e enterrado no local do Calvário o corpo ou a cabeça do primeiro homem. Todo este relato encontra-se no apócrifo intitulado O Livro de Adão dos Cristãos do Oriente, ou a Contradição de Adão e Eva, composto, verosimilmente no Egito, no século V ou VI de nossa era. Ver A. Dillmann, Das christliche Adambuch des Morgenlandes, Gotinga, 1853.

Feita a abstração das divergências de detalhes, há, portanto, no Oriente, uma tradição antiga e constante a favor da sepultura do primeiro homem no Calvário; ela explica a presença, no Santo Sepulcro, da capela dita de Adão. Quaresmius, Terra Sanctæ elucidatio, t. II, l. V, c. IV; Mons. Mislin, Les Saints Lieux, t. III.

2º No Ocidente. — No Ocidente, os testemunhos antigos são muito mais raros, sobretudo os testemunhos autênticos; pois os direitos da crítica exigem que se eliminem vários dos Padres frequentemente citados. Assim, o Sermo de resurrectione Christi não é de São Cipriano, mas de um autor muito mais recente; o Sermo, LXXI, de tempore, atribuído a Santo Agostinho, não é deste Pai, principalmente na passagem relativa ao túmulo de Adão. P. L., t. XXXIX, col. 1751. O Carmen adversus Marcionem não é de Tertuliano; é, contudo, muito antigo, composto certamente antes do final do século IV. É um primeiro documento onde a tradição a favor da sepultura do primeiro homem no Calvário é nitidamente expressa, P. L., t. II, col. 1067:

Golgotha locus est, capitis calvaria quondam:
Lingua paterna prior sic illum nomine dixit;
Hic medium terræ est, hic est victoria signum:
Os magnum hic veteres nostri docuere repertum,
Hic hominem primum suscepimus esse sepultum,
Hic patitur Christus, pio sanguine terra madescit,
Pulvis Adæ ut possit veteris cum sanguine Christi
Commixtus, stillantis aquæ virtute lavari.

Vem em seguida Santo Ambrósio, que menciona a tradição, ut Hebræi disputant, e dela se serve ele mesmo. Exposit. Evang. sec. Lucam, l. X, n. 114, e Epist. LXXI, n. 10, P. L., t. XV, col. 1820; t. XVI, col. 1243. Como vimos, São Jerônimo não era favorável a essa opinião; sobretudo, não gostava que se visse, no momento em que Jesus Cristo teria sido crucificado acima do túmulo de Adão, o cumprimento destas palavras proféticas, relatadas pelo apóstolo, Ef. V, 14: Surge qui dormis, et exsurge a mortuis. In Epist. ad Eph., V, 14, P. L., t. XXVI, col. 526 e, sobretudo, In Evangel. S. Matth., XXVII, 33: Favorabilis interpretatio et mulcens aurem populi, nec tamen vera, ibid., col. 209. Deve-se, contudo, notar que ele reconheceu a existência da tradição, De situ et nomin., loc. cit., e que, em uma carta a Marcela, que ele certamente não ignorou, se não a inspirou, Paula e Eustóquia, suas filhas espirituais, dela fizeram uso: In hac urbe, imo in hoc tunc loco, et habitasse dicitur et mortuus esse Adam, etc. Epist., XLVI, P. L., t. XX, col. 485. Não se citam no Ocidente outros documentos antigos a favor da sepultura de Adão no Calvário. Mas, mais tarde, nos séculos XVI, XVII e XVIII, esta opinião gozou de grande voga junto aos exegetas, aos teólogos e aos historiadores eclesiásticos; basta nomear Toledo, In c. XIX Joa., annot. 12; Suárez, In III part. Summæ, q. XLVI, a. 10, n. 6-10; Barônio, Annales Eccles., ann. Christi 34, n. 108-111; Henschenius, Acta sanctorum, t. VIII, p. 541-542; Bento XIV, Comment. D. N. Jesu Christi Matrisque ejus festis, part. I, c. CCLXXII. Muitos distinguem nitidamente a questão tradicional da questão etimológica referente à origem da palavra Calvário: In hoc, observa Suárez, aliud est loqui de re ipsa, an scilicet, Adamus sepultus esset in loco Calvariæ, aliud de denominatione Calvariæ, unde sumpta sit. Quod ergo ad rem attinet, inprimis non videtur contemnenda tantorum Patrum traditio. Neque enim verisimile est non fuisse ex aliquo probabili fundamento ortam.

IV. CONCLUSÃO. — O que concluir de tudo isto? A tradição que situa no Calvário o sepulcro do primeiro homem é, sem dúvida, digna de respeito; as objeções que São Jerônimo lhe opôs, ou que lhe foram feitas desde então, estão longe de ser conclusivas. Contudo, ela não se impõe nem à fé nem à crítica, pois não possui caráter dogmático; o que afirma é pouco preciso ou não se concilia plenamente, e suas origens são imprecisas. Gostaríamos, sobretudo, de conhecer o valor dessas fontes primitivas, documentos escritos ou tradições orais de proveniência judaica, sobre as quais se apoiam, em última análise, os mais antigos testemunhos patrísticos. Mas este é o lado mais obscuro do problema. Talvez se pudesse assinalar um ponto de contato entre essa opinião e o que diz sobre o nosso primeiro pai o Livro dos Jubileus ou Pequena Gênese, apócrifo judaico que dataria ou da época em que nasceu Nosso Senhor, opinião de Ewald, ou do século que precedeu esse nascimento, opinião de Dillmann. No capítulo III deste livro, indica-se como morada de Adão, após sua expulsão do Éden, a terra de Eldad, “onde ele havia sido criado”; no capítulo IV, situa-se também seu túmulo na terra onde ele havia sido criado, e esta terra, segundo o capítulo VIII, compreende o monte Sião, “centro da terra”. Ver Rönsch, Das Buch der Jubiläen oder die Kleine Genesis, Leipzig, 1874, p. 264, 342. Assim, segundo este apócrifo, ao qual os antigos Padres, e São Epifânio em particular, recorreram comprovadamente, a Judeia, e mais especificamente Jerusalém, centro do mundo para os judeus, seria o local da sepultura do primeiro homem. Deste dado geral para a opinião mais caracterizada da sepultura no Calvário, a distância não é grande.

Seja como for, há na tradição que nos mostra o sangue de Jesus Cristo gotejando sobre o crânio ressecado do velho ancestral uma ideia elevada que deve ser retida: a ideia da relação íntima que houve entre a efusão do sangue do segundo Adão no Calvário e a redenção do primeiro Adão. Neste sentido elevado, este último esteve moralmente no Gólgota, recebendo, a um título especial, a aplicação do sangue redentor. É o pensamento que desenvolve muito felizmente, sob uma forma imaginativa, a segunda parte do Evangelho de Nicodemos ou a Descida de Cristo aos infernos, quando nos representa o segundo Adão dirigindo-se, primeiramente, ao primeiro, para comunicar-lhe a boa nova de sua libertação. Tischendorf, Evangelia apocrypha, Leipzig, 1853, p. 379-382. A caveira e os ossos colocados ao pé dos crucifixos poderão sempre nos recordar esta grande ideia.

VI. ADÃO COMO FIGURA DE JESUS CRISTO. — Às considerações precedentes junta-se naturalmente outra, muito importante na economia do dogma cristão e no desenvolvimento da teologia católica: a da relação típica de Adão com Jesus Cristo, único e universal redentor do gênero humano. A doutrina é claramente formulada por São Paulo na Epístola aos Romanos (V, 14), onde chama Adão de forma futuri, isto é, a figura do que viria, e na primeira Epístola aos Coríntios (XV, 45), onde opõe ao primeiro homem, Adão, o novo ou último Adão: Primus homo Adam... novissimus Adam. Nesses dois passos, temos, de um lado, o chefe moral do gênero humano pecador e decaído; do outro, o chefe moral do gênero humano resgatado e reerguido (Rom., V, 12, 18, 19; I Cor., XV, 21, 22). Adão é, assim, a figura de Jesus Cristo por antítese, como observa Santo Agostinho a propósito destas palavras do apóstolo: Adæ qui est forma futuri: Cujus futuri, nisi Christi? Et qualis forma, nisi a contrario? (De nupt. et concup., l. I, c. XXVII, P. L. t. XLIV, col. 462-463). E é nisto, sobretudo, que se deve, segundo os Padres e os doutores da Igreja, situar a relação típica de Adão com Jesus Cristo (S. Irineu, Cont. hær., l. III, c. XXII, P. G., t. VII, col. 958; Orígenes, Comment. in Epist. ad Rom., l. V, n. 4, P. G., t. XIV, col. 1007; S. João Crisóstomo, In Epist. ad Rom., homil. X, n. 4, P. G., t. LX, col. 475; S. Ambrósio, Comment. in Epist. ad Rom., V, 14-15, P. L., t. XV, col. 96-97; S. Tomás, Exposit. in Epist. ad Rom., c. V, lect. IV). A antítese existe entre a pessoa dos dois chefes e o gênero de influência que lhes é próprio: Adão não é, por si mesmo, e decaído, não é de fato, senão um princípio de vida natural, enquanto Cristo, unido hipostaticamente à pessoa do Verbo e redentor do gênero humano, é, por si mesmo e de fato, um princípio de vida sobrenatural: Factus est primus homo Adam in animam viventem; novissimus Adam in spiritum vivificantem (I Cor., XV, 45). A antítese existe, sobretudo, entre os atos dos dois chefes e as consequências que se seguem: de um lado, desobediência, estado de pecado e de decadência, morte; do outro, obediência, justificação e reabilitação, ressurreição: Sicut enim per inobedientiam unius hominis peccatores constituti sunt multi, ita et per unius obedientiam justi constituentur multi (Rom., V, 19). E sicut in Adam omnes moriuntur, ita et in Christo omnes vivificabuntur (I Cor., XV, 22).

Contudo, pelo próprio fato de que Adão e Jesus Cristo são, ambos, princípio de vida para os demais homens, há necessariamente, na relação típica entre um e outro, mais do que uma antítese. Enquanto criado imediatamente por Deus e constituído tronco físico e chefe moral da humanidade elevada, destinado a tornar-se o pai e educador de uma raça numerosa e, em vista desta missão, adornado com dons insignes e absolutamente excepcionais, Adão é, por relação de semelhança, a figura daquele que deveria ser concebido no seio casto da Virgem Maria, graças a uma ação imediata do Espírito Santo, constituído por Deus como chefe dos homens e seu mestre por excelência, adornado, mesmo em sua natureza humana, com os dons mais sublimes de ciência e santidade. Se a personalidade divina, que predomina em tudo em Jesus, faz com que a realidade supere infinitamente a figura, esta nem por isso deixa de ser verdadeira, embora imperfeita. Por isso, Tertuliano expressa uma ideia tão justa quanto elevada ao nos mostrar o divino artífice dedicando-se com um amor de predileção à formação do primeiro corpo humano e fixando, ao mesmo tempo, seu olhar no segundo Adão, o Cristo, como em um ideal que ele já vislumbrava no futuro: Quodcumque limus exprimebatur, Christus cogitabatur homo futurus, De resurr. carn., c. VI, P. L., t. II, col. 802. Cf. Prudêncio, Apotheosis, versos 1028 a 1041, P. L., t. IX, col. 1002. Para preservar toda a beleza desta ideia, não é necessário recorrer àquela suposição singular, feita por certos comentadores e relatada por Eugubinus em sua Cosmopoeia, Gen., I, Veneza, 1591, fol. 40, a saber, que o Filho de Deus teria, desde então, tomado uma forma humana para moldar ele mesmo, com suas próprias mãos e à sua própria imagem, o corpo de seu primeiro ancestral.

Adão é ainda figura de Jesus Cristo sob outro aspecto, extraído de sua relação não mais com o gênero humano, mas com Eva, sua esposa (Gên., II, 21-24). O primeiro homem, adormecido em um sono extático enquanto Deus forma a primeira mulher de uma de suas costelas, é Jesus Cristo, adormecido na cruz no sono de uma morte breve, enquanto a Igreja nasce de seu lado, aberto pela lança do soldado. Tertuliano, De anima, c. XLIII, P. L., t. II, col. 725; S. Agostinho, In Ioan. Evang., tract. IX, n. 10, P. L., t. XXXV, col. 1463; S. Tomás, Sum. theol., Ia, q. XCII, a. 2, 3. Adão, ao encontrar-se pela primeira vez diante de Eva, reconhecendo nela o osso de seus ossos e a carne de sua carne, e exclamando na plena consciência do grande mistério que se realizou: «Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e eles serão dois em uma só carne», representa, sob uma figura profética, o Cristo que ama a Igreja, sua esposa, a ponto de deixar tudo e morrer por ela (Efés., v, 25-32; S. Agostinho, loc. cit.). Por isso, após recordar as palavras de Adão, São Paulo acrescenta: «Este é um grande mistério, refiro-me ao Cristo e à Igreja».

Notemos, enfim, que, em sua relação típica com Cristo redentor, Adão não é completo sem Eva. Na ordem da queda e do pecado, Adão e Eva formam, propriamente falando, apenas um grupo, o de nossos primeiros ancestrais, o dos vencidos por Satanás, assim como na ordem da redenção e da salvação, Jesus e Maria, sua mãe, formam também apenas um grupo, o de nossos segundos ancestrais, o dos vencedores de Satanás. Contudo, esta consideração, rica na literatura patrística, está fora do nosso objeto. Ver Eva.

1º Sobre a criação de Adão e sua elevação ao estado sobrenatural: S. Tomás, Sum. theol., Ia, qq. XC-XCV; Suarez, De opere sex dierum, l. II; Belarmino, De gratia primi hominis; Gotti, tr. X, De homine, q. III; Mazzella, De Deo creante, disp. IV; Palmieri, De Deo creante, part. II, c. I, a. 4; Christ. Pesch, Prælect. dogmat., t. II, De Deo creante, sect. IV, a. 1.

2º Sobre o pecado de Adão: S. Agostinho, De Gen. ad litt., l. XI; De Civit. Dei, l. XIV, c. XI-XV; P. L., t. XXXIV, col. 429 sq.; t. XLI, col. 448 sq.; S. Tomás, Sum. theol., IIa, IIae, qq. CLXIII-CLXIV; Suarez, De opere, l. III, c. XX; l. IV; Belarmino, De amissione gratiæ, l. III; Gotti, loc. cit., qq. V; Mazzella, loc. cit., disp. V, a. 4; Palmieri, loc. cit., c. III, th. LXV; Christ. Pesch, loc. cit., prop. XXV.

3º Sobre a salvação de Adão: S. Irineu, Cont. hær., l. III, c. XXIII, P. G., t. VII, col. 960; Filipe de Harveng, Responsio de salute primi hominis, P. L., t. CCIII, col. 593-622; Afonso de Castro, Adv. hær., l. II, adnot. Adam et Eva, Opera omnia, Paris, 1578, t. I, p. 108 sq.; Suarez, De oper. sex dierum, l. IV, c. IX; Belarmino, De amissione gratiæ, l. III, c. XII; Gotti, loc. cit., q. VI, dub. IV; Noël Alexandre, Hist. ecclesiast., édit. Roncaglia, Paris, 1740 sq., t. I, diss. II, De Adamo et Eva, a. 3; t. V, diss. XVII, Adv. Tatianum, a. 4.

4º Sobre o sepultamento de Adão no Calvário: Suarez, In IIIam Summe, q. XLVI, a. 10, n. 6-10; Gretser, Tract. de S. Cruce, l. I, c. XVIII, Opera omnia, Ratisbona, 1734, t. I; Duguet, Traité de la croix, Paris, 1738, t. VI, col. XVII-XXVII; Molanus-Paquot, De historia SS. imaginum, Louvain, 1771, l. IV, c. XI. — No sentido oposto: Jean Nicolai, De sepulchris Hebræorum, loc. cit.; Jean Gerhard, Harmonie evangelistarum, part. IV, Genebra, 1645, fol. 197-198.

5º Sobre Adão como figura de Jesus Cristo: no apêndice às obras de Santo Ambrósio, Serm., XIV, De primo Adam et secundo, P. L., t. XLII, col. 691-692; S. Fulgêncio, Serm., I, n. 7, P. L., t. LXV, col. 728-729; Jacq. Salian, Annales ecclesiast. V. T., ad ann. mundi 930, n. 8-9; Bossuet, Élévations sur les mystères, VIIIe sem., 2e et 3e élévat.

6º Sobre a literatura apócrifa e as lendas orientais relativas a Adão: Will. Smith, A dictionary of christian biography, art. Adam (Books of); Mgr Batiffol, no Dictionnaire de la Bible de M. Vigouroux, art. Apocryphes (Livres), 6º; dom Calmet, Dict. de la Bible, art. Adam; d’Herbelot, Biblioth. orientale, Maestricht, 1776, ao verbete Adam; David Mill, Dissertatio de mohammedismo ante Mohammeden, no Thesaurus de Ugolini, t. XXIII, p. 1130-1131; Weil, Bibl. Legenden der Muselmänner.

X. Le BACHELET.



Autor: Sem assinatura



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