ACHAMOTH

Verbete sobre ACHAMOTH na Enciclopédia Católica

Este nome, entre os gnósticos valentinianos, designa o fruto informe do último éon feminino do Pleroma, a indiscreta Sophia, que, na sequência de uma vã tentativa de apreender o Incompreensível, o Pai invisível, gera apenas um aborto. É a ὕστερα ἀχάμωθ (hystera achamoth) de Santo Irineu, o ἔκτρωμα (ectroma), a Sophia do abismo dos Philosophumena, VI, 31, com um papel quase idêntico, porém importante, na cosmologia, na antropologia e na escatologia.

Compadecido pelo éon Χριστός (Cristo), ela recebe dele sua forma e um suave perfume. Todavia, tão pouco sábia quanto sua mãe, deixa-se levar pelo desejo violento de reconquistar a luz que viera visitá-la, mas não consegue, por não poder transpor o limiar do Pleroma, guardado pelo éon Ὅρος (Horos): daí advêm as dores, a tristeza, o medo de não reencontrar a luz, de perder a vida e, enfim, a ignorância de tudo o que está acima dela.

Sua tentativa e suas desditas não são, contudo, inúteis. Pois de seu impulso em direção à luz nasce o Demiurgo, o παντοκράτωρ (pantocrator), que, de maneira inconsciente, mas sob a direção de sua mãe, procede ao discernimento das duas essências, celeste e terrestre, psíquica e hílica, e à exploração das paixões maternais. Com efeito, do medo ele extrai a alma das bestas e do homem; da tristeza, tudo o que há de mau; das lágrimas, a água; do sorriso, a luz; da ignorância, o fogo, etc.

Achamoth ora e, ante sua prece, o Pleroma se comove. Em vez de Χριστός (Cristo), ela recebe desta vez o Παράκλητος (Paráclito), o Salvador Jesus. Primeiro ela cobre o rosto diante deste visitante celeste, depois arrisca um olhar e é reconfortada, consolada. Mas ela encontra tão belos os anjos que o acompanham que estabelece comércio com eles, concebe e gera frutos espirituais. Por meio disso, torna-se possível a formação completa do homem. O homem retém da matéria seu elemento hílico; do Demiurgo, sua alma psíquica; de Achamoth, sua alma pneumática.

As falhas de Achamoth tornam a redenção necessária; tão logo a redenção seja um fato consumado, Achamoth deve elevar-se e entrar, desta vez, no Pleroma para nele unir-se ao esposo que o Pleroma inteiro contribuiu para formar, isto é, a Jesus. Ver VALENTINIANOS.

S. Irineu, Cont. hæreses, l. I, c. IV, P. G., t. VII, col. 484, 184 sq.; Philosophumena, VI, 31 sq., P. G., t. XVI, col. 3240.





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