
I. Vida. II. Escritos.
I. Vida. — Nascido na Gália no século VIII, Adalbert foi, durante toda a sua vida, um impostor insigne. Ainda jovem, vangloriava-se de que um anjo lhe trouxera relíquias preciosas, em virtude das quais obtinha o que desejava; fez vítimas, sobretudo, entre os habitantes do campo. À força de dinheiro, corrompeu bispos ignorantes que lhe conferiram o episcopado; desde então, pôs-se a consagrar igrejas sob o seu próprio nome; distribuía, inclusive, fios de seus cabelos e partículas de suas unhas para serem venerados. Se alguém se apresentava a ele para confessar os seus pecados, ele pretendia conhecê-los de antemão e absolvia os pecadores sem ouvi-los; logrou, assim, desempenhar um papel importante, sobretudo no Leste da França, onde o povo desertava as igrejas para frequentar os oratórios erigidos por ele.
São Bonifácio, que trabalhava então para destruir por toda parte o erro, tendo tentado inutilmente converter Adalbert, fê-lo condenar em 744, no concílio de Soissons. O impostor tornou-se apenas mais audacioso; Bonifácio advertiu o papa Zacarias, que o condenou por volta de 748, em um concílio em Roma; como ele se recusasse a submeter-se, foi encarcerado por ordem dos príncipes Carlomano e Pepino, e morreu, provavelmente, no cárcere.
II. Escritos. — 1° Um primeiro escrito de Adalbert é a história de sua própria vida, tecido de visões, de imposturas e de falsidades. Ver Labbe, Sacrosancta concilia, t. VI, col. 1553. — 2° Ele também compôs uma pretensa Carta que atribuía a Jesus Cristo e que supunha ter sido trazida do Céu pelo ministério de São Miguel, e encontrada em Jerusalém. Ver Baluze, Capitularia, t. II, col. 1396. Esta carta não contém nada de mau em si; o ponto sobre o qual insiste, sobretudo, é a santificação do domingo. — 3° Um último escrito é uma fórmula de orações para o uso de seus sectários: após ter invocado o Deus todo-poderoso, Pai de Jesus Cristo, invoca-se São Miguel e outros anjos com nomes desconhecidos, que parecem ser antes demônios, observa o concílio de Roma que condenou esta prece, assim como os outros dois escritos de Adalbert. Este concílio queria que se queimassem todos os três; mas o papa Zacarias ordenou que fossem conservados nos arquivos da Igreja de Roma. Contudo, eles não subsistem mais, em lugar nenhum, na íntegra. Conhecem-se apenas alguns extratos relatados nos Atos do concílio de Roma, e impressos com as cartas de São Bonifácio, Bonifacii epistolae, P. L., t. LXXXIX; Baluze publicou fragmentos da carta atribuída a Jesus Cristo.
Histoire littéraire de la France, Paris, 1788, t. IV, p. 82-84.
Autor: J. RÉLOR
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