
Deístas do final do século XVIII, aparentados de longe aos hussitas. O seu centro de ação foi bastante restrito: não parecem ter saído do senhorio de Pardubitz, no círculo de Chrudim, na Boêmia, e os seus adeptos, recrutados com mistério, compunham-se em maior parte de camponeses judeus e protestantes, entre os quais se tinham extraviado alguns católicos pouco esclarecidos. Estas pessoas pretendiam voltar à religião professada por Abraão antes da circuncisão: não admitiam nem a Trindade, nem o pecado original, nem o exercício do culto cristão, embora tivessem o cuidado de fazer batizar os seus filhos pelos padres católicos e de contrair matrimônio perante estes ministros, para evitar as perseguições da lei civil. Acreditavam na existência de Deus, na imortalidade da alma, nas penas e nas recompensas futuras, sem contudo reconhecer a eternidade dos castigos do inferno. Cristo não era para eles senão um homem ordinário e de toda a Escritura santa não pretendiam conservar senão o decálogo e a oração dominical. A sua moral não era também das mais severas. José II mostrou-se pouco terno para com os aderentes desta seita, e sobre a sua recusa de se classificarem numa ou noutra das confissões reconhecidas pelo édito de tolerância (1780), alistou à força os homens válidos que dela faziam parte nos corpos de exército de fronteira e dispersou-os desta sorte na Hungria, na Galícia, na Transilvânia. Para conservar os seus bens, a sua descendência teve de abraçar o catolicismo. Não foi preciso mais para reduzir a nada esta singular classe de novadores.
Geschichte der böhmischen Deisten, Leipzig, 1765; Meusel, Nachrichten, Bemerkungen, Erlangen, 1816.
Autor original: L. GUILLOREAU