ABRA DE RACONIS, Charles-François

Verbete sobre ABRA DE RACONIS, Charles-François na Enciclopédia Católica

Nasceu por volta de 1580 no castelo de Raconis, diocese de Chartres. Sua família, que era calvinista, passou inteiramente ao catolicismo em 1592. Ensinou sucessivamente a filosofia no colégio do Plessis (1609), a teologia no colégio de Navarre (1615); em 1618, foi nomeado pregador e capelão do rei. Nessa época, ocupava-se também de polêmica contra os protestantes e publicava diversas obras de controvérsia: 1° Resposta aos quatro ministros de Charenton e a dois outros escritos de Pedro do Moulin, in-8°, Paris, 1617; — 2° Triunfo da verdade forçando o senhor do Moulin a confessar sua fuga na conferência que ele teve com o senhor de Raconis, Paris, 1618; — 3° Os atos da conferência do senhor de Raconis, professor em teologia, e do senhor do Moulin, ministro de Charenton, na casa do senhor do Moulin, assinados de parte a parte, in-8°, Paris, 1618; — 4° Tratado para se encontrar em conferência com os hereges, in-12, Paris, 1618; — 5° A confissão de fé dos ministros perfurada a descoberto e seu escudo posto em pedaços ou o Exame da confissão de fé dos ministros, 2 vol., Paris, 1620, 1621. Designado em 1637 para o bispado de Lavaur, não permaneceu muito tempo em sua diocese; em 1643, estava de volta a Paris. A polêmica contra os jansenistas ocupou-o até o fim de sua vida. São Vicente de Paulo o excitava e encorajava. Em 1644, fez aparecer um Exame e julgamento do livro da frequente comunhão feito contra a frequente comunhão e publicado sob o nome do senhor Arnauld, 3 in-4°, Paris; em 1645, uma Breve anatomia do libelo anônimo intitulado: Resposta ao livro do senhor bispo de Lavaur, in-4°, Paris; uma Continuação dos exames da doutrina do abade de Saint-Cyran e de sua cabala, in-4°, Paris; A primazia e soberania singular de São Pedro, contra a heresia dos dois chefes da Igreja, formulada por Martinho de Barcos. Esta atitude valeu a Raconis as cóleras e os rancores do partido. Perto do fim desse mesmo ano de 1645, o boato espalhou-se em Paris de que o bispo de Lavaur havia denunciado ao papa as perigosas doutrinas contidas no livro da Frequente comunhão e o havia advertido de que bispos franceses toleravam e aprovavam essas impiedades. O bispo de Grasse informou desse fato a assembleia geral do clero. Os prelados mostraram-se tanto mais comovidos quanto alguns tinham publicamente recomendado a obra de Arnauld; queixaram-se ao núncio, depois fizeram pedir a Raconis se ele tinha realmente escrito essa carta, e, apesar de sua resposta negativa, endereçaram a Inocêncio X um protesto comum contra as acusações das quais eram objeto. Collection des procès-verbaux des assemblées générales, t. II. Abra de Raconis morreu alguns meses depois, em 16 de julho de 1646.

Launoy, Regii Navarre gymnasii Parisiensis historia, Paris, 1677; dom Liron, Bibliothèque générale des auteurs de France, Bibliothèque chartraine, Paris, 1719; Moreri, Dictionnaire historique; Feller, Biographie universelle; Hoefer, Nouvelle biographie générale; Hurter, Nomenclator literarius, Inspruck, 1893, t. II; Wetzer et Welte, Kirchenlexicon, Friburgo, 1882.



Autor original: V. OBLET




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