Nannius Pedro, célebre humanista belga (1500-1557). Nascido em Alkmaar (Holanda setentrional) em 1500, Pedro Nanninck, mais conhecido pelo nome de Nannius, foi concluir em Lovaina os estudos que havia começado em sua cidade natal. Depois de ter sido por algum tempo reitor do colégio de Alkmaar, voltou como professor a Lovaina em 1535; já era padre desde esse momento; receberia mais tarde um canonicato em Arras. A partir de 1539, lecionou a língua latina no Colégio das Três Línguas, onde morreu em 21 de junho de 1557.
A obra considerável de Nanninck é consagrada sobretudo à filologia clássica; não nos cabe apreciá-la aqui, mas este humanista, que prestou grandes serviços à causa das letras profanas, deve ser mencionado por diversas produções de ordem eclesiástica. Assinalemos apenas sua Declamatio quodlibetica de aeternitate mundi, in-12, 51 p., Lovaina, 1550, onde Nannius se esforça por provar que o mundo, no desígnio primeiro do Criador, devia durar eternamente, não tendo sido tornado sujeito à corrupção senão pelos pecados de Adão e de sua posteridade.
Mas é por suas traduções e edições patrísticas que Nannius deve ser citado. Exerceu-se primeiro sobre São Basílio, de quem deu, apenas em latim, a homilia In sanctam Christi nativitatem (rejeitada pelos mauristas entre as duvidosas, P. G., t. xxxi, col. 1157 sq.), Lovaina, 1538; depois, em 1539, as três homilias numeradas pelos mauristas vi, vii, viii, com três cartas; em 1541 publica, em grego (edição princeps) e em latim, o De mortuorum resurrectione de Atenágoras, Lovaina; outra edição no mesmo ano em Paris (cf. P. G., t. vi, col. 18); em 1544, Synesii et Apollonii epistolae selectiores latine versae.
Deve-se a ele, sobretudo, a primeira edição completa das obras de Santo Atanásio em latim: Athanasii magni Alexandrini ep. opera in quatuor tomos (em um só volume) distributa, quorum tres sunt a P. Nannio Alcmariano ad graecorum exemplarium fidem jam primum conversi, exceptis paucis antehac imperfectis ab eo denuo plenius et latinius redditis, petit in-fol., Basileia, 1556; a última parte do volume, que tem paginação especial, contém as obras duvidosas ou apócrifas, em traduções já publicadas: ver o que diz Montfaucon desta edição em seu prefácio geral às obras de Santo Atanásio, P. G., t. xxv, col. xvii a, xviii a sq.
A tradução de Nannius, elegante ao menos, se nem sempre fiel (o autor dispunha apenas de manuscritos mediocres), figurou nas diversas edições greco-latinas de Santo Atanásio até a de Montfaucon, que, depois de ter primeiro hesitado, tomou o partido de substituí-la por uma versão inteiramente nova.
Nannius é também autor de escólios sobre a discussão epistolar entre Símaco e Santo Ambrósio. Foram editados após sua morte em apêndice à bela edição de Prudêncio publicada em Antuérpia em 1564 (cf. P. L., t. lix, col. 649 C); do mesmo modo os escólios relativos às orações fúnebres de Santo Ambrósio sobre o imperador Valentiniano e sobre Sátiro apareceram na edição de Santo Ambrósio de Basileia, 1567, e Paris, 1569; algumas passaram para a edição dos mauristas (cf. P. L., t. xvi (ed. de 1866), col. 1318, 1357, 1361, etc.).
P. Nannius aplicou igualmente à Sagrada Escritura os mesmos métodos filológicos. Em 1552, publica em Basileia uma tradução latina da Sabedoria, com anotações que não são sem valor: Sapientia Solomonis una cum scholiis, pequeno in-8° de 91 p.; em 1554, em Lovaina: In Cantica canticorum paraphrases et scholia; Paquot declara que «esta pequena obra vale mais do que muitos longos comentários».
A. Le Mire, Elogia belgica, 1602, p. 151-153; Valère André, Bibliotheca belgica, p. 749-751; Foppens, Bibl. belg., t. ii, p. 994-996; Nicéron, Mémoires, t. xxxvii, p. 25-33; Paquot, Mémoires pour servir à l'histoire littéraire des Pays-Bas, t. xiv, p. 58-79; Biographie nationale de Belgique, t. xv, Bruxelas, 1899, col. 415-424.
É. Amann.
Autor original: É. Amann
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