
Seita de arianos que se formou, em 359, no sínodo semiariano de Selêucia, sob a influência e a direção de Acácio de Cesareia, donde o nome Ἀκάκιοι (Acacianos). Eles se separavam dos ortodoxos pela rejeição da palavra ὁμοούσιος, consubstancial; dos semiarianos, pela daquela de ὁμοιούσιος, semelhante em substância; dos anomeus, pela daquela de ἀνόμοιος, dissemelhante. Apegavam-se ao termo ὅμοιος, semelhante, donde seu outro nome de homeus. Eis a sua fórmula, assinada em Selêucia por cerca de quarenta bispos, entre os quais se notam, sobretudo, Jorge de Alexandria, Urânio de Tiro e Eudóxio de Antioquia: «Como as palavras consubstancial e semelhante em substância causaram muitas perturbações e alguns inovaram recentemente ao chamar o Filho de dissemelhante ao Pai, rejeitamos as palavras consubstancial e semelhante em substância por não se encontrarem na santa Escritura, e anatemizamos a de dissemelhante; professamos que o Filho é semelhante ao Pai, em conformidade com o que diz o apóstolo, que o chama imagem de Deus invisível.» Epifânio, Hær., LXXIII, P. G., t. XLI, col. 451. Os acacianos formavam assim um partido intermédio, embora permanecendo no arianismo estrito, visto que o termo ὅμοιος significava para eles semelhante ao Pai, não quanto à substância, mas quanto à vontade. Hilário, Cont. Constant., n. 14, P. L., t. X, col. 592.
A história dos acacianos limita-se a poucos anos. Em Selêucia, não tendo Acácio comparecido para prestar contas da sua conduta em relação a São Cirilo de Jerusalém, a maioria semiariana pronunciou contra ele e os seus principais fautores uma sentença de deposição. Mas ele soube prevenir os enviados do sínodo junto ao imperador Constâncio e ganhar este último para a sua causa. No ano seguinte, foi a alma de um concílio reunido em Constantinopla. De concerto com Ursácio de Singidunum e Valente de Mursa, fez aprovar ali o formulário de Niceia na Trácia, em outubro de 359, isto é, a doutrina do ὅμοιος puro e simples. Depois, diversos personagens foram depostos: o diácono Aécio, patriarca dos anomeus; São Cirilo e, sobretudo, os chefes do partido semiariano, como Basílio de Ancira e Macedônio de Constantinopla, que foi substituído por Eudóxio. O crédito de Acácio manteve-se enquanto viveu Constâncio. Sob Juliano, o Apóstata, seu sucessor, Aécio voltou às graças e os acacianos aproximaram-se abertamente dos anomeus; mudança de atitude e retorno momentâneo à fé de Niceia, no sínodo de Antioquia de 363, sob Joviano, imperador ortodoxo; depois, reviravolta sob Valente. Em 365, o sínodo semiariano de Lâmpsaco anulou todos os atos do concílio realizado em Constantinopla em 360, condenou a profissão de fé que ali fora emitida e depôs Eudóxio e Acácio. Valente não confirmou estas disposições, mas a partir desta época os acacianos não têm mais história particular.
Ver S. Atanásio, De synod., n. 12, 29-40, P. G., t. XXVI, col. 701, 745-766; S. Hilário, op. cit., n. 12-15; S. Epifânio, Hær., LXXIII, n. 23-27; as Histórias eclesiásticas de Sozomeno, IV, 22-29; V, 14; VI, 4, 7, P. G., t. LXVII, col. 1177-1206, 1253, 1299-1304, 1309-1314; de Sócrates, II, 39-43; III, 24-25; IV, 2 sq., P. G., t. LXVII, col. 331-356, 449-456, 465; e de Teodoreto, II, 22-24, 27, P. G., t. LXXXII, col. 1063-1074, 1079-1084; Tillemont, op. cit., p. 439 sq.; Hefele, Hist. des conciles, trad. Leclercq, t. II, § 82-88; Gummerus, Die homöusianische Partei, 1900, p. 18, 19, 63 sq., 138 sq., 159-160.